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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2015
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A Humanidade deve a sua sobrevivência a uma complexa rede de reações fisiológicas, a qual é acionada sempre que o ser está diante de um perigo. Nossos antepassados, vivendo nas cavernas, mediante uma situação de envolvimento com algozes, inclusive diante de animais ferozes, liberavam altas taxas dos hormônios cortisol, adrenalina e noradrenalina, produzindo elevação da pressão arterial, dos batimentos cardíacos e da frequência respiratória.

Essas alterações fisiológicas, positivas e bem-vindas, proporcionando ansiedade e medo, favorecem o combate ou a fuga, porquanto o sangue circula com rapidez, aprimorando a atividade muscular esquelética, assim como a respiração mais rápida leva à captação mais eficiente de oxigênio.

Esse mecanismo, igualmente, era acionado na busca de alimentos pela caça e diante das catástrofes do tempo. Portanto, a capacidade de reagir ansiosamente diante das ameaças acompanha o indivíduo em sua trajetória evolutiva na Terra, desde os primitivos ancestrais com suas moradias nas cavidades subterrâneas, como, hodiernamente, viajando, no espaço sideral, em uma nave espacial ou se preparando para ser submetido à intervenção cirúrgica.

O ataque dos animais e a busca de alimentos pela caça foram substituídos, atualmente, pelas situações emocionais diante da realidade de sua existência, da sua sobrevivência e da família, do temor causado pela insegurança política e econômica e por inúmeros fatores, como o caos no trânsito, na educação, na saúde, na moradia, os quais agem no arcabouço físico, desencadeando as mesmas reações estressantes verificadas diante das feras do passado.

Um estudante, à espera de uma prova na escola ou mesmo diante do momento de prestar um concurso importante, se defronta com o mesmo quadro de ansiedade que foi vivenciado pelo homem das cavernas. O agravante é que, na atualidade, o estresse surge a todo momento, desencadeado principalmente por situações emocionais, apresentando-se assaz indesejável, tendendo à cronicidade e tornando-se prejudicial à saúde.

A falta de gerenciamento do estresse persistente pode desencadear a depressão, desde que há diminuição da liberação de serotonina, um neurotransmissor essencial para a sensação de anseios de prazer e bem-estar. Além desse grave efeito psicológico, o indivíduo está sujeito a ser portador da hipertensão arterial, apresentar distúrbios de ordem gastrointestinal, maior susceptibilidade a infecções e aos acidentes vasculares, possibilidade de manifestar resistência à insulina que acompanha o diabetes tipo 2 e agravamento do quadro hiperglicêmico já instalado. Igualmente, são encontradas a cefaleia tensional, a enxaqueca, a insônia e dificuldades na prática sexual.

Há muita relação entre estresse e obesidade, quando o indivíduo come em excesso para amenizar suas emoções, favorecendo o agravamento do quadro clínico. Portanto, uma dieta com base em vegetais, frutas, legumes e cereais integrais é essencial. Ao mesmo tempo, deve-se evitar o álcool, o cigarro e o café. Importante o acompanhamento de um profissional da nutrição.

Atualmente, está provado que os exercícios físicos são indispensáveis no combate ao estresse, porquanto o corpo libera beta-endorfina, uma substância que proporciona bem-estar e prazer. Portanto, são importantes a prática de dança, ginástica, tai chi chuan, esportes ao ar livre, caminhada, natação, yoga, para a saúde e bem-estar de modo geral, principalmente do cérebro.

Podem ser também destacados os benefícios das técnicas de relaxamento, principalmente a meditação, como igualmente as técnicas cognitivas e comportamentais, a rotina frequente de ouvir música clássica ou popular, não esquecer dos momentos de lazer junto à família, a leitura edificante e a oportunidade de assistir peças teatrais ou filmes de comédia.

 

O espiritismo auxiliando contra o estresse

 

A Doutrina Espírita se torna uma grande aliada, indicando o caminho para evitar o estresse crônico ao caminhante terreno, em sua atual etapa reencarnatória. De uma maneira geral, o ser, vivendo em uma sociedade capitalista de consumo predominante, a todo o momento, está excessivamente preocupado consigo mesmo, aflito em demasia, engolfado em um egoísmo avassalador. O Espiritismo, ratificando e exemplificando o excelso Evangelho de Jesus, exorta o indivíduo a passar a observar o próximo que está ao seu lado e considerá-lo como um irmão, cientificando-se que o Pai o ama incessantemente, assim como a todos os seus filhos.

Em realidade, quando a pessoa está ajudando o angustiado, esquece-se de suas próprias tribulações. O Cristo exemplificou a caridade e fez do amor ao semelhante um impositivo maior para que a felicidade se estabeleça. No chamado “sermão profético”, o Mestre alude aos eleitos, os salvos, como aqueles que o seguem na pessoa do próximo, não fazendo referência a nenhuma crença religiosa, nem mesmo ao seu sacrifício na cruz: “...Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

“Porque tive fome, e deste-me de comer; tive sede, e deste-me de beber; era estrangeiro, e hospedaste-me;

“Estava nu, e vestiste-me; adoeci, e visitaste-me; estive na prisão, e foste me ver.

“Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?

‘E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?

“E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?

“E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes (Mateus 25:34-40).

Agostinho, na Q. 919 (a) de “O Livro dos Espíritos”, incentiva a criatura terrena à melhoria de si mesma, dizendo: “Quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar”.

Allan Kardec, em “Obras Póstumas“, “Credo Espírita”, afirma: “O homem que trabalha seriamente pelo seu próprio aperfeiçoamento assegura a sua felicidade desde esta vida; além da satisfação de sua consciência, isenta-se das misérias, materiais e morais, que são a consequência inevitável de suas imperfeições.

Terá a calma porque as vicissitudes não farão senão de leve roçá-lo; terá a saúde porque não usará o seu corpo para os excessos ; será rico , porque se é sempre rico quando se sabe contentar-se com o necessário ; terá a paz da alma , porque não terá necessidades fictícias, não será mais atormentado pela sede das honras e do supérfluo , pela febre da ambição , da inveja e do ciúme ; indulgente para com as imperfeições de outrem , delas sofrerá menos ; excitarão a sua piedade e não a sua cólera ; evitando tudo o que pode prejudicar o seu próximo , em palavras e em ações , procurando, ao contrário , tudo o que pode ser útil e agradável aos outros , ninguém sofrerá com o seu contato” .

A ciência já vem comprovando que, nos dois sexos, a ocitocina, um hormônio produzido principalmente pelo hipotálamo (uma região do cérebro localizada perto do tronco cerebral, que liga o sistema nervoso ao sistema endócrino através da glândula pituitária), nos momentos de afetividade com envolvimento emocional, é liberada diretamente no sangue, combatendo o estresse, anulando os efeitos do cortisol.

Portanto, todos os atos amorosos, principalmente a prática da caridade, expressando alegria e bom ânimo, podem vencer o estresse, comprovando, pois, que “é dando que se recebe” (quem se doa, recebe).

Quem pratica o Evangelho de Jesus está imunizado contra as agruras do estresse crônico e ouvirá, nos refolhos mais íntimos, a voz do Cristo dizendo-lhe: “Não permitais que o vosso coração se preocupe. Credes em Deus, crede também em mim” (João 14:1). “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá” (João 14:27). No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (João 16:33).

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