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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2016
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O nosso País, além da séria crise econômica, da vergonhosa corrupção e, principalmente, da crise sem precedentes nas áreas da educação e da saúde, se defronta, inesperadamente, com uma temível doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e causada por um vírus, identificado, pela primeira vez, em 1947, em um macaco rhesus na floresta Zika, da Uganda, e, no Brasil, observado, inicialmente, em abril de 2015.

Por que a moléstia produzida pelo vírus zika é tão danosa?

A resposta foi dada pelo Ministério da Saúde, o qual, com muita cautela, correlacionou esse vetor com os alarmantes casos de microcefalia já apresentados, chegando aproximadamente a dois mil recém-nascidos (dezembro/2015), em comparação com as notificações do ano passado, quando houve apenas 147 registros.

Analisando-se o líquido amniótico retirado por punção em duas gestantes da Paraíba, ostentando, nos exames de imagens, bebês com microcefalia confirmada, o vírus zika foi identificado, chamando a atenção da relação entre o micro-organismo e a má-formação genética, sem a presença de qualquer outra causa a justificar tão considerável epidemia. A analogia entre o vírus zika e a microcefalia, segundo informações oficiais, era incomum no mundo e não citada na literatura científica até o presente momento. Contudo, após a notificação feita pelo Brasil à OMS, a Polinésia Francesa, localizada no Oceano Pacífico Sul, a leste da Austrália, analisando os dados de nascimentos no período em que a infecção por zika era endêmica (2013), percebeu a mesma relação.

A palavra microcefalia origina-se do grego “mikrós”, pequeno, associado com “kephalé”, cabeça. É conhecida, igualmente, como nanocefalia, caracterizando-se pela deficiência de crescimento do cérebro, acarretando alterações neurológicas graves, com atraso nas funções motoras e de fala, inclusive podendo apresentar acentuado retardo mental, ao lado das ocorrências de distorções faciais, convulsões, baixa estatura, dificuldades de coordenação, embaraços no equilíbrio e, ocasionalmente, a morte.

O diagnóstico da microcefalia é realizado, após o nascimento, pela medida do perímetro cefálico ou circunferência da cabeça do feto que é igual ou menor a 32cm, respeitando-se o novo protocolo do Ministério da Saúde. Antes do nascimento, pode-se percebê-la através da ultrassonografia realizada na gestante, comparando a medida da circunferência cefálica do bebê com os desvios padrões da curva de normalidade para a idade gestacional.

 

As causas da Microcefalia

As causas da microcefalia são inúmeras, desde às de origens primárias, como anomalias cromossômicas e os defeitos da neurulação no embrião, quando se verifica o processo de formação do tubo neural, rudimento do Sistema Nervoso Central, até às de ordens secundárias, às quais aparecem devido à presença nefasta de substâncias tóxicas e de micro-organismos.

A formação do cérebro humano a partir de um minúsculo amontoado celular constitui um processo admirável, seguindo uma diretriz engenhosa, quando, agindo de certa forma programada, nunca subordinado ao acaso, a medula espinhal primitiva (corda dorsal, notocorda ou notocórdio) envia um sinal aos tecidos que a envolvem, acenando-os para que se tornem mais espessos e deem início à formação da placa neural, a qual, subordinada e orientada por algo que transcende o conhecimento humano, se invagina, criando o sulco neural. Então, a maravilhosa sequência de criações extraordinárias continua, no interior do sulco, havendo uma fusão de suas pregas, formando o tubo neural, com sua cavidade interna, cheia de líquido amniótico, que se tornará futuramente o encéfalo e a medula espinhal. Consequentemente, uma parte do tecido das pregas é bloqueado e surge a crista neural, semente grandiosa do futuro sistema nervoso periférico.

 

A medicina cartesiana

A medicina cartesiana, materialista, relata todas as etapas de formação embrionária do cérebro com muitos detalhes, batizados com várias denominações, mas incapaz de perceber nesse mecanismo tão versátil e sagaz a presença de um planejamento inteligente, capaz de ser o artífice de todo o magnífico e extraordinário processo de criação do cérebro, sendo responsável pelo fenômeno, exatamente o espírito, preparando-se para o grande embate evolutivo, seu retorno às paragens físicas, nas quais estará subordinado à certeira e poderosa tirania biogenética, fundamentalmente necessária a sua evolução.

De fato, o ser espiritual, mergulhando na carne, utilizando-se do material orgânico embrionário, forma o cérebro, seu próprio instrumento de manifestação no plano físico, o que põe por terra o simplista ensinamento das religiões dogmáticas a respeito da criação do espírito, no momento de sua formação biológica. O espírito preexiste à formação de seu corpo somático e, após o fenômeno da morte, retorna à dimensão espiritual, no veículo da imortalidade. Quanto aos materialistas, eles se agarram e se alimentam de um produto perecível, composto, em verdade, de energia condensada, materializada: a matéria e estão aprisionados nas teias do acaso, enquanto tudo é formado de energia, desde um pequeno grão de areia até a imensidade das nebulosas. Realmente, o acaso nada pode produzir, sendo célebre e sempre lembrado o diálogo entre o astrônomo materialista Laplace, conhecido como "O Newton da França" por sua excelência científica, com um de seus alunos.  Pois bem, Laplace foi assistir a uma exibição do Sistema Solar, em miniatura, feito por um suíço, o qual construiu os planetas e os movimentou, utilizando mecanismos de relógio. Então, ali estava a Terra, girando em redor do Sol, juntamente com os outros planetas. O mestre francês estava extasiado, diante do que estava presenciando. Chegou alguém ao lado dele e disse-lhe: – Professor, tudo o que o Sr. está vendo é fruto do acaso. Ele, prontamente, redarguiu: – Casualidade coisa alguma, quem produziu isso foi um engenheiro suíço, o acaso não pode produzir isso. Prontamente, o aluno perguntou-lhe: – Professor, não é o Sr. quem diz que o Universo surgiu do acaso? Laplace ficou quieto, nada respondendo, já que participou de uma experiência prática de que o nada não existe e o nada pode criar.

O homem não é apenas um composto fortuito de matéria densa, iniciando a vida no berço e terminando no túmulo e nada mais. Muito pelo contrário, cessando a vida física, como um pássaro que foge da gaiola, o espírito ressurge na dimensão extrafísica, de onde veio para a jornada gloriosa e imprescindível na carne.

É importante frisar que a Doutrina Espírita ensina, igualmente, que, “em qualquer de seus graus, o espírito está sempre revestido de um invólucro ou perispírito, cuja natureza se eteriza à medida em que ele se purifica e se eleva na hierarquia” (O Livro dos Médiuns, 2º parte, Cap. I – 55). O perispírito é, portanto, o corpo sublimado do indivíduo desencarnado, o qual se apresenta de acordo com sua elevação espiritual. Enquanto subordinado ainda às coisas terrenas, se mostra com uma vestimenta densa. Vincando seu períspirito com deficiências originadas dos equívocos e erros cometidos em vivências transatas, necessita de reencarnações reparadoras e extremamente necessárias para depurar, na carne, suas transitórias imperfeições. Portanto, não existe injustiça, nem castigo divino. Cada um presta contas do que já fez de bom ou de ruim: “Cada um será julgado de acordo com suas obras” (Apocalipse 20:12). “Retribuirá a cada um segundo as suas obras” (Mateus 16:27). “Quem erra é escravo do erro” (João 8:34). A responsabilidade é pessoal. Cada ser é responsável pelos seus próprios atos e passa por aquilo que precisa na sua evolução. Cada indivíduo é artífice de sua própria mazela, punido pelo tribunal da própria consciência, onde estão inseridas as Leis de Deus (OLE, Q. 621).

Milhares de casos de microcefalia estão ocorrendo por todo o Brasil, com predominância atualmente no Nordeste. A causa física parece ser mesmo o vírus da zika. E a origem espiritual? A alma de um ser portador de microcefalia está enclausurada temporariamente em uma organização física desmantelada e a limitação cognitiva favorece o espírito a não errar mais. Em verdade, sob a ótica extrafísica, está acontecendo algo transcendental: o ser espiritual reconcilia-se consigo mesmo, isto é, com a Harmonia Divina dentro de si; está aprendendo a se pacificar e a se libertar, livrando-se do pesadelo em que se encontrava no além-túmulo, com a consciência pesada, assenhoreado pelo remorso destrutivo. Os pais, os familiares e amigos devem emitir vibrações de paz e amor para com todos os irmãos em Deus, que reencarnam sob o jugo da microcefalia. Retirando-se os casos de expiação, quando o ser extrafísico necessita compulsoriamente reparar suas dívidas, pode também o espírito ser portador de um corpo deficiente para ser submetido a uma prova, pedindo para passar pelo sofrimento que lhe serve de impulso maior para a ascensão evolutiva, como igualmente ter o objetivo de poder ajudar seus pais, parentes e amigos, engolfados na atribulação, capacitando-os a se desprenderem com facilidade do jugo material, tornando-os mais fraternos e mais tolerantes, abertos para o encontro com a sua espiritualização e vivenciando com avidez o amor.

Em realidade, a disfunção cerebral é o caminho da libertação espiritual, a cura para o espírito, a via para a felicidade de um ser real dotado de natureza imortal que “estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado” (Lucas 15.32).

Disse Jesus: “Das ovelhas que meu Pai me confiou, nenhuma se perderá” (Mateus 18:12-13).

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