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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2016

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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Na conceituação comum atual, demônio é algo que assombra e causa temor e ansiedade nos mais variados graus, dependendo da crença pessoal. Todavia, não foi sempre assim.

       Na Introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec apresenta um resumo da doutrina de Sócrates e de Platão, filósofos gregos do século V a.C. e responsáveis por uma mudança de paradigma na filosofia, ao ponto de ser dividida em dois períodos distintos: Pré e Pós-Socrática. Verifica-se neste resumo que, na filosofia socrática-platônica, se utilizava a palavra “daimon”, da qual originou a palavra “demônio”, para designar espíritos em geral, bons e maus, em todos os estágios evolutivos, inclusive os atualmente denominados de “anjo da guarda” ou “espírito guardião”.

       Apesar de parecer um pequeno detalhe, a melhor compreensão do que são os demônios em sua realidade passa a ser de fundamental importância para o entendimento de si próprio e da relação pessoal com espíritos desta natureza, por conduzir à certeza da transformação e que a oração surtirá efeito em todos os casos.

       De forma geral, e não apenas neste caso, as palavras trazem o peso do significado que lhe é creditada por aqueles que as utilizam, isto se trata de uma questão pessoal. Portanto, uma mesma palavra pode ter uma conotação negativa ou positiva, dependendo de como e por quem é utilizada.

       Um bom exemplo desta questão é a palavra “morte”. Muitos acreditam que o seu uso pode trazer má sorte ou que seja um tema deprimente. Todavia, esta palavra somente descreve um processo natural pelo qual, invariavelmente, todo ser vivo irá experienciar em algum momento e o seu uso não adianta nem atrasa o evento.

       Desta forma, não existe a necessidade de preconceitos e os temas podem e devem ser abordados sem receio.

       Com relação ao tema principal deste texto, é preciso colocar os pingos nos is: em termos de seres inteligentes somente existe Deus e espíritos, portanto, os denominados demônios são essencialmente espíritos em determinado grau de entendimento sobre a sua própria existência.

       No processo de Criação, os espíritos são criados iguais, o que pode ser apreendido de duas características básicas da Divindade: bondade e a justiça infinitas, não podendo, desta forma, haver privilégios. A total igualdade de seres inteligentes somente pode ser concebida na ausência de experiências e desejos, caso contrário, já não seriam iguais, pois, o simples fato de serem inteligentes já estabelece que haverá algum tipo de diferença no entendimento de uma vivência qualquer.

       A criação de seres inteligentes iguais, mas fora da condição de simples e ignorantes, estabeleceria uma tendência preestabelecida, portanto, com o livre arbítrio comprometido, isto é, a liberdade de escolhas não seria total. Espíritos em um nível evolutivo ainda baixo não têm seu livre arbítrio limitado, como pode se pensar, porém, as suas possibilidades de ação que estão limitadas em decorrência da falta de conhecimento necessário para voos maiores. A limitação das possibilidades, como um processo natural, também se estabelece nos espíritos equivocados em decorrência de suas próprias escolhas e interesses. A limitação de ação, assim, não é imposição, mas consequência.

       No livro O Céu e o Inferno, Kardec diz que "Segundo o Espiritismo, nem anjos nem demônios são entidades distintas, por isso que a criação de seres inteligentes é uma só… Deus criou-os perfectíveis e deu-lhes por escopo a perfeição, com a felicidade que dela decorre. Não lhes deu, contudo, a perfeição, pois quis que a obtivessem por seu próprio esforço, a fim de que também e realmente lhes pertencesse o mérito".

       A humanidade ligada a um planeta não é constituída apenas de encarnados, mas também de desencarnados e o processo evolutivo é válido para ambos os casos e sujeitos às mesmas regras de consequências dos atos.

       Tomando o planeta Terra como exemplo, a humanidade abrange uma larga faixa de níveis evolutivos em constante troca de experiências, estando em contato muito próximo. O contato, portanto, é obrigatório, mas compartilhar interesses é opcional.

       No artigo intitulado Ordens dos Espíritos e a Afinidade Psíquica, publicado no jornal Correio Espírita em junho de 2016, foi apresentado o ponto em comum dos habitantes da Terra: o orgulho. O contato entre espíritos com pontos em comum se faz necessário para que se possa dimensionar as consequências das opções, isto é, do livre arbítrio.

       O orgulho, de uma forma ou outra, conduz a opções inadequadas para o espírito, isto é, ao mau. Desta forma, sob certo ponto de vista, todos os espírito ainda ligados a um mundo de expiação e provas como a Terra apresentam uma parcela demoníaca, no conceito comum do termo, por inflingir o mau a outrem.

       Portanto, pode-se concluir que, em certas categorias de mundos, ser “demônio" ou não é apenas uma questão de referência. Todavia, não significa um estado permanente, todos se transformam e a prece é uma ferramenta fundamental que pode e deve ser utilizada para si mesmo e para outros.

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