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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2016
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Após a década de 1840, quando os fenômenos espíritas se multiplicaram na Europa e nos Estados Unidos, a quantidade de médiuns só tem crescido, principalmente aqui no Brasil, a partir do século XX. Tivemos uma verdadeira “explosão” de mediunidade dos mais variados tipos e matizes que despontou por toda parte, em todas as classes sociais, raças, gêneros e idades. Dessa forma, o conhecimento sobre a vida do Espírito nos mundos espirituais e nas suas relações com o meio material foi sendo esmiuçado nos dando a conhecer o seu modus vivendi, suas dores e alegrias, suas motivações e ocupações, numa escalada de progresso constante em busca da felicidade e da paz.

       O movimento iniciado por Allan Kardec, que nos deixou com a sua monumental obra as linhas gerais da vida dos Espíritos, pôde ser aprofundado através do trabalho e da dedicação de médiuns e estudiosos do campo espírita. Isto não significa que o Espiritismo alcançou o limite máximo do conhecimento a respeito dos habitantes do mundo espiritual, pelo contrário, o aprendizado está apenas no início necessitando de muitos esforços ainda a fim de explorarmos as condições do ser espiritual destituído do corpo em suas mais diversas nuances, enfocando-o sob o aspecto psicológico, sociológico, moral etc.

       Há um vasto território de estudo esperando pelas mentes responsáveis e estudiosas e de instrumentos mediúnicos disciplinados e desenvolvidos, lembrando que apenas começamos a descobrir a ponta do iceberg, pois por enquanto só se tem estudado o meio espiritual mais próximo à mentalidade média do homem encarnado.

       Do modo como a mediunidade é o instrumento de estudo do Espírito, o sonambulismo é o melhor recurso que temos para conhecer a alma. Entendendo-se esta como sendo o Espírito encarnado, podemos ir ao seu encontro através do acompanhamento e da análise dos fenômenos proporcionados por essa faculdade ressaltada por Allan Kardec no capítulo Da Emancipação da Alma, em O Livro dos Espíritos, e depois na Revista Espírita.

       Foi Kardec quem afirmou que “o sonambulismo é mais que um fenômeno fisiológico, é uma luz projetada sobre a psicologia” (O Livro dos Espíritos, item 455). Muito se beneficiaria essa ciência se quisesse estudar o ser humano através da faculdade sonambúlica. Descobriria potencialidades e conflitos guardados para além daqueles que a Psicologia Profunda de Sigmund Freud e C. G. Jung conseguiu enxergar. Conteúdos que lá se encontram guardados, acumulados pelo tempo através das diversas encarnações e também nos estágios da erraticidade. “É aí que se pode estudar a alma, porque é nele que ela se mostra claramente” (idem). Potenciais latentes aguardando pela nossa decisão e confiança para se manifestarem e nos transformar em verdadeiros homens de bem e, mais tarde, em Espíritos de luz.

       Pelo sonambulismo é possível trazer à tona capacidades que o Espírito guarda por não acreditar em si mesmo, esquecendo-se das palavras de Jesus: vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo; se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Muda-te daqui para lá, e ele se mudará (Mateus, V: 13-14 e Mateus, XVII:20).

       Esquecemos que somos filhos de Deus, herdeiros da divindade, e que por isso temos guardados em nós os potenciais divinos capazes de nos levar à superação e à felicidade. Paulo de Tarso compreendeu estas verdades. No momento preciso ele soube fazer eclodir dos recônditos da sua alma as forças guardadas transformando a vaidade, a prepotência e o orgulho em humildade e caridade, revolucionando o mundo com as ideias propostas por Jesus.

       O conteúdo representativo daquilo que somos se encontra preservado dentro de cada ser humano em camadas mais ou menos profundas da alma, esperando por quem for capaz de, tais quais garimpeiros, “escavar” esses tesouros com segurança e responsabilidade através do sonambulismo magnético para trazê-los à tona e poder mostrar aquilo que realmente somos: Espíritos encarnados.

Mediunidade e sonambulismo são duas faculdades que, tais como o microscópio e o telescópio, servem para enxergar o invisível, trazendo à realidade visível, da consciência, os achados que compõem a magistral criação divina pertencente ao ser humano.

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