pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2016

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

Compartilhar -
Uma coisa simples é uma gripe; ou melhor: um resfriado. Mas se isso se transformar numa pneumonia ou puser o paciente em risco de morrer, tudo estará complicado.

       Uma coisa simples é uma pessoa chegar a uma Casa Espírita e dizer que procura ajuda, apoio, cura. Fica complicado quando falta alguém para ouvi-la, acolhê-la, acompanhá-la, socorrê-la.

       Muitas vezes na vida conseguimos, ainda que não queiramos, transformar coisas simples em complicadas, especialmente quando não nos dispomos à ação requerida. E parece que nem sempre se trata de desinformação ou desconhecimento de causa; o que tem sido mais comum mesmo é acomodação, é deixar como está para ver como é que fica, ou simplesmente se dizer algo como “isso não é comigo”, “procure fulano”, “tenha fé em Deus”...

       Não pode ser propósito de nenhuma Casa Espírita negar apoio aos que a buscam. Igualmente não deve ser atitude comum não ouvir-lhes as necessidades, ainda mesmo quando não se disponha de recursos ou condições para se atender a todos como convém. No reverso disso, buscar manter vivo o espírito de solidariedade e cristandade deve ser alimento diário na mente e no coração de todos os que compõem a Casa, seja na condição de dirigente, trabalhador, voluntário, frequentador, amigos, enfim...

       Na busca de tudo tratar de forma simples, terminamos caindo em expressões que parecem definir soluções, mas que raramente vão além de definições imprecisas e que não se sustentam por si mesmas. Por exemplo: alguém chega com visíveis sintomas de perturbação mental, logo se diagnostica que se trata de processo obsessivo; num diálogo fraterno, ao se dizer que na vida as coisas têm dado errado, somos informados de que os reajustes reencarnatórios são os culpados; as enfermidades que a Medicina não cura são apresentadas como formas de expurgar o passado; e se um tratamento espiritual, seja mediúnico, por passes espirituais ou magnéticos, não resulta positivo, logo se conclui que anda faltando merecimento ou fé. Enfim; respostas simples, mas que não resolvem a complexidade que se estabelece por trás dos problemas.

       É preciso que as Casas Espíritas estejam atentas às soluções que devem apresentar e não apenas ficarem limitadas a definirem “diagnósticos” sem promover a efetiva solução a fim de não complexar aquilo que, por vezes, pede simples e apropriadas medidas.

       No caso do Magnetismo (dos passes), a teimosia em se querer tratar tudo dentro de um universo restrito e ineficiente, com sói acontecer com as imposições de mãos, desrespeitando uma verdadeira e ampla Ciência e afrontando até mesmo as propostas de Jesus e Allan Kardec, tem levado nosso meio a uma inoperância assustadora.

       Deixar-se as técnicas dispersivas na quarentena, pelo fato de ser “mais simples” se administrar apenas a imposição de mãos, tem levado um universo enorme de pessoas a desistirem da chamada assistência espírita. Mais grave ainda porque muitas e variadas patologias hoje poderiam e estão sendo ser resolvidas a partir de pequenos ajustes nos estudos e nas práticas espíritas, mas uma ortodoxia fundada no “eu acho” não permite que se estude, que se questione, que se faça.

       Seria tão simples se aplicássemos as recomendações de Allan Kardec e dos Espíritos Superiores! Evitar-se-iam complexidades e gravidades enormes, ajudando seres que apenas querem crer que o Espiritismo pode muito mais do que o que temos feito.

       Resumindo: sejamos simples, porém não ignorantes. E que as complexidades da vida sejam tratadas com a dignidade e o respeito com os quais tudo no universo pede de cada um de nós.

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado