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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2016
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As controvérsias entre o que é doença e o que é saúde sempre existiram. Apesar das definições dadas por tantos, não há um consenso nos diversos segmentos ligados ao tema ou no senso comum, além de que os conceitos mudam no tempo e no espaço. Na Psicologia encontraremos explicações diferentes de acordo com a abordagem psicológica. Na Medicina não é diferente, posto que há discordância de pensamento quando analisamos a homeopatia, a Medicina chinesa ou a alopatia. São formas diversas de compreensão que retratam os variados pontos de vista por onde se pode observar determinado fenômeno.

Ao longo do tempo nos acostumamos a denominar de doente aquele que se constitui em minoria, que foge ao conceito estabelecido pela cultura da sociedade sobre o que seja um indivíduo saudável. Por exemplo, a homossexualidade era tida como doença, pois que não corresponde à maioria estatística (cerca de 10% da população). Da mesma forma, o sonambulismo, a catalepsia e a mediunidade são entendidos como doença pela alopatia.

Deixando de lado essas interpretações, o certo é que “de médico e de louco todos nós temos um pouco” – é o que afirma o ditado popular e com razão. Vivemos entre a loucura e a razão e todos manifestamos no dia a dia sintomas que fazem parte das classificações das doenças. Quem nunca esteve triste, com vontade de ficar na cama sem falar com ninguém? Às vezes queremos nos isolar para pensar, refletir, sair um pouco do burburinho do mundo. Não significa que estejamos depressivos. Onde vive o ser humano que nunca passou por um estresse ou nunca viveu um episódio de ansiedade? Provavelmente é um ser raro. Será que os demais estão doentes? Não, certamente, pois que são acontecimentos pontuais e que não trazem maiores transtornos para a sua vida, além de que representam crises momentâneas.

Há pessoas que costumam entregar-se a devaneios, como que sonham acordadas. Estes podem ser sintomas de alguma doença mental ou podem revelar a alma de um poeta ou de um ser apaixonado, vai depender do quanto de sofrimento e de distúrbio gere para a sua vida. Alguém pode num arrebatamento enxergar as imagens do futuro ou do seu passado. Isso seria alucinação?

Com os fenômenos parapsíquicos a situação é gritante. Os fenômenos de emancipação da alma ou mediúnicos ainda hoje não são aceitos pela Medicina. Quantos médiuns já sofreram com a pecha de loucos, de alucinados, de esquizofrênicos, de portadores de dupla personalidade. Os sonâmbulos ainda são vistos como doentes passíveis de tratamento medicamentoso. A catalepsia é tida como doença e os portadores de dupla vista como sofrendo de alucinações e perturbações mentais.

Durante o intervalo de um evento onde conversamos sobre esses fenômenos, uma senhora me procurou dizendo que há vários anos fazia tratamento psiquiátrico por que ela via “coisas”. Ela disse que com um dos olhos enxergava a realidade presente e com o outro via outro ambiente. Há muitos anos ela era espírita, mas não sabia que tinha dupla vista e que não era doente. Muitos espíritas me perguntam como fazer para deixar de serem sonâmbulos, pois isso lhes causa perturbações durante o sono. Num sentido contrário ao da Medicina, a Doutrina Espírita naturalizou esses fenômenos, entendendo-os como faculdades da alma. Sendo naturais, Allan Kardec recomendou que as desenvolvesse a fim de se ter o controle sobre os mesmos, transformando-os de espontâneos em facultativos.

Com exceção da mediunidade que poucos conheciam, todos os magnetizadores da época clássica (séculos XVIII e XIX) sabiam reconhecer esses fenômenos e lidavam diuturnamente com os mesmos nos tratamentos magnéticos. Como faz falta o estudo do Magnetismo nos centros espíritas! Tanta coisa poderia ser melhor entendida e as pessoas melhor ajudadas! Apesar da insistência de Kardec em ter o Espiritismo e o Magnetismo como ciências gêmeas e que um não poderia deixar de se apoiar no outro sob pena de se imobilizar (Revista Espírita, janeiro de 1869), o interesse em estudar o Magnetismo e todos esses fenômenos que lhe são subordinados ainda é uma exceção no meio espírita.

Muito aprenderíamos sobre nós mesmos, sobre o psiquismo humano, sobre a alma, se lançássemos o olhar para estas faculdades. Como afirmou Kardec referindo-se ao sonambulismo: “É aí que se pode estudar a alma, porque é onde esta se mostra a descoberto” (O Livro dos Espíritos, questão 455). Se a mediunidade é o instrumento eficiente para o estudo do Espírito desencarnado, o sonambulismo o é para o conhecimento da alma ou Espírito encarnado. O seu estudo, juntamente com toda a fenomenologia que lhe é inerente (dupla vista, telepatia, insensibilidade física, letargia, catalepsia etc.) revela as enormes potencialidades escondidas dentro de cada um de nós confirmando a nossa filiação divina e reafirmando as frases de Jesus: “vós sois a luz do mundo”, “vós sois o sal da Terra”. (Mateus, 5:13-14)

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