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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2017

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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        O que ocorre após a morte é um questionamento que permeia a mente da grande maioria das pessoas. Talvez seja possível atribuir este questionamento ao imenso medo do evento final à vida como a conhecemos na condição de encarnados.

        Muitos dizem não temer a morte em si, mas a forma como ocorrerá, aludindo a um possível sofrimento em decorrência de enfermidade ou de acidente. Contudo, se é que realmente são sinceros nesta colocação, é possível que não considerem a existência após o evento final.

        Contudo, para os espíritas, este deve ser um tema de profundas reflexões, pois, a condição no pós-morte estará em conformidade com a condução da existência enquanto encarnado.

        Em O Livro dos Espíritos , Kardec questiona sobre o que acontece com a alma no evento da morte. A resposta que obteve não poderia ser mais simples: “Volta a ser espírito, isto é, volve ao mundo dos espíritos, donde se apartara momentaneamente” (1).

        Assim, podemos avaliar o pós-morte sob dois aspectos: a) O material e; b) O espiritual.

 

a) Avaliação sob o aspecto material

        Em artigo anterior, intitulado Matéria Viva , concluiu-se que, "por 'matéria viva', deve-se entender a matéria que esteja combinada com fluido vital, componente que lhe confere condições para que o espírito possa interagir, seja momentaneamente, como nos fenômenos físicos, ou por períodos mais longos, como nas reencarnações" (2).

        Em outro artigo, intitulado Estados da Matéria , vida e morte foram abordados como eventos materiais, isto é, processos que ocorrem exclusivamente na matéria em função da presença ou ausência de fluido vital. Nesta abordagem, vida e morte mais não são do que estados distintos da matéria, assim como os estados sólido, líquido e gasoso para a água, o qual depende da "quantidade" de calor presente, que corresponde à temperatura (3).

 

b) Avaliação sob o aspecto espiritual

        Em artigo mais recente, com o título Alma ou Espírito? , fez-se uma distinção entre alma e espírito sob o ponto de vista de estado de maturidade, por assim dizer, tanto para a encarnação quanto para o processo inverso, a desencarnação (4).

        A Providência atua em todos os cantos e situações na obra da Criação através de leis bem definidas, as denominadas Leis Divinas. Assim, ao atingir um estado de "maturidade" enquanto na erraticidade, que deve estar relacionado com o aprendizado naquela condição, transformações perispirituais, gerenciadas pelo espírito, ocorrerão e que, por sua vez, conduzirão ao processo encarnatório.

        Processo equivalente terá lugar na situação inversa, isto é, o atingir um estado de "maturidade" enquanto na condição de encarnado, que também deve estar relacionado com o aprendizado, transformações perispirituais ocorrerão no sentido contrário, conduzindo ao processo de desencarnação. Talvez o modo como se dará a desencarnação deverá ser a mais condizente com o grau de maturidade que o espírito alcançar, contudo, não haveria meios de inferir algum tipo de correlação.

        Assim, sob o ponto de vista material, vida e morte são apenas dois estados da matéria, o qual não deveria haver grande interferência na condição espiritual em que o espírito se encontrar. A presença ou ausência da matéria do corpo físico estabelece apenas uma referência bem definida do estágio em que o espírito se encontra, o que lhe cabe fazer, suas atribuições e o que é esperado dele.

        Como é natural, diante de novo estágio que se inicia, ou que está prestes a iniciar, haverá certa inquietação em face do que não se conhece, apesar de não ser completamente desconhecido por se tratar de ciclos repetitivos para um espírito ligado a um mundo de expiações e provas.

        O próprio fato de não ser totalmente desconhecido é que antecipa o receio da morte, ou a condição no pós-morte, pois espíritos renitentes em comportamentos inadequados experienciam condições desagradáveis no porvir.

        As profundas ponderações necessárias ao espírita, conforme mencionado no início do texto, devem ter por objetivo quebrar o ciclo de comportamentos inadequados e consequências desagradáveis, para estabelecer um ciclo distinto, relacionado com comportamentos adequados e consequências agradáveis. Assim, o receio da morte desaparecerá por completo.

 

Notas bibliográficas:

       1. Allan Kardec; O Livro dos Espíritos ; comentário à questão 149.
  1. Claudio C. Conti; Matéria Viva ; Jornal Correio Espírita ; maio de 2015.
  2. Estados da Matéria ; Jornal Correio Espírita ; julho de 2015.
  3. Alma ou Espírito? ; Jornal Correio Espírita ; dezembro de 2016.
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