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Artigo do Jornal: Jornal Março 2017
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Dentre os fenômenos de emancipação da alma, um dos mais surpreendentes é o êxtase. Na classificação dos níveis de transe, este seria o mais aprofundado, quando a alma alcança ainda uma maior independência do que no sonambulismo. Essa liberdade dá ao extático a possibilidade de visitar os Mundos Espirituais donde recolhe impressões que muitas vezes não consegue traduzir em palavras, pela deficiência que apresenta a nossa linguagem para exprimir coisas que não encontram na Terra elementos para comparação.

Acessa às vezes os Planos Superiores onde pode aprender com o que observa e nos contatos que trava com Espíritos mais elevados. A alma, nessa condição, tem percepções que superam em muito as capacidades terrenas, podendo ter uma ideia das faculdades que utilizará quando desencarnar. É comum literaturas sobre espiritualismo oriental relatarem a respeito dos êxtases alcançados pelos iniciados durante a meditação. Recolhem-se em si mesmos e desprendem-se do corpo físico indo visitar Mundos Espirituais avançados, desenvolvendo noções mais amplas sobre a vida, sobre o Universo e sobre si mesmos. Utilizam o êxtase como recurso de autoconhecimento profundo que podem ajudá-los a crescer quanto à moral e ao conhecimento.

É bem conhecido o êxtase de Sidarta Gautama que, ao entrar em estado meditativo profundo encontra a verdade, retornando dele com o conhecimento sobre como eliminar a velhice, o sofrimento e a morte. Ficou conhecido como o Buda, que significa "o iluminado".

Se o sonambulismo é um fenômeno raro, o êxtase é de maior raridade ainda. Não deixou, todavia, de ser conhecido pelos magnetizadores clássicos que sabiam como usá-lo extraindo do fenômeno os melhores valores em benefício próprio, do doente ou de terceiros. O extático ao penetrar o pensamento na vida espiritual compreende o que é o ser e o que lhe aguarda após a vida terrena. Pode entrar em contato com Espíritos e receber deles orientação para suas vidas e para outros. Vê-se como um ser diferente do seu corpo físico e entende a imortalidade da alma. Precisa de uma condução correta que não lhe desenvolva a vaidade, nem lhe motive a fantasias, o que o faria perder o objetivo das suas faculdades. O desejo do bem deve ser o seu alvo e também do magnetizador para que se aproveite ao máximo a capacidade que o sensitivo apresenta.

É preciso cuidado ao lidar com o extático. A vida dele fica como "por um fio" devido ao grande desprendimento. Um abalo maior pode fazê-lo desencarnar ou ainda, as sensações vivenciadas nesse estado, bem como as paisagens que as suas percepções avançadas lhe proporcionam enxergar podem envolvê-lo de modo a querer partir para o plano espiritual em definitivo, rompendo os laços que fragilmente ainda lhe ligam ao organismo físico. Nada garante, porém, que desencarnando naquele momento irá habitar as regiões que se descortinam ante a visão da sua alma.

É preciso que o magnetizador que lhe fornece o suporte possa agir sobre ele mantendo a todo instante a calma e o equilíbrio, aproveitando ao máximo os recursos informativos que o extático oferece, mas sem perdê-lo de vista de modo a secundá-lo nos obstáculos.

No estado de êxtase, o Espírito do extático adquire uma grande liberdade agindo muitas vezes por conta própria. Isso não significa que o magnetizador perca o controle sobre ele. As técnicas magnéticas de dispersão agem sobre o sensitivo reduzindo o nível do transe, trazendo-o de volta à vigília caso seja necessário. De outra forma, o fluido que o levou ao transe em algum momento se esgota, podendo reduzir a emancipação ao estado de sono para depois o sujet despertar.

Falar com suavidade e firmeza com o extático também pode dar bons resultados, buscando dissuadi-lo de qualquer atitude que não seja apropriada, resguardando a sua vida e integridade psíquica.

Por outro lado, o trabalhador cônscio de suas obrigações e envolvido nos objetivos elevados do trabalho poderá servir-se de sua faculdade colhendo valiosas informações dos mundos que visitar, as quais enriquecerá o seu próprio íntimo, bem como daqueles que compartilharem com ele dessa oportunidade. Desenvolverá em si mesmo o sentimento superior de espiritualidade pela certeza da vida do Espírito que ele experimenta quase na íntegra. Poderá descrever o mundo espiritual e suas belezas incentivando o esforço de cada um a fim de fazermos por merecê-lo um dia.

É preciso humildade e esforço moral de transformação a fim de alcançar esse tipo de resultado. Do contrário poderá ser levado pela própria imaginação ou a visitar mundos espirituais inferiores que lhe causarão dificuldades pelo tipo de sintonia estabelecida. A mente voltada para o Alto, buscando sinceramente a comunhão com os melhores valores da vida o colocarão a salvo dos tropeços fazendo-o realizar o seu trabalho com segurança e equilíbrio.

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