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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2017
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O desconhecimento sempre trouxe prejuízos para o seu portador quanto para aqueles que se encontram no seu campo de influências. No que se refere ao Espiritismo, a falta de estudos sobre os fenômenos de emancipação da alma é gritante, dando a aparência de que eles não existem ou não são importantes. Tudo que acontece é levado à conta de mediunidade esquecendo-se que somos Espíritos estagiando em um corpo físico e que por isso temos a possibilidade de expressar, nas circunstâncias adequadas, certos potenciais latentes da alma. Isso traz consequências danosas às pessoas e ao Espiritismo.

Possuo um amigo que tem trauma de reunião mediúnica. Todas as vezes que ele participava dessas reuniões entrava em transe sem que nenhuma comunicação espiritual ocorresse, nem mesmo um simples sinal de aproximação de um Espírito. O coordenador apenas lhe orientava a ficar atento à reunião, que procurasse estar lúcido e que evitasse o transe. No trajeto para a sua casa, mesmo dirigindo o carro, precisava esforçar-se para não entrar novamente no transe que foi tolhido durante o trabalho espírita. Depois de certo tempo, vendo que a situação não modificava, resolveu abandonar aquele trabalho visto que não se sentia produtivo. Nunca mais participou de reunião dessa natureza, que se tornou para ele sinônimo de algo traumatizante e perigoso.

Nem ele, nem o dirigente sabiam lidar com a faculdade de desdobramento que se apresentava. É bom lembrar que desdobramento é uma faculdade anímica, não mediúnica. A faculdade ainda bruta precisava de burilamento, de incentivo, de apoio até mesmo magnético para que pudesse se desenvolver com segurança, permitindo a sua utilização, conferindo-lhe um sentido e uma direção a fim de tornar-se produtiva.

Para isso é preciso conhecer a respeito. Uma conhecida minha é sonâmbula desde pequena. Contando hoje com mais de 40 anos, ainda se angustia pela faculdade que carrega como se fosse um fardo que no início só gerava revolta. Os estados de transe ocorrem espontaneamente, às vezes duram dias, sem lhe tirar a capacidade de realizar as atividades comuns do dia a dia. Às vezes ela tem convulsões sem que apresente qualquer problema neurológico. Essas ocorrências sempre lhe atormentaram e causaram medo, mas sempre relutou em estudar o assunto. Seus problemas poderiam ser minimizados caso conhecesse os mecanismos da faculdade sonambúlica, o que lhe auxiliaria no seu controle e uso. Geralmente temos medo daquilo que não conhecemos e o que pode ser simples nos parece monstruoso. Por exemplo, as convulsões são comuns no início do processo de desprendimento do Espírito. Representam o esforço de libertação que o Espírito faz, enquanto a matéria corporal o retém. Esse embate gera os movimentos convulsivos.

Muitos outros casos poderíamos contar, mas nos estenderíamos além do necessário. São histórias que acredito sejam comuns nos Centros Espíritas devido ao despreparo de dirigentes e coordenadores a respeito da fenomenologia anímica e que acaba por engendrar mais sofrimento, como em uma senhora que conheci num seminário a qual tomava medicamentos psiquiátricos por causa de uma dupla vista que possui. No Centro Espírita fazia tratamento também, mas nem ela, apesar de espírita, nem qualquer outro, conseguia identificar que era possuidora de uma faculdade de emancipação da alma que pedia desenvolvimento e direcionamento.

Aprendamos com Allan Kardec e com o Espírito de Verdade: Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. (O Evangelho Segundo o Espiritismo). Muitas vezes, amamos, mas não conseguimos ajudar, pois nos falta a instrução.

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