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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2017

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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João, 10, 37 e 38: Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis. Mas se as faço, embora não me creiais a mim, crede nas obras; para que entendais e saibais que o Pai está em mim e eu no Pai. Jesus.

Cristão ou mesmo ateu, religioso ou sem adotar qualquer seguimento ou credo, certamente a vida de Jesus sempre impressionará a todos por sua atualidade e igual profundidade. Sua luta por se fazer entender não se limitava a batalhas linguísticas, a posturas estoicas ou a metáforas ininteligíveis; seu grande valor perante a humanidade se fez pela capacidade de ser compreendido, ainda que nem sempre em sua forma mais rica e profunda. Todavia, muitos de seus seguidores optaram por dizerem seguir-lhe os exemplos e exortações, mas sem saírem de seus casulos manifestamente primitivos e equivocados.

Apesar de essa ser uma espécie de marca cristã, a história da humanidade tem sido rica de repetições com o que ocorre no seio desta como de outras doutrinas e filosofias. Tem-se monumentais exemplos de grandiosidade moral entre fundadores e mestres, mas paralelamente surgem outros de muita pequenez advindos de seguidores e mesmo de “administradores” e continuadores desses baluartes.

Para quem é espírita, conhecedor que seja da base sobre a qual essa Doutrina foi constituída e construída, lógico seria de se esperar que nada disso viesse a acontecer com a continuidade de seu caminhar. A filosofia que O Livro dos Espíritos estabelece não aparenta deixar brechas para equívocos ou balanços de desequilíbrio; trata-se de uma base firme e inabalável. Se Jesus foi a força moral que todos conhecemos e louvamos, com Ele ainda dependíamos do que outros registrariam nas escritas e interpretações. No caso dessa obra básica, muito do que ali está não depende de comentários adicionais ou ajustes interpretativos, todavia a mente de alguns consegue fugir do cerne primordial para fazer valer o entendimento de um para que todos por ali se dirijam.

Todo esse raciocínio se aplica ao todo da Doutrina Espírita, mas a mim me parece que o mais gritante mesmo é o que se tem feito com três assuntos fundamentais: Jesus, nosso modelo e guia, não é vivido como se isso fosse verdade; a mediunidade, pontuada para ser nosso canal direto de investigação e avanço no terreno da ciência espírita, vem sendo tratada como se se cuidasse apenas de manifestações corriqueiras e sem fins maiores; e o Magnetismo, uma das maiores bênçãos oferecidas pela Vida Maior para que façamos as vezes do Consolador Prometido e que, ao que parece, foi abandonado de forma pouco feliz, bem nítida quando bate à nossa porta alguém necessitando de um algo mais, e que isso seja eficiente e positivo.

A quem culpar? A todos nós! Esta é uma resposta bem condizente com tudo o que vivemos, porém muito genérica para que alguém se aperceba de que é urgente mudar, e mudarmos muito; para melhor e para mais eficiência. O que fazer, então? Honestamente, não creio que ficar no silêncio ou na singela postura do “quem sou eu para mudar ou fazer alguma coisa a mais”, não irá abrir espaço para o que o Senhor espera de cada um.

Deveremos então realizar uma caça às bruxas, apontando impiedosamente quem está no comando das distorções? Certamente que não.

O que fazer, então?

Simplesmente fazer. Isso mesmo; FAZER. E se tomarmos os três pontos que elenquei acima, podemos, de imediato, pensar: o que faria Jesus em meu lugar? Esta pergunta deveria se apresentar em todos os momentos de dúvida, de agressão, de aborrecimento e de destempero que sofrermos; na continuidade, fazer exatamente o que a resposta indicou. E a pergunta poderia ser complementada ou substituída por esta outra: o que teria querido dizer Jesus quando pronunciou isto? E que a mente e o coração se unam para formar uma base equilibrada e nos posicionar em forma e atitude segura perante a Vida.

Para as questões atinentes à mediunidade, já podemos iniciar pensando que Espiritismo sem Espíritos falseia a própria base; Espíritos existirem, mas não poderem ser consultados equivaleria a professores que não se propusessem a esclarecer as dúvidas de seus alunos; equivaleria também a se dizer que o mestre Kardec errou na fórmula, posto que evocou e perguntou a mancheias; por fim, se podemos consultá-los, por que também não oferecer nossas respostas, nossas inquietações para que tudo se enquadre no padrão do esclarecimento que aperfeiçoa os seres?

Por fim, no que diz respeito ao Magnetismo, já faríamos bastante não cerceando o direito e o dever de se estudar e se aplicar o que for bem aprendido; contribuiríamos eficientemente se não desvirtuássemos as propostas de Allan Kardec e dos Espíritos Superiores acerca dessa Ciência; alavancaríamos os benefícios à humanidade levando adiante todas as experiências felizes dos antigos como dos novos magnetizadores, sem receio de que se venha a criar espíritos vaidosos ou competidores contra a Espiritualidade Benfeitora; enfim, com o resgate do Magnetismo, novas luzes se fariam para a busca de melhores conhecimentos e realizações com a mediunidade e com a vivência de Jesus em nossas vidas, não um Jesus que está há mais de 2000 anos no tempo, mas um Jesus que abraça, sorri, ajuda, ensina, orienta, inspira e cura.

Para sermos verdadeiros espíritas e merecermos a identificação como tais, sendo os homens de Bem – máxima proposta pelo Espiritismo – é urgente que, a exemplo do que disse Jesus na frase de abertura deste artigo, afirmemos, por nossos atos, pensamentos e ações, que Eu e o Pai somos um.

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