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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2017
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Estamos vivenciando atualmente um período de crise generalizada, em todos os aspectos, englobando fatores socioeconômicos, ecológicos e morais.

Como proceder diante de um mar revolto prestes a nos carregar? Como conservar a paz interior? Como suportar, com resignação, por exemplo, o desemprego e o atraso salarial? Como se defrontar, em equilíbrio, com a podridão moral que assola o nosso País? Como é difícil ser pacifista diante de tanta violência ao redor?

O que Jesus aconselha diante de tal deserto inundado de dor e aflições? Consultemos o Evangelho de Mateus, capítulo XXIV, versículos 16-18 “Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes. Quem estiver sobre o telhado de sua casa, não desça para retirar dela coisa alguma. E aquele que estiver no campo, não volte para pegar sua túnica”.

Não considerando a interpretação literal dos textos, constatamos sob à luz do espírito que o Mestre afirma, de forma simbólica, que, nesse momento, devemos permanecer “em cima” ou esforçar-se “para subir”, isto é, conservando ou buscando a comunhão com o Alto, mantendo a fé e a frequência vibratória a mais superior possível, como igualmente empenhando-se para se desapegar cada vez mais da busca incessante e desenfreada dos bens materiais em contraposição à conquista da paz interior. Em outra oportunidade já tinha o Cristo nos questionado que “não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as roupas?” (Mateus VI:25).

Vivenciando um momento tão angustiante, em nosso País e, igualmente, no mundo, lembramos da época do início do cristianismo, quando os adeptos de Jesus passaram por momentos tão difíceis, encerrados nos cárceres e até mesmo chegando ao ponto da morte do protomártir Estêvão e de outros cristãos por meio de pedradas.

Contudo, um sábio que se constituía como o mais importante rabino daquela época, chamado Gamaliel, neto do célebre Hilel, em sintonia com a espiritualidade superior, desapegado do poder temporal, livrou o discípulo Pedro e mais seguidores do Mestre da prisão (Atos dos Apóstolos V:34-39).

Dos lábios desse erudito judeu exteriorizou-se a preciosa argumentação de que “se os primitivos cristãos obravam através de Deus, seria inútil ir de encontro a eles” (Atos 5:39). Portanto, alguém que se encontrava no topo do poder demonstrava ser dotado das qualidades da tolerância e da pacificidade, de permeio ao zelo extremo das tradições judaicas.

BOX 1-      A marcante experiência mediúnica vivenciada por Paulo

Ao contrário de Gamaliel, que se encontrava harmonizado com o Alto, seu jovem discípulo, nascido em Tarso, cidade da Cilícia, pertencente à tribo de Benjamin, de nome Saulo, tornou-se inimigo dos cristãos, arvorando-se no direito vergonhoso de inquisidor religioso, em Jerusalém.

Ao mesmo tempo, não satisfeito ainda com a tenaz perseguição exercida na chamada “cidade santa”, Saulo resolve pedir cartas ao príncipe dos sacerdotes para as sinagogas de Damasco com o fim de prender os cristãos que se organizavam na província da Síria.

Na estrada, perto da cidade, repentinamente, uma luz brilhante cai sobre o ardoroso Saulo e seus companheiros, derrubando-os. De imediato, todos levantaram-se, exceto Saulo, desde que continuou prostrado por terra.

Uma voz, em língua hebraica, foi ouvida, dizendo: “Saulo, Saulo, por que me persegues? Respondeu ele: “Quem és tu, Senhor?” O destemido fariseu recebe a seguinte resposta: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça?” (Atos IX:4-6).

Portanto, um homem, arvorado no poder exercido com zelo feroz, passando por uma difícil tribulação, diante de tenaz adversidade, permanece contrito e, mesmo humilhado, revela pronta humildade, sentindo-se derrotado; porém, pronto para uma nova caminhada, procurando desvencilhar-se agora das algemas do orgulho, do egoísmo e das demais paixões inferiores.

Naquele momento, um ser começa uma nova trajetória de vida, não mais escravo da ansiosa solicitação pela vida, procurando despertar dentro de si aptidões, potencialidades, no decorrer do seu crescimento espiritual.

Saulo de Tarso, acossado pela dificuldade, resolveu seguir o caminho da fraternidade legítima com o Cristo, seguindo-lhe as excelsas pegadas, pegando no arado e não olhando para trás. Em um momento desfavorável, encarou o revés como um convite à transformação interior.

Quando tudo ao nosso derredor parece nos aniquilar, que possamos agir como o iniciado de Damasco, buscando o contato com o Alto, através da prece, dos puros pensamentos, do desejo de ajudar o próximo que está ao nosso lado, igualmente, vivenciando a aflição e, muitas vezes, o desespero.

BOX 2-  Senhor, que queres que façamos?

As respostas, revelando beleza poética, poderiam ser às contidas na Cantiga da Paz do espírito de Dolores Duran, letra psicografada pela médium Brunilde M. do Espírito Santo: “Fazer silêncio e esperar que volte a primavera na força da oração”? “Transformar o soluço em risos de esperança no amanhã que vem”? “O poder de transformar espinhos em flores perfumadas”? “Imitar a natureza que se desfaz em luz até o entardecer”?

Nos momentos de desespero, procuremos entrar em comunicação com Jesus, denominado de “Príncipe da Paz”, conforme profecia de Isaías (Cap. IX:6). Lembremos que, em seu Evangelho Redentor, consola toda a humanidade, dizendo: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não permitais que vosso coração se preocupe, nem vos deixeis amedrontar” (João XIV:27). “Neste mundo sofrereis tribulações; mas tende fé e coragem! Eu venci o mundo” (João XVI:33).

BOX 3- Transformação da humanidade a partir da comprovação da existência do espírito

Assim como aconteceu com Paulo, sendo balançado pelo fenômeno mediúnico, a humanidade, acreditamos, muito breve, receberá igualmente uma oportuna sacudidela: a descoberta do espírito pela ciência, quem sabe, através dos projetos “Aware” (Reino Unido e EUA) e “Cool Study” (Canadá), os quais poderão provar que a mente humana e a consciência podem realmente constituir uma entidade distinta e separada do cérebro, através das pesquisas com o fenômeno de quase-morte, quando, mesmo não existindo atividade cerebral, os pacientes apresentam percepções detalhadas que evidenciam a presença de um elevado nível de consciência.

No projeto Aware, os cientistas colocam, em prateleiras escondidas nos tetos dos centros cirúrgicos e de salas de reanimação cardiopulmonar de alguns hospitais, painéis, fotografias e objetos. Quanto à pesquisa Cool Study, o experimento consiste em projeções de imagens do alto para baixo em locais de cirurgias com indução de parada cardíaca. Em ambas as pesquisas serão creditadas as informações verídicas, presenciadas de cima para baixo, dos espíritos projetados fora do corpo físico, em aparente morte clínica.

Em “OESE”, cap. I-8, Kardec profetiza esse grande momento de libertação da raça humana, com a comprovação da presença do ser extrafísico imortal, clamando: “São chegados os tempos em que (...) a ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, deve levar em conta o elemento espiritual. O espaço que separa a ciência da espiritualidade é preenchido por um traço de união, o qual consiste no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal. Uma vez constatadas pela experiência essas relações, uma nova luz se fez: a fé se dirigiu à razão, esta nada encontrou de ilógico na fé, e o materialismo foi vencido”.

O saudoso e sempre lembrado Jorge Andréa dos Santos, afirmou, em um Congresso Mundial, em Portugal, que “a ciência descobrirá o espírito e, então, começará uma nova era para a humanidade”. Igualmente, Ernesto Bozzano, prevendo esse ilustre acontecimento, afirmou, na obra Fenômenos de Bilocação – Desdobramento: “Os fundamentos do saber humano passarão da concepção materialista do Universo à concepção espiritualista do ser, com as consequências filosóficas, sociais, morais e religiosas, que dela decorrem”.

Portanto, o momento da descoberta do espírito pela ciência está bem próximo, o que redundará, igualmente, para a humanidade, no descobrimento de um cientista francês, conhecido como Allan Kardec, o qual, no meado do século XIX, trouxe a lume um acervo notável e completo a respeito da existência do espírito.

Então, mediante ao clarão de luz da ciência comprovando a sobrevivência do ser após a morte física, surgirá, acima de tudo, a presença marcante de Jesus, o querido Mestre – maior exemplo da certeza da vida após a vida. Ele mesmo atestou a imortalidade, revelando a morte da morte, continuando a viver.

Com o descortinamento das pesquisas, a união da ciência se estabelecerá com o Evangelho do Cristo, com Kardec e com a codificação espírita, fundamentando com seus princípios básicos todas as crenças religiosas. Leon Denis, “Apóstolo do Espiritismo”, ciente, a priori, dessa magnificente circunstância, na sua obra No Invisível, no capítulo XI, Aplicação moral e frutos do Espiritismo, assim se expressou: “Ideia de que aos poucos as religiões do mundo irão agregar os conceitos fundamentais do Espiritismo. E que as religiões ficarão naturalmente tão parecidas, que não se fará mais a distinção entre uma e outra. Pouco importará a qual religião se siga. Haverá uma harmonia mundial em relação a conceitos sobre vida e espiritualidade. Todos unidos em concordância, em prol do Bem Universal”.

BOX 4- Surgimento do mundo de regeneração

Finalmente, com o decorrer da frutificação das religiões pelo espiritismo, o pensamento de Allan Kardec, no item 17, do capítulo XVIII de A Gênese – São Chegados os Tempos –, será confirmado: "A fraternidade será a pedra angular da nova ordem social; mas, não há fraternidade real, sólida, efetiva, senão assente em base inabalável e essa base é a fé, não a fé em tais ou tais dogmas particulares, que mudam com os tempos e os povos e que mutuamente se apedrejam, porquanto, anatematizando-se uns aos outros, alimentam o antagonismo, mas a fé nos princípios fundamentais que toda a gente pode aceitar e aceitará: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinito, a perpetuidade das relações entre os seres. Quando todos os homens estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos; de que esse Deus, soberanamente justo e bom, nada de injusto pode querer; que não dele, porém dos homens vem o mal, todos se considerarão filhos do mesmo Pai e se estenderão as mãos uns aos outros. Essa a fé que o Espiritismo faculta e que doravante será o eixo em torno do qual girará o gênero humano, quaisquer que sejam os cultos e as crenças particulares”.

“A paz é decorrente do bem que reinará na Terra quando, entre os Espíritos que a vêm habitar, os bons predominarem, porque, então, farão que aí reinem o amor e a justiça, fonte do bem e da felicidade. Por meio do progresso moral e praticando as leis de Deus é que o homem atrairá para a Terra os bons Espíritos e dela afastará os maus. Estes, porém, não a deixarão, senão quando daí estejam banidos o orgulho e o egoísmo” (Q. 1019 de “OLE”).

Portanto, que cultivemos profundamente a fé, mantendo-nos firmes e com esperança, mesmo nos acentuados instantes de aflição e desespero, desde que “após a tempestade surge a bonança”, sempre e cada vez mais.

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