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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2017
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As hoje tão faladas EQMs (experiência de quase-morte) não constam dos fenômenos de emancipação da alma catalogados por Allan Kardec. Talvez porque tais ocorrências fossem raras na época, já que os meios de ressuscitação hoje são muitas vezes mais avançados que no século XIX. A partir dos estudos do Dr. Raymond A. Moody Jr., expostos inicialmente no livro Life After Life (em português, Vida Depois da Vida) o mundo passou a observar melhor tais ocorrências. As EQMs estão relacionadas a determinadas vivências de sujeitos que passaram por situações que envolviam perigo ou quase morreram e que conseguiram retornar para contar as sensações e percepções experimentadas no limiar entre a vida e a morte.

Antes de escrever essa obra, o Dr. Raymond analisou e comparou cerca de 150 casos compostos de homens e mulheres americanos de variadas idades e condições sociais e intelectuais, impressionando-se com as semelhanças existentes entre os diversos relatos, apesar da dessemelhança entre as pessoas entrevistadas e a época que o fenômeno aconteceu para cada uma delas. O indivíduo entra em processo de morte clínica e no intervalo até o ressuscitamento vive uma série de circunstâncias que lhe marcam de tal forma a lhe alterar a conduta e o modo de ser e de pensar. Na maioria, desaparece o medo da morte diante da certeza da existência da alma e da sua continuação depois de cessada a vida orgânica. Depois de muitos anos, muitos deles ainda conseguem descrever todos os detalhes da experiência, de profundo envolvimento emocional.

Muitos relatam que tiveram uma experiência inefável que lhes deixou uma impressão de paz e bem-estar, viram-se fora do corpo, tiveram percepções auditivas e visuais relativas ao ambiente em que se encontravam como espírito ou então das pessoas e do local em que estava o seu corpo físico. Outros descrevem encontros com pessoas conhecidas e já mortas ou ainda com um ser superior, de luz, que lhe transmite orientações. A maioria diz ter passado pela experiência de rememoração que consiste em enxergar à sua frente, de forma panorâmica e extremamente rápida, todas as lembranças da sua vida desde a infância, ou pelo menos os trechos mais importantes, de forma detalhada e vívida, com cores, sons e movimento.

O Dr. Moody, como pioneiro nessa área, abriu caminho para muitos outros pesquisadores que de lá para cá foram acumulando uma quantidade cada vez maior de dados referentes a EQMs, estimulando a reflexão em torno do que acontece quando se morre ou quando há a aproximação da morte. Existe uma alma realmente como acreditam aquelas pessoas? As pesquisas parecem apontar na direção de uma resposta positiva, apesar do Dr. Raymond não afirmar de maneira direta.

Em todos os detalhes a Doutrina Espírita corrobora com as ideias expostas no livro do Dr. Raymond Moody Jr. com relação a todas as características e nuances que dizem respeito ao que se pode encontrar após a morte corporal. A distância entre o surgimento do Espiritismo e a publicação de Vida Depois da Vida é de quase 120 anos. Apesar do pesquisador, em respeito à ciência atual que solicita provas cabais de tudo, não afirmar a existência da alma e sua sobrevivência fora do corpo, foi de uma grande coragem da sua parte expor-se junto a um tema que é tabu para a Academia.

Há várias teorias que tentam explicar o fenômeno de quase-morte, mas o que podemos perceber é que todas elas deixam lacunas que não são preenchidas através de tais modelos. Se tomarmos a existência da alma como ponto de partida desses episódios, a alma nos seus momentos de emancipação, verificaremos que todos os pontos se ligam e se deduzem de um princípio geral que é a existência em nós de algo além da matéria e que tem a possibilidade de agir independentemente dos recursos físicos. Mais uma vez fica evidenciado que o pensamento não é produto das atividades cerebrais, pois que os sentidos paralisados, nulificados, com o indivíduo em morte clínica, não impedem que aquele exerça o seu papel para além do corpo, como atributo da alma.

Os fenômenos de quase-morte representam mais um recurso para o estudo da alma. Revelam-na a fim de podermos contemplá-la quase a “olhos nus”. Através deles a alma como que nos chama: - vem, estou aqui à mostra!

Muito a Humanidade ganhará quando se permitir explorar a alma que somos, ser objetivo, a fim de compreendê-la através de suas formas diversas de manifestação, em busca das reveladoras potencialidades e enigmáticos materiais guardados em escaninhos ocultos que esperam por desbravadores competentes e cautelosos de modo a extrair de seu interior as preciosidades ali depositadas ao longo de tantas existências vividas. Muitas doenças físicas e mentais decerto encontrarão melhor solução quando tivermos à disposição esses materiais anímicos recolhidos do interior do ser imortal e viajante de tantas eras em que semeou amores, alegrias, tristezas, decepções, por entre experiências e aprendizados, quedas e ascensões. É a história do próprio homem e da Humanidade num entrelaçamento formidável de vidas na direção consciente ou não da sublimação de si mesmo.

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