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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2017

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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       Entender a reencarnação em todos os seus matizes ainda é muito difícil, para não dizer impossível, no nível evolutivo em que nos encontramos. Todavia, podemos perceber que existem nuances muito além do mero processo reencarnatório consistindo em encarnação-aprendizado-desencarnação, mantendo-se este ciclo por um grande número de vezes.

       Em O Livro dos Espíritos encontra-se uma gama de informação que nos conduz à reconhecer a importância da reencarnação para o espírito. Contudo, é imperioso a análise detalhada de cada uma das perguntas e respostas relativas ao tema para um entendimento mais apurado daquilo que temos condições de compreender.

       Kardec pergunta, na questão 166, como pode a alma manter seu processo de depuração quando ainda não alcançou a perfeição, e obtém a seguinte resposta: “Sofrendo a prova de uma nova existência”1.

       Como a existência do espírito é única, isto é, não existe solução de continuidade, então, por “existência”, deve-se entender como experiência estando ligado ao corpo. Contudo, em O Livro dos Espíritos também encontramos que o encarnado é constituído de espírito, perispírito e corpo físico2. O perispírito, também denominado de corpo perispiritual, não deixa de ser um corpo na sua expressão mais básica, com o qual o espírito labora nos momentos de emancipação ou na erraticidade. Desta forma, podemos ampliar o conceito da encarnação para muito além da humanidade do planeta Terra.

       Os numerosos estágios de aprendizado do espírito ocorrem nos variados mundos, o que não é o mesmo que planetas, pois os locais onde os erráticos habitam também devem ser considerados como mundos específicos sendo, todos eles, em conformidade com o corpo com o qual o espírito se expressa.

       Assim, ao desencarnar na Terra, volta a se expressar com uma determinada condição, comumente referenciado como densidade, do seu corpo perispiritual. Este processo pode e deve ser interpretado como uma reencarnação.

       Toda desencarnação teria associada uma encarnação e vice-e-versa, em ato contínuo. Desta forma, pode-se interpretar a questão 166c (Pergunta: Parece resultar desse princípio que a alma, depois de haver deixado um corpo, toma outro, ou, então, que reencarna em novo corpo. E assim que se deve entender? Resposta: “Evidentemente”3) sob dois aspectos, ao mesmo tempo distintos e semelhantes.

       Uma interpretação conforme apresentado anteriormente, na qual, ao desencarnar, o espírito toma outro corpo para sua expressão na matéria, que, neste caso, é denominado no entendimento comum de perispírito. A outra interpretação, de senso comum, na qual o espírito, ao desencarnar, passa para a erraticidade, sendo referenciado como “desencarnado” para, no futuro, vir a encarnar em outro corpo na condição da matéria tal como conhecida na Terra.

       Diante do conceito da reencarnação, Kardec questiona sobre este processo em termos quantitativos, isto é, em número de encarnações, elaborando duas perguntas conforme consta em O Livro dos Espíritos, que são as questões 168 e 169, transcritas a seguir4,5:

 

168. É limitado o número das existências corporais, ou o Espírito reencarna perpetuamente?

“A cada nova existência, o Espírito dá um passo para diante na senda do progresso. Desde que se ache limpo de todas as impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida corporal.”

 

169. É invariável o número das encarnações para todos os Espíritos?

“Não; aquele que caminha depressa, a muitas provas se forra. Todavia, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porquanto o progresso é quase infinito.”

       Tem-se, então, que, na questão 168, não consta que o espírito não se encontra “encarnado”, sob qualquer aspecto, apenas diz que não necessita das provas e, certamente, de expiações4.

       Analisando a questão 169, verifica-se que, apesar do número de reencarnações não ser invariável, isto é, não é o mesmo para todos os espírito, é em número tão grande que as variações podem não ser significativas. Para exemplificar, podemos dizer que, em termos práticos, dez trilhões não seria muito diferente de dez trilhões e um mil5.

       Ainda, da mesmo questão 169, podemos inferir que um número de encarnações sucessivas não significa que, depois, o espírito estará “desencarnado”, mas que apenas não encarnará novamente em decorrência da perfeição que alcançou5.

       Muito ainda está por ser compreendido em sua extensão real, estamos apenas arranhando a superfície deste manancial de informação e ensinamentos. O trabalho é árduo, mas que seja prazeroso em descobertas.

 

Notas bibliográficas:

[1] Allan Kardec; O Livro dos Espíritos, questão 166.

[2] Idem, questão 93.

[3] Idem, questão 166c.

[4] Idem, questão 168.

[5] Idem, questão 169.

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