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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2017

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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       A ideia da existência de seres extraterrestres sempre fez parte do imaginário humano, sendo tema de numerosos filmes e livros, abordando tanto a vida em outros planetas quanto uma possível invasão da Terra.

       Este tema é de apelo tão forte que vê-se indícios da existência e da visita destes seres em diversas situações. Assim, muitos acreditam ver em desenhos deixados por antigas civilizações, em cavernas e construções, a representação de seres não-humanos, como se se tratasse de desenhistas, pintores e artistas de grande destreza e com material de alta qualidade disponível para a sua arte.

       Similarmente, durante anos se reconheceu, por muitos, em fotos disponibilizadas pelas agências de pesquisas espaciais, aquilo que consideravam como a escultura de um rosto na superfície de Marte, significando que seres extraterrestres a haviam esculpido.

       Com o avanço da tecnologia, os registros fotográficos foram se tornando cada vez mais nítidos em decorrência do aumento de resolução e constatou-se, sem sombra de dúvidas, que não se tratava de uma escultura, mas de uma elevação no relevo que dava a ilusão de um rosto.

       Outras situações, também interessantes, são as próprias construções antigas, tais como as pirâmides do Egito. Em decorrência da falta de conhecimento sobre a forma que foram construídas, acredita-se que tenham tido a contribuição de alienígenas. Contudo, recentemente foi divulgado na mídia que encontraram um documento datado de cerca de 4500 anos, o mais antigo já encontrado, que descreve a forma como os grandes blocos de pedra foram transportados e montados. Vários cientistas trabalham na reprodução desta tarefa com a tecnologia disponível na época [1].

       Outros exemplos são Stonehenge, na Inglaterra, com seus monumentos de pedra, e a Ilha de Páscoa com grandes figuras, também em pedra, os "moais".

       Um ponto muito interessante e instigante é que facilmente construímos e estruturamos toda uma teoria sobre extraterrestres, com riqueza de detalhes, contudo, ainda não conseguimos nos conceber como espíritos. Infelizmente não somos capazes de abrir mão da imaginação, mesmo com toda a riqueza e realidade do mundo espiritual.

       Deixando a imaginação e a fantasia de lado, utilizando a informação disponibilizada pela Doutrina Espírita, se quisermos ver um extraterrestre, basta olharmos no espelho e nos reconhecermos como espíritos. Somos seres espirituais, navegantes de um Universo sem fim, muito além deste pequeno universo conhecido [2]. Isto fica muito claro no seguimento de resposta à uma pergunta de Kardec aos espíritos: “É possível que já tenhais vivido algures e na Terra” [3].

       Nos considerando como os verdadeiros viajantes do espaço, cujo translado, nos estágios mais básicos, é realizado através do processo reencarnatório, estaremos em condições de conduzirmos a própria evolução de forma consciente, senhor das próprias decisões e, consequentemente, capazes de avaliar as suas consequências. Ao atingirmos esta condição, não mais consideraremos os eventos desagradáveis comuns na vida de encarnados em um mundo da categoria do planeta Terra como acidentes ao má sorte.

       O ponto principal de uma abordagem consciente dos processos evolvidos na encarnação em diferentes mundos está na própria hierarquia destes mundos. É preciso considerar que as experiências vivenciadas pelo espírito em sua longa jornada visa, obviamente, a possibilidade de trabalho, mas, também, o aprendizado, especialmente nos níveis evolutivos mais baixos.

       Considerando que a Terra está entre os mundos "mais materiais e das mais distantes da perfeição” [4], podemos, desta forma, nos considerar como espíritos compatíveis com os níveis mais baixos. Desta forma, ao sermos informados de que habitamos um mundo dos mais distantes da perfeição, não somente precisamos, mas se torna imperioso nos ocuparmos com a realidade espiritual do ser, ficando os produtos de imaginação apenas para fins de entretenimento.

       Apesar do espírito não retrogradar, isto é, não perder as suas conquistas morais e intelectuais, a expressão em mundos materiais que se encontram em condições mais difíceis que a Terra é uma possibilidade que dependerá da estagnação da sua condição evolutiva. Isso fica bem claro na seguinte colocação dos espíritos responsáveis pela Codificação Espírita: “se não progredistes, podereis ir para outro mundo que não valha mais do que a Terra e que talvez até seja pior do que ela” [5].

       Jesus apontou o caminho a seguir com seus ensinamentos, demostrando nossa forma equivocada de pensar e a Doutrina Espírita complementa com uma linguagem mais atual.


Notas bibliográficas:

[1] Revista Superinteressante, https://super.abril.com.br/historia/encontrado-papiro-que-descreve-a-construcao-da-grande-piramide-do-egito/

[2] Claudio C. Conti; Jornal Correio Espírita; Espaço Universal; Agosto de 2014.

[3] Allan Kardec; O Livro dos Espíritos, questão 173b.

[4] Idem; questão 172.

[5] Idem; questão 174.

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