pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2017

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

Compartilhar -

       A relação entre mente e corpo físico – mais especificamente o cérebro – pode ser observada de algumas formas, o que fornece material para a compreensão da perturbação experienciada pelo espírito no evento da desencarnação, momento em que ocorre a separação entre espírito e corpo na sua totalidade, incluindo a separação entre a mente e o cérebro.

       O ponto de partida para a compreensão de processos como este que trata o texto é o fato da mente ser composta por regiões distintas, apesar da interação inerente entre essas partes. Esta compartimentação da mente humana estabelece uma grande complexidade. Na mente se encontram, por exemplo, regiões denominadas de “inconscientes”, o que significa dizer que não apresentam um acesso direto pelo espírito. Todavia, não são isoladas e exercem influência sobre as decisões e o comportamento na encarnação. Como premissa básica, espíritos compatíveis com um mundo de expiações e provas podem ser considerados muito mais inconscientes do que conscientes. Isto se deve ao fato de acessarmos intencional e conscientemente uma pequena parcela da totalidade da mente, ou seja, os processos mentais conscientes e que não estão isolados da totalidade da psique.

       Durante a encarnação, o comportamento do espírito sofre grande influência do meio em que vive, contudo, não podemos dizer que este comportamento reflete sua forma mais básica de ser. O meio serve para propiciar experiências necessárias para sua transformação.

       Um importante ponto a salientar é que a busca daquilo que poderemos chamar de unificação das diferentes regiões da estrutura psíquica (a denominação correta é “individuação”) deve ser o objetivo do espírito para avançar no seu progresso espiritual.

        O espírito Joanna de Ângelis diz que, por individuação, entende-se “...todo um processo intrapsíquico duradouro e autônomo, através do qual a psique consciente assimila os conteúdos que permaneciam inconscientes na imensa área do inconsciente pessoal e coletivo…” [1] e que “a busca da individuação constitui o grande desafio existencial…” [2].

       Para o encarnado, a totalidade do ser, constituído de espírito, perispírito e corpo físico, o elo entre essas três componentes ainda é o pensamento, o qual estabelece um sistema de relações muito além do conhecido e que poderão ser benéficas ou perniciosas, dependendo do teor do processo mental envolvido e daqueles processos mais frequentes. As ligações perniciosas são as responsáveis pelo aprisionamento do espírito em processos expiatórios, que poderão variar de intensidade e duração, dependendo da gravidade e da permanência do espírito na condição mental equivocada.

       Como dito no início do texto, a relação entre mente e corpo físico pode ser observada em alguns processos, dentre eles, o sono e os sonhos. Nos momentos de emancipação da alma, o espírito obra, visita locais, encontra outros espíritos, contudo, ao despertar, não tem lembrança, quando muito, uma certa lembrança se apresenta na forma de sonhos.

       Podemos considerar que, para o espírito exercer qualquer atividade, seja qual for, é necessário o processamento de informação, assim, se não é processado no denominado “consciente”, o deverá ser no denominado “inconsciente”. Assim, podemos conceber que o estado da região como “consciente" e “inconsciente” depende da situação, isto é, da ligação com o cérebro físico.

       É possível, portanto, considerar que o estado de perturbação vivenciado pelo espírito por ocasião da desencarnação está relacionado com a reorganização das diversas regiões da mente na relação consciente-inconsciente.

       Quanto mais elevado ou, em outras palavras, quanto mais houver assimilados os conteúdos do inconsciente, mais facilmente se processará a reorganização das regiões da mente e, com isso, menor a duração da perturbação na desencarnação e, certamente, mais suave [3].

       O que significa esta perturbação é muito bem explicada por Kardec: Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso. De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento de si mesma. Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar, e à medida que se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos” [4].

       

Notas bibliográficas:

[1] Divaldo Franco (Joanna de Ângelis); Triunfo Pessoal; Cap. 11.

[2] Idem; pg. 180.

[3] Allan Kardec; O Livro dos Espíritos; Questão 164.

[4] Idem; Comentário à questão 165.

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado