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Artigo do Jornal: Jornal Março 2018

Sobre o autor

Djalma Santos

Djalma Santos

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Doutrinando através do seu Evangelho de amor, Jesus disse o seguinte a respeito da paz: “A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou; não só a dou como o mundo também a dá, creiam em Deus e também em mim”. Tempos depois, o Apóstolo Paulo, um dos maiores seguidores de Jesus de todos os tempos, afirma em uma de suas Cartas aos Gentios: “Busquem a paz e sigam-na”. É interessante observar que Jesus fala de uma paz interna que ele daria aos seus seguidores, mas ao mesmo tempo, diz que a paz pode ser encontrada no mundo, ou seja, nas experiências diárias, ou seja: dentro do lar, no trabalho, no sorriso de uma criança, num trabalho concluído com êxito, na educação dos filhos, nas reuniões familiares, enfim, é um estado da alma cumpridora dos seus deveres. Por outro lado, o Apóstolo Paulo utiliza de dois verbos fortes para definir a paz: o verbo buscar, que significa procurar com fé, coragem e determinação, e o verbo seguir, que não é de caminhar e sim de manter, segurar, não deixar que ela escape.

Quase todas as pessoas conseguem de algum modo estabelecer a paz, mas são poucos os que conseguem mantê-la, porque a manutenção da paz exige uma vigilância constante, um trabalho profundo no campo mental, a fim de descartar todo o tipo de exercício que possa perturbar a paz, começando com as atividades dentro do próprio lar, de onde certamente deve partir a paz. É muito difícil falar sobre a paz sem mencionar a política, a indústria bélica, a prepotência, o autoritarismo, a discriminação racial e social, a pobreza, e outras nuances mediadoras do comportamento vigente, em um povo ou uma nação. A paz requer uma reflexão sublime de introspecção, modelando o pensamento humano para esse sentimento íntimo da alma imortal.

A paz é uma vitória individual, passível de ser alcançada, com a superação de uma mentalidade vulnerável, a preconceitos e individualismo exacerbado, e isso se observa em pessoas que lidam com criminosos, rotulando-os como seres vis, sem condições de recuperação, nivelando o comportamento muitas vezes ao do infrator. Temos que ter a concepção de que todos que aqui vivem passam por dificuldades, e que estas, muitas vezes, dificultam as perspectivas da felicidade, que em síntese todos procuram não só a felicidade como também a paz, e é exatamente por isso que a humanização dos julgamentos dos outros é essencial para que exista uma justiça verdadeira e equilibrada.

A amizade e o respeito pelo próximo simbolizam ensinamentos fundamentais para o progresso harmônico das relações humanas, pois conseguimos enxergar o próximo como alguém para compartilhar momentos de paz conosco, fugindo da arena de competidores, solitários e desventurados. Quem controla os próprios pensamentos e sentimentos consegue agir com zelo e calma, aguardando sempre as surpresas do tempo, a fim de solucionar muitas vezes problemas intrincados, que se enfrentados com pressa, certamente geraria desequilíbrio, e consequentemente a perda da paz.

A paz pode ser definida como sendo um Sol teimoso, uma chama que ilumina e se faz sentir; um estado da alma iluminado, um sopro divino sobre o nosso coração, ainda enfraquecido pelos vícios, desejos e paixões, mas que em determinados momentos, se reveste de luz, de serenidade e tolerância, estabelecendo a verdadeira paz. Todos os homens desejam a paz, entretanto estão confusos, porque talvez não estejam preparados para os melhores dias da vida; talvez tenham medo de sair do mundo acanhado das contradições, de desfazer das carrancas infelizes, e esboçar um sorriso aberto para o mundo.

A paz real, aquela que todo mundo deseja, precisa ter cor, ter vida, mais cores que o arco-íris, demonstrando que esse estado íntimo da alma deve aflorar para fora, e transmutar no corpo físico, através do semblante leve, suave, harmonioso, passando para as pessoas com quem lidamos a segurança da vida, mesmo que estejamos passando por problemas difíceis, mas anda assim, a nossa paz deve se exsudar para fora de nós, estabelecendo caridade, solidariedade e compartilhamento. A paz não dever ser vista como um pano branco sem cor, mas como algo colorido que valoriza homem e o leva ao encontro do seu criador, mesmo que isso leve milênios, e certamente levará, mas é muito mais fácil seguir em paz até a hora em que, obrigatoriamente, teremos que atravessar as águas enigmáticas do rio da morte.

Sem a paz o homem não consegue evoluir, avançar no seu progresso e alcançar a felicidade que tanto procura, e por isso, a busca da paz se faz preponderante, mesmo se a buscarmos de forma estranha, que muitas vezes causa dor, sofrimento e aflição, porque o importante é não esmorecer, não se entregar a preguiça, a inércia ou comodismo, mas empreender uma luta titânica e contínua pela busca da paz, como sendo a única maneira de sermos felizes aqui no Planeta Terra, e do outro lado da vida.

A paz é um misto de amizade, de confiança, de harmonia, de fraternidade, enfim, de amor, que se espalha com intensidade, quando o vento da boa vontade, da ética e da certeza do cumprimento do dever se coloca à frente dos interesses mesquinhos, das refregas, das lutas e das guerras, que só fazem rebaixar o homem à condição de animal selvagem, fazendo-o sofrer, e o pior, fazendo os outros sofrerem. A paz reside principalmente na ação do trabalho, quando realizado em benefício dos outros, quando é voluntário em favor dos mais necessitados, desaguando num retorno maravilhoso a nosso favor, tanto isso é verdade que, o espírito Emmanuel, líder do Francisco Cândido Xavier, diz no livro Fonte Viva: Quando conseguires plantar a paz, a alegria e a felicidade, nos corações daqueles que te cercam, A paz te buscará, onde quer que você esteja, aqui ou no além, a fim de implantar em definitivo, a tua suprema ventura.

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