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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2018

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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— Nossa! Tão jovem e tão doente!

Com frases assim costumamos encontrar espantos quase blasfemadores contra a realidade da vida.

Não; não é bom adoecer, mas as consequências, muitas vezes, são milagrosas. Preguiçosos saem do comodismo, impetuosos assumem a necessidade de mais moderação; desrespeitadores dos limites começam a se conter e gente brava parece descobrir a força da humildade.

Num outro aspecto, criaturas quase refratárias a médicos e medicamentos repensam seus pensares e buscam pelos atendimentos salvadores. Um outro grupo, formado por descrentes do invisível ou crentes desde que “eles”, os invisíveis, façam tudo, sentem revirarem as próprias entranhas na busca de uma fé que estava em desuso há bom tempo.

Nesse conjunto de situações, as enfermidades terminam propiciando renovações interiores, conduzindo os enfermos às saídas ou vitórias contra algo muito ruim ou muito desconcertante.

Todavia, complica-se muito a situação em si quando determinada enfermidade ou tal ou qual enfermo não recebe da Medicina os resultados buscados. Roda-se, vira-se e revira-se na cata de soluções, enquanto o mal vai se alastrando e alcançando níveis insuportáveis e prognósticos indesejáveis.

Analisando apenas uma pequena parcela desse cenário, costuma ser nesses momentos mais cruciais que um bom número de enfermos ou de seus enviados chega numa Casa que ofereça o Magnetismo como terapia. E chegam desconfiados, um tanto quanto descrentes e, em casos mais específicos, escondidos de amigos, familiares, da sociedade religiosa a que se filia e, se pudessem, de si mesmos. Temem algo que desconhecem e sobre o qual o mundo sempre há projetado sombras no lugar da luz. E pensam; e dizem: “esta é minha última esperança!”.

Há quem vaticine que sem fé nada acontece, portanto, essas pessoas precisam ser por ela tocadas para poderem alcançar o que buscam. Se isso fosse verdade absoluta, jamais veríamos pessoas descrentes vencerem suas mazelas. A fé é elemento de grande valor, um fator poderoso na equação dos bons resultados, mas a descrença não corporifica um zero no denominador; mesmo sem ela, muita gente obtém excelentes resultados. Portanto, outros fatores precisariam ser considerados a fim de se manter a esperança dos resultados. Todavia, o que é a fé? — No próprio Evangelho há uma importante reflexão dizendo haver fé humana e Divina (cap. XIX, item 12). Então olvidamos que muitos, quando dizem não ter fé, é que perderam ou não cultivaram-na no nível Divino, mas isso não anula a fé humana. E é esta que faz com que essas pessoas cheguem na busca da solução através de meios que não acreditam possíveis.

Mas quando o mesmo O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo 19, conjuga a fé com o Magnetismo, parece ressaltar que poderemos nele repousar nossos entendimentos. Senão relembremos:

No item 2. A fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos que fazem se vençam os obstáculos, assim nas pequenas coisas, que nas grandes.

No item 3. entende-se como fé a confiança que se tem na realização de uma coisa, a certeza de atingir determinado fim. Ela dá uma espécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de chegar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com absoluta segurança. Num como noutro caso, pode ela dar lugar a que se executem grandes coisas.

No item 5. O poder da fé se demonstra, de modo direto e especial, na ação magnética; por seu intermédio, o homem atua sobre o fluido, agente universal, modifica-lhe as qualidades e lhe dá uma impulsão por assim dizer irresistível.

No item 7. A resistência do incrédulo, devemos convir, muitas vezes provém menos dele do que da maneira por que lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer.

No item 12. O Magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé posta em ação. É pela fé que ele cura e produz esses fenômenos singulares, qualificados outrora de milagres.

Repito: a fé é humana e divina. Se todos os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem, e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o que, até hoje, eles chamaram prodígios e que, no entanto, não passa de um desenvolvimento das faculdades humanas.

Cabe a quem se propõem a atender a quem necessita de ajuda, não questionar muito se tem ou que tipo de fé possui. Empregue-se o próprio magnetismo, dando espaço para que o amor se enterneça nessa criatura, a fé se contagie e a esperança se amplie. E se a tudo isso for juntado o conhecimento do Magnetismo, as ações serão ainda mais ricas e felizes; tenhamos fé nisso!

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