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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2018

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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       A base para qualquer estudo espírita é a Lei conforme apresentada por Jesus: amar ao próximo como a si mesmo. Ao se tratar de família e parentela, esta Lei se torna muito mais importante para o entendimento. Importa ressaltar que Jesus salientou que a “amar ao próximo”, como segundo mandamento, é semelhante ao “amar a Deus sobre todas as coisas”, o primeiro mandamento [1].

       Esta semelhança – ou equivalência – dos mandamentos deve ser interpretada como um sistema de relação no qual não é possível amar ao Pai sem amar os seus filhos, pois estes não deixam de ser uma expressão do Seu amor. Em contrapartida, também não é possível amar os filhos sem amar o Pai, mesmo que não se acredite na existência de Deus.

       Em outras palavras, o amor a Deus, na nossa condição evolutiva, está diretamente relacionado com o comportamento perante os semelhantes.

       A humanidade se divide em dois grandes grupos: materialistas e espiritualistas.

       Para os materialistas tudo termina com a morte, enquanto que, os espiritualistas creem na sobrevivência de algo.

       O grupo dos espiritualistas pode ser dividido em dois subgrupos: 1) Aquele para o qual a alma é criada juntamente com o corpo, podendo haver a ressuscitação ou não e; 2) Aquele para o qual a alma pré-existe e sobrevive ao corpo, podendo haver reencarnação ou transferência da consciência.

       Algumas questões necessitam de esclarecimentos: 1) Ateus não são, necessariamente, materialistas; 2) Ateus e materialistas podem amar o próximo e; 3) Teístas não necessariamente amam o próximo e, nestes casos, também não amam a Deus, mesmo que acreditem o contrário.

       Desta forma, o ponto principal é a necessidade de amar ao próximo.

       O encarnado é formado, por assim dizer, de duas componentes: uma espiritual e outra material. A componente espiritual, o espírito propriamente dito, é de origem Divina, uma Criação de Deus [2]. A componente material, o corpo, é decorrente de processos biológicos iniciados com a interação dos componentes materiais de duas células: um espermatozóide e um óvulo [3]. O corpo, portanto, é decorrente das leis físicas e químicas do planeta, obedecendo, neste caso, os processo relacionados com a genética.

       Desta forma, é preciso considerar que, além de Deus ser único, a Criação de cada espírito ocorre uma única vez, contudo, cada encarnação conta com um corpo diferente, em locais e condições diversas. Deve-se, portanto, considerar que o parentesco material nas várias encarnações é variado.

       Ao longo das encarnações, o espírito troca experiências com diversos outros espíritos e, neste processo, amizades vão se formando, umas mais fortes e outras mais superficiais em decorrência da ocasião e interesses comuns. Dentre as amizades mais fortes, há aquelas que são especiais e profundas e, nestes casos, se formam as “famílias espirituais”, nas quais a união é mantida pelo afeto.

       Assim, a família corporal compartilha características materiais, enquanto que a família espiritual compartilha o amor. Importa ressaltar que a família corporal pode ser constituída, mesmo que parcialmente, de integrantes da família espiritual.

       Em uma colocação sobre o tema, Kardec diz que "não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações”[4].

       Diante do que foi apresentado, a pergunta que fica é: como considerar a família material?

       Fénelon, um dos espíritos responsáveis pela Codificação Kardequiana, em um dos seus esclarecimentos, apresenta uma interpretação importante para o entendimento do tema: “Disse Jesus: ‘Amai o vosso próximo como a vós mesmos’. Ora, qual o limite com relação ao próximo? Será a família, a seita, a nação? Não; é a Humanidade inteira” [5].

       Tendo a humanidade inteira, o que inclui encarnados e desencarnados, deste e de outros orbes, como o nosso próximo e, por isso, amá-los, é preciso uma forma de exercitar o amor.

       Espíritos compatíveis com a condição de expiações e provas têm, como característica principal, o vício mais radical, que é o egoísmo [6]. Por isso, o conceito de um amor amplo e irrestrito, abrangendo tanto os conhecidos quanto os desconhecidos, ainda é impossível, apesar de nossa origem estar relacionada com este tipo de amor.

       O homem comum somente pode elaborar pensamentos comportamentais correlacionando ao que lhe é conhecido. Neste aspecto, é preciso de referência, no caso, o corpo material, para, através da convivência, aprendermos a amar outros seres e reconhecer neles que todos têm dificuldades e que necessitam de auxílio e respeito.

       Assim, podemos estabelecer que a resposta para a pergunta “como considerar a parentela material?” deve ser: a família material deve ser considerada como a ferramenta para o desenvolvimento do amor incondicional, que deverá abranger a humanidade inteira.

 

Notas bibliográficas:


1. Allan Kardec; O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XI.

2. ___; O Livro dos Espíritos, questão 77.

3. Idem; questão 203.

4. ___; O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIV.

5. Idem; Cap. XI.

6.  ___; O Livro dos Espíritos, questão 913.

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