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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2018

Sobre o autor

Djalma Santos

Djalma Santos

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               Talvez um dos problemas mais intrincados que são tratados pela Doutrina Espírita seja a obsessão, devido à etiologia complexa que envolve a alienação mental, provocando terríveis dores, sofrimentos e aflições. Sabemos que a morte não significa o fim da vida, e sim início de uma nova experiência, uma nova expressão de comportamento, em que o espírito imortal, esse viajor incansável da eternidade, retorna ao mundo espiritual de onde veio, ocorrendo apenas a libertação da consciência, que jazia agrilhoada ao corpo carnal, ora desarticulando, ora ampliando as percepções sensoriais que se fixaram nos painéis da mente humana.

                Os dicionários da literatura brasileira definem a obsessão como sendo mania de perseguição, intuito de vingança ou pressão mental de um espírito sobre o outro, prevalecendo, é claro, o poder que cada um detém dentro das faixas vibratórias físicas ou espirituais. Estudos mais recentes, no entanto, esclarecem que na realidade o que ocorre é uma “simbiose espiritual”, ou seja, uma associação de hábitos, tendências e pendores, ligadas magneticamente aos vícios, desejos e paixões, o que nos leva a entender que se estabelece uma “parceria” entre obsessor e vítima, às vezes consciente ou inconsciente.

                O ódio, rancor e ressentimento, carregam todo um séquito de paixões decorrentes do egoísmo e do orgulho, reatando grilhões que romperam com a morte física, e que foram motivo direto ou indireto das aflições e angústias, guardadas a setes chaves no inconsciente das vítimas do passado, dando margem a que entidades perversas possam se aproximar sutilmente, iniciando um delicado processo de hipnose, tornando-se muitas vezes hóspedes indesejáveis que encontram guarita nas possíveis vítimas, que de alguma forma oferecem os meios para que se inicie um processo de obsessão.

                Muitas vezes, o processo obsessivo é agressivo e violento, em que a indução magnética desorganiza os registros mentais da alma encarnada, produzindo um doloroso domínio, que com o tempo pode se transformar em subjugação de longo curso; e em outras ocasiões, inspira sentimentos nefastos, atormentando o paciente desavisado, imprimindo na vítima um baixo teor vibratório, produzindo variadas distonias físicas e mentais, escravizando de alguma forma quem estiver sob o jugo dessas entidades perversas do mundo mental.

                Desse modo, podemos afirmar que quase todos nós, em trânsito pelas faixas de fixações tormentosas do passado, buscamos as sintonias superiores da vida, e quase sempre esbarramos no nosso passado comprometido, e só mesmo a reparação desses erros pode nos dar condições de enfrentar esses algozes do espaço de cabeça erguida, e até mesmo auxiliá-los dentro do possível. Obsessão e obsidiados são as grandes feridas morais do mundo atual, e a Doutrina Espírita é o portal de luz por onde todos transitaremos no rumo da felicidade real, que nos aguarda quando temos o real desejo de alcança-la.

                O obsessor que persegue nem sempre é um inimigo real, e sim muitas vezes vítima de si mesmo, principalmente quando é teleconduzido por obsessores que dele se utilizam. O viciado em drogas, álcool, fumo ou sexo, e que se acumplicia cada mais com o erro, pode ser alguém que caiu em hábil trama urdida por desencarnados impiedosos, que dele se utilizam em hospedagem lamentável. O mentiroso, o egoísta, o avarento, possivelmente fracassou porque não lutou contra a hipnose sutil, e se fez paciente e parceiro, em conúbio com infelizes habitantes do astral inferior, tornando-se escravo de mentes poderosas, que comandam escusos processos de obsessão dominadora.

                O imenso contingente de criaturas humanas transita fortemente vinculada à vasta população espiritual, desde as zonas mais grosseiras e próximas da Terra até ao local onde nos encontramos em experiências no campo da reencarnação, trazendo conosco uma espécie de caixa preta onde estão guardadas nossas vivências no campo da carne e do espírito, que muitas vezes se afloram por automatismo sem que possamos perceber, e por isso é muito importante que estejamos sempre atentos, cultivando a prece, o silêncio e o recolhimento, como também o culto no lar, que é uma terapia maravilhosa de proteção à nossa asa física e mental.

                Diz um ditado chinês com muita sabedoria: “Nada poderá lhe acontecer se você não quiser”, o que representa uma grande verdade, porque temos o direito de utilizar do livre-arbítrio, realizando nossas escolhas com sabedoria, com retidão, com transparência e ética, evitando cometer pequenas faltas, que é por onde tudo começa, e nos ajustando ao Evangelho de Jesus, e aos conceitos da Doutrina Espírita, levando um vida simples e humilde; convivendo pacificamente com nossos irmãos de luta, sem se preocupar com o futuro e esquecendo o passado, ou seja, vivendo o aqui e agora, o presente, preparando para um futuro glorioso que nos espera, quando atravessarmos as águas enigmáticas do rio da morte.

               A cura da obsessão depende mais da vítima do que de pessoas ou Instituições, porque mesmo que se o obsidiado tiver toda a proteção de tudo e de todos, se mudar hábitos, tendências, pendores; se não se afastar dos vícios, desejos e paixões, dificilmente se afastará dos obsessores, que na realidade só estão presentes porque existe irregularidade no comportamento da vítima, que ao se melhorar mentalmente acaba melhorando o obsessor que o oprime, e é exatamente por isso que um trabalho de cura de obsessão deve ser destinado em benefício dos dois, obsessor e vítima. Com o obsessor realiza-se uma sessão mediúnica, que se possível o algoz se imanta a um médium, e cabe aos doutrinadores a tarefa de orientar as entidades imperfeitas de que o melhor é seguir os conselhos constantes do Evangelho de Jesus, e da Doutrina Espírita.

                Voltamos a dizer que se não houver uma mudança de comportamento, com a ausência dos vícios, desejos e paixões, dificilmente o tratamento para curar a obsessão terá resultado positivo, porque saindo uns, outros espíritos virão, atraídos pelas viciações que ainda permanecem, dificultando o trabalho de caridade que se realiza nas Casas Espíritas. O hábito da oração, do silêncio, do recolhimento e do Culto no Lar, são antídotos indiscutíveis para a cura da obsessão, assim como a leitura de livros espiritualistas, a audição de músicas clássicas suaves que enobrecem a alma. Mas a parte mais importante anda é o trabalho, principalmente quando é realizado em benefício dos outros, formando laços de amizade e fraternidade que vão nos acompanhar depois da morte, do outro lado da vida.

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