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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2018

Sobre o autor

Iris Sinoti

Iris Sinoti

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Somos mulheres e homens encarnados em um momento de extrema ebulição planetária, no qual mudanças ocorrem a cada segundo. Muitas das coisas que aprendemos como certas quando crianças já não são mais verdades, até Plutão deixou de ser planeta, mas é claro que foram muitos ganhos também no decorrer dessas tantas mudanças, e um deles foi o avanço da medicina, que dentre outras conquistas nos proporcionou um significativo aumento na expectativa de vida.

Talvez resida justamente aí um detalhe que devemos observar: ganhamos em média 30 anos a mais de vida, mas o que estamos fazendo com eles? O medo de morrer permanece e nos agarramos à possibilidade de envelhecermos para adiarmos o inevitável, pois gastamos os nossos 30 anos de bônus tentando evitar o inevitável. Como afirma C.G. Jung: “Porque na hora secreta do meio-dia da vida [...] nasce a morte [...]. A ascensão e o declínio formam uma única curva”. Fugimos da morte e esquecemos a vida, o que estamos ganhando afinal?

O culto à ‘beleza e juventude’ valoriza muito pouco ou quase nada a velhice, e não podemos esquecer que “envelhecer” em uma sociedade materialista é ser colocado como sucata, pois o que não é jovem, belo e produtivo não serve... Se os anos de experiência e a sabedoria que os anos a mais de vida deveriam nos acrescentar não têm valor, o que realmente tem valor?

É preciso tempo para entender as coisas, é preciso tempo para que os acontecimentos da vida sejam transformados em valiosas experiências e em sabedoria, e sem dúvida alguma o tempo é realmente valioso. Na era da ansiedade o tempo para viver as experiências se torna escasso, afinal é preciso estar fazendo sempre alguma coisa, pois “tempo é dinheiro” na ótica materialista! Tudo termina girando em torno dele, o que é lamentável.

Mesmo nós espíritas e convictos dos verdadeiros valores e da verdadeira vida (será?), ainda assim nos preocupamos além do necessário com o valor do “dinheiro” e vendemos tempo da nossa vida e compramos o tempo da vida de outras pessoas na ânsia desenfreada para possuirmos coisas, que em muitos momentos nos possuirão. A grande verdade que já sabemos é que não se compra tempo, e é uma ilusão acharmos que podemos “perder tempo” com o que não colabora com a evolução e depois comprar esse tempo de volta antes de morrer.

Não podemos deixar a vida para depois. Ela acontece agora, nesse exato momento!

Quanta vida pode ser desperdiçada fazendo exatamente o contrário das recomendações de Jesus: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam1”. O que se pode perceber é que muitas pessoas dedicam suas vidas para garantir um futuro melhor para si e para os seus, e muitas vezes desencarnam e não conseguem gastar tudo o que juntaram, deixando apenas como herança o dinheiro, nada além de uma ausência de convivência com os seus; o lamentável é que muitas vezes só se percebe isso tarde demais.

Estranho nos considerarmos realmente seres humanos modernos, enquanto acumulamos tantas coisas, pois em sociedades da era primitiva da humanidade se alguém guardasse víveres além do necessário, enquanto seus companheiros passassem fome, seria entregue aos cuidados do chefe da tribo como doente. Será que nos damos conta que adoecemos por deixarmos de viver? Que estamos perdendo muito tentando ganhar tão pouco?

Como nos lembra a Mentora Joanna de Ângelis2: “Os recursos são para o homem utilizá-los, em vez deste se lhes tornar servil...”. Talvez já não estejamos nos dando conta que, ao adiarmos o momento presente, não participamos plenamente da nossa vida; “perdemos” muito com essa escolha, comprometendo a conquista da felicidade, porquanto é impossível obtê-la se a nossa vida não tiver um sentido que vá além dos desejos do ego.

Não teremos tudo o que queremos, mas muito provavelmente tenhamos tudo o que precisamos para o nosso crescimento e evolução nesse planeta em efervescência.  

 


1 Mateus 6:19

2 O Homem Integral, cap. 6

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