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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2018

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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Todo aluno sabe que precisa estudar, mas são poucos os que o fazem por livre vontade. Sabem igualmente que o ideal é fazer as tarefas no mesmo dia em que foram passadas, porém o hábito do deixar para a última hora tem muita força ainda; pior que isso implica em mais dificuldades para o aprendizado tanto como para resolver as questões.

Postergar ou deixar de lado o que é bom e, de certa forma, inadiável, tem um custo alto e o preço a ser pago nem sempre deixa margens para boas negociações futuras. Isso vale para quase tudo na vida, especialmente quando se precisa do saber para se agir com mais qualidade e segurança.

Por princípio, todo espírita já deve ter estudado ou, pelo menos, lido acerca das obras de Allan Kardec. Os que tenham um mínimo interesse em conhecer, de fato, o que essa Doutrina ensina, certamente já leram, inúmeras vezes, Allan Kardec falando de Magnetismo, sonambulismo, mediunidade, perispírito e reencarnação. Mas, será que sabemos mesmo do que tratam esses assuntos?

Em O Livro dos Médiuns (LM), seu 2º capítulo é titulado de “Do Maravilhoso e do Sobrenatural”. Ao longo do texto ele desconstrói a ideia que se tinha, muito viva por sinal, acerca dessas hipóteses. Com o advento do LM foram por terra esses pavores de tanta gente. Ou, pensando melhor: deveriam ter ido por terra, mas tudo indica que muitas mentes ainda resistem a tudo isso, já que até mesmo pessoas espíritas de longa data são pegas tremendo e vacilando por pensar na interação com a vida imortal como algo sendo “d’outro mundo”.

Recordo-me de Jesus quando disse: “se não me credes quando te falo das coisas da Terra, imagine se te falar das coisas do Céu!” (João, 3:12). Assim havemos de perguntar: como será falar da filosofia espírita para quem não busca suas orientações? Como dizer dos aspectos científicos e incentivar seus avanços, se sequer temos lido os verdadeiros “tratados” deixados pela sabedoria de seu codificador?

Na busca por fazer com que o Magnetismo seja mais e melhor aceito, entendido e praticado pelas criaturas humanas, fica bastante compreensível que quem costuma em tudo ver a mão do sobrenatural não aceite, por não entender, os alcances e as repercussões magnéticas, mas por essa dificuldade que muitos espíritas têm em vivenciar as práticas magnéticas, com a força de uma Ciência, fica tal comportamento parecendo um atestado de desconhecimento da base espírita, pois a obra de Allan Kardec é de uma explicitude impressionante.

Tenho lido artigos onde se questiona até mesmo a mediunidade, muitas vezes tendo por base as decepções com que se defrontam aqueles que confiaram sem antes procurar entender a verdadeira visão espírita do fenômeno. E isso tem sido tão nocivo que, por decorrência, põe-se em risco o bom despertar dos descrentes ao vigor do Espiritismo. E talvez seja por isso que hoje tem sido muito comum se pretender fazer um Espiritismo sem Espíritos, ou seja: sem reuniões ou trabalhos mediúnicos.

E quando o médium lida diretamente com curas, invariavelmente ou ele se “esconde” ou se anula, porque se ele for muito ativo e produtivo no bem, rapidinho receberá multidões de necessitados buscando-o, enquanto um grupo de travestidos defensores da pureza logo bradará anátemas convocando-o ao afastamento das Casas que deveriam acolhê-lo e apoiá-lo, inclusive fornecendo-lhe os apoios moral e educacional devidos.

Ter Allan Kardec deixado tudo tão claro, apesar do pouco empenho dos dirigentes por seguir-lhe as orientações, resta uma esperança de que tudo isso um dia se erguerá de uma maneira insofismável, resgatando, a um só tempo, tanto a Ciência magnética como o vero Espiritismo, tão apequenado nos dias atuais.

Como alunos que precisam saber das tarefas e das lições, já está mais do que na hora de estudarmos mais e melhor, saindo do “ouvi dizer” e partindo para o “estudo, logo faço com sabedoria”. E não imaginemos que tal procedimento corresponda à prepotência ou qualquer exercício de vaidade, porém o fato é que assim poderemos prestar à Doutrina Espírita o verdadeiro sentido de gratidão, empregando, com sabedoria e amor, tudo o que de tão bom sempre nos ofereceu e segue ofertando.

A propósito do que utilizei como metáfora no início, me pergunto: como, quando e onde será que pagaremos por nossos descasos em relação a esses estudos espíritas?

Eu penso sobre isso... E você?

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