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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2018

Sobre o autor

Djalma Santos

Djalma Santos

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       Ao codificar a Doutrina do Consolador, o Espiritismo, ao lançar no dia 18 de Abril de 1857, O Livro dos Espíritos, Alan Kardec abriu a arca dos tesouros imortais para que a humanidade inteira pudesse tomar conhecimento das verdades eternas, que se encontravam escondidas sob um véu de mistérios e enigmas, só conhecidos pelos iniciados nas artes esotéricas, e pelos profetas, magos e feiticeiros da época, pois eram considerados assuntos proibidos para a massa comum, e só o que vazava eram os fenômenos das aparições ou assombrações, em castelos mal-assombrados, cruz à beira da estrada, assustando as pessoas, sem nenhuma possibilidade de compreensão.

       É interessante observar que Alan Kardec não inventou absolutamente nada, e tudo o que consta da Doutrina Espírita já existia, e o que realmente fez foi estudar atentamente os fenômenos espirituais e dar uma explicação plausível, começando por estudar o magnetismo, muito em voga em Paris onde Kardec residia. Conheceu e se tornou amigo de Furrier, hipnotizador e magnetizador, com quem conviveu e aprendeu a força do poder magnético, e que está ligado a mediunidade. Frequentou junto com seu amigo, sessões de espiritismo que se realizavam em várias casas em Paris, conversando com espíritos desencarnados que se manifestavam, trazendo notícias do mundo espiritual.

       Kardec descobriu por si mesmo que existem dois mundos, o físico e o espiritual, mas que não são diferentes um do outro, e funcionam como se fossem dois grandes rios, que deságuam um no outro, através no nascimento, da vida e da morte. Descobriu ainda que a morte não existe, pois só o corpo físico é atingido por ela, enquanto o espírito liberto do corpo somático, avança para novas dimensões do espaço infinito. Aprendeu também que, a vida física é necessária ao aprendizado do espírito, útil à sua evolução para Deus, e que isto é realizado através das reencarnações sucessivas, muitas delas com provas e expiações.

       Aprendeu ainda que as Leis Divinas que regem a vida cósmica são eternas, e que não podem ser adulteradas ou modificadas, e que já se encontram na consciência do homem, agindo como se fosse um juiz de última instância, sem direito a apelação. O Livro dos Espíritos foi editado com perguntas e respostas para atender à demanda incrível de pessoas que gostariam de saber o que se passa depois da morte; por que as pessoas sofrem; por que uns morrem velhos e outros morrem jovens e até mesmo na infância; por que pessoas nascem com corpos deformados, sem os braços, sem as pernas, paraplégicos, surdos, mudos, sem a visão, sem a fala, e ainda os portadores de enfermidades de difícil cura e difícil diagnóstico.

       Muitos filósofos, pensadores, cientistas e escritores, afirmam que tudo é obra do fatalismo, ou seja, estamos fadados a passar por essas dificuldades, mas na realidade não existe fatalismo biológico, e nem mesmo o número de anos de vida ou a hora da morte são definitivos; porque a longevidade, assim como a brevidade da existência corporal, podem ser alteradas para mais ou para menos, embora exista um programa estabelecido para cada espírito, tendo como base o comportamento e a contribuição que cada um oferece a roupagem carnal, para sua preservação ou desgaste prematuro.

       Todos os espíritos necessitam de um período de tempo em cada existência física para realizar o exercício de aprendizagem em que está inscrito, e não só tem meios como pode abreviar ou ampliar os recursos de que dispõe e que são facultados a todos. Todo aquele que desperdiça grande quota de energias, impondo ao corpo físico sobrecargas deletérias e desnecessárias, fere o organismo biológico, ao contrário do indivíduo prudente, que tem respeito pela sua roupagem carnal, mantendo-a intacta e com saúde, sem adulterá-la através de macerações ou marcas exóticas, que além de prejudicar seu corpo somático, levam para o outro lado da vida essas retratações que durante muito tempo acompanharam o espírito na vida terrestre.

       Do mesmo modo, podemos afirmar que a forma de “morrer” sem fugir da destinação própria de cada um é o resultado de nosso modo de viver, muitas vezes impetuoso, imprevidente, precipitado, e em desacordo com as Leis Divinas que regem a vida cósmica, tornando-se alvo fácil de acontecimentos funestos, na maioria de casos violentos e cruéis. Homicídios, intoxicações, acidentes e desastres de várias modalidades que ceifam vidas, são resultados da imprevidência e da falta de responsabilidade, diante da vida e diante de Deus.

       A norma real da vida inteligente e responsável é a aplicação da bondade e serenidade como hábito geral, mas a maior parte das pessoas se envolve com discussões acesas, desrespeito ao dever, negligência e autoritarismo, criando aversões e antipatias gratuitas, tornando-se, afinal, vítimas de si mesmas, ou até mesmo suicidas indiretas. Muitos espíritos se demoram em comportamento pessimista, atitudes agressivas, nas quais se comprazem, intuídos ou não por entidades inferiores que se aproximam delas, porque encontram “brechas” na sua “aura humana”, que retrata com fidelidade e em cores o que realmente somos.

       As causas que geralmente influem em nossa existência atual estão nas experiências desta reencarnação na qual nos movimentamos, ou nas pretéritas, e que já estabeleceram os impositivos das reparações, que obrigatoriamente teremos que realizar, não para satisfazer desejos dos outros, mas para satisfazer desejos da nossa própria consciência imortal. Os vícios de qualquer espécie são corrosivos para nossa vida: o alcoolismo gera distúrbios orgânicos e psíquicos irreparáveis, e é também desencadeador da loucura, da depressão e da agressividade, pelos problemas gástricos e renais, além da cirrose hepática. O hábito do fumo é a gênese dos cânceres de várias procedências, na língua e na boca, na laringe, infecções e enfermidades respiratórias, com destaque para o terrível enfisema de origem pulmonar. As drogas, descontrola as engrenagens sutis da mente e desagrega o metabolismo orgânico lesando órgãos e provocando ilusões mórbidas, que os viciados dizem vivenciar mesmo sendo de curta duração; além disso, seus efeitos passam de uma vida para a outra, gerando dependências que levam a sofrimentos inenarráveis.

       O uso abusivo do sexo é o responsável pelas distonias emocionais, levando os indivíduos ao reduto de sensações primitivas, ao gozo insaciável, à exaustão; a terríveis frustações na velhice, quando a alcança, e a depressões que desorganizam o corpo somático e perturbam a mente humana, além da criação de campos de dificuldade afetivas com parceiros utilizados na licenciosidade, estabelecendo compromissos desditosos para o futuro. O excesso de alimentação deforma a organização do corpo físico, e é o agente que sobrecarrega o aparelho digestivo, impedindo que ele exerça suas funções com normalidade, viciando-o na prática da gula, gerando dispepsias, acidez e ulcerações de toda a ordem, contribuindo para a dificuldade de locomoção, e atrofiando os movimentos tão necessários para estabilidade do organismo físico.

       Os infortúnios que o homem enfrenta aqui na Terra são muitos, todos eles aceitos através da intemperança mental, e muitas pessoas tem consciência desse perigo, que, no mais das vezes, tira até a vida em tempo prematuro; mas somente o conhecimento de si mesmo poderá levar o homem a compreender que o seu organismo físico é uma doação divina, um instrumento de evolução para Deus, e deve ser preservado até o momento fatal, em que teremos de atravessar as águas enigmáticas do rio da morte.

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