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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2018

Sobre o autor

Djalma Santos

Djalma Santos

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               Os contatos do homem com sua consciência imortal, aqui ou no além, lhe dá a oportunidade completamente nova para o surgimento de uma paz duradoura, que o acompanhará vida afora, tendo como base os estímulos internos que partem do coração que, aos poucos, se enternece pelas experiências sucessivas, das reencarnações repetitivas, avançando e se projetando para o além das atrações materiais da vida física, sempre com vista ao seu destino espiritual, que é o seu verdadeiro desejo. Todos aqueles que conseguem perceber isso, se sentem atraídos pelos assuntos do espírito, surgindo então um homem novo, voltado exclusivamente para Deus.

               Todas as nossas lutas, dificuldades, dores, sofrimentos, problemas e obstáculos que encontramos na jornada evolutiva são detalhes normais de todas as reencarnações pelas quais deveremos passar, e ninguém está isento das provas que atraiu para si e, apesar do julgamento apressado que muitas pessoas fazem, no sentido de que Deus nos pune diuturnamente; o certo é que nós mesmos projetamos o nosso futuro, para o bem ou para o mal, dependendo, é claro, do modo como estamos nos relacionando com os outros. As provas por que passamos são escolhidas antes da reencarnação, e todos os seres humanos antes de reencarnar prometem mundos e fundos, para depois esquecer, devido à atração quase que irresistível da matéria e dos prazeres, com os quais vamos conviver na vida física.

               A reencarnação, na realidade, é a força maior do amor de Deus, promovendo o progresso e a felicidade dos homens, sendo utilizada em todos os mundos que povoam o espaço infinito, guardadas certamente as devidas diferenças entre os mundos habitados do Universo. Nasceremos e renasceremos aqui no Planeta Terra ou em outros orbes terrestres quantas vezes forem necessárias ao nosso aperfeiçoamento espiritual, a fim de dar seguimento ao nosso progresso intelectual e moral, pois esse é o único meio de nos livrarmos da culpa e do remorso, além de trabalharmos para as conquistas do tesouro do espírito, construindo em nós a própria felicidade.

               Trazemos em germe as partículas infinitesimais do pensamento divino, e por isso podemos ser considerados “deuses embrionários”, ou seja, imperfeitos, simples e ignorantes – com organização espiritual sem qualidades morais, sem nenhuma experiência, mas também sem nenhuma imperfeição –, mas isso foi no início de nossa jornada evolutiva, porque agora não somos mais nem simples nem ignorantes, pois conhecemos as Leis dos homens, elaboradas por nós mesmos, e que de alguma forma se assemelham às Leis Divinas que regem a vida cósmica; grosseiras sim, e às vezes obedecendo interesses egoísticos, mas ainda assim servem de freio para os nossos instintos animalescos no campo da experiência humana.

               Outro detalhe interessante no processo de reencarnar é que ninguém tem privilégios especiais, e todos passam pela fieira da ignorância, do aprendizado e da experiência, necessitando, portanto, buscar aprender e assimilar as lições infinitas de Deus, que oferece a todos os seres humanos a escola universal da vida física e espiritual. Por toda parte e em todas as faixas vibratórias do espaço, existem mundos disseminados, desde os mais primitivos até os mais elevados, e em todas as estâncias planetárias a voz e a força do Deus supremo ressoam nas consciências dos homens, convidando todos ao amor, ao trabalho e à evolução incessante.

               Nas experiências de volta à vida física, os espíritos superiores trabalham na assistência aos mais fracos, ou seja, na disciplina dos espíritos inferiores, que se encontram na retaguarda da vida evolutiva, numa espécie de elo do amor universal que une a todos os seres, na divina corrente de cooperação mútua de solidariedade e compartilhamento. Aqueles que são bons procuram ajudar os maus; os sábios e intelectualizados instruem os ignorantes, assim como os que possuem saúde procuram socorrer os enfermos. Os superiores trabalham com alegria e felicidade pela recuperação e melhoria dos inferiores, sem mostrar nenhuma ostentação, mas muitas vezes, se apequenando diante deles para não demonstrar superioridade.

               A conquista dos valores eternos pelo espírito imortal pode durar milênios e milênios, e quem já passou por isso sabe de antemão que não adianta dar uma de apressado, porque as coisas espirituais são conquistadas paulatinamente, gradativamente, sem pressa e com muita paciência numa ação constante no campo do bem, suportando muitas vezes, e em muitas reencarnações, provações difíceis ou expiações dolorosas, mas que um dia passa, deixando o espírito imortal, esse viajor incansável da eternidade, esse nômade do espaço, esse andarilho do infinito, mais robusto, mais feliz por ter suportado as dores e sofrimentos, saindo vencedor não dos outros, mas de si mesmo.

               Outro detalhe interessante é que o amor de Deus é tão grande que está sempre disposto a oferecer aos espíritos faltosos o socorro e a assistência, o esclarecimento e a iluminação, para todos os filhos fugitivos da eterna luz, educando-os através das reencarnações sucessivas e necessárias ao espírito, e por mais rebelde que seja, um dia chegará ao porto seguro da iluminação. São muitas as condições para que o espírito possa se redimir, mas é necessário que ele se arrependa e esteja disposto a reparar as faltas cometidas com o próximo, a fim de que possa caminhar vitorioso na direção das campinas siderais do infinito de Deus.

 

                “A misericórdia de Deus é infinita, sem dúvida, mas não é cega. O culpado que ela atinge não fica exonerado e, enquanto não houver satisfeito a justiça, sofrerá a consequência dos seus erros. Por ser de infinita misericórdia, não devemos pensar que Deus seja inexorável; pois deixa sempre abertas as portas da redenção” (Allan Kardec – O Céu e o Inferno – 1ª Parte, cap. VII, item 29).

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