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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2018

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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Allan Kardec, em sua sabedoria e sensatez, muito embora parecesse um leitor contumaz, não fazia como muitos fazem ainda hoje: ler por ler. Sua acuidade o levava a extrair essências preciosas em meio a tantas obras lidas e pesquisadas.

Sua base pedagógica e sua vivência íntima com o método de Pestalozzi o favoreceu sobremaneira nessa arte, que é a de ver mais além do que letras impressas ou palavras pronunciadas pareçam calar ou dizer.

No seu Catálogo Racional das Obras Para se Fundar uma Biblioteca Espírita, publicado em maio de 1869, fazendo uso de toda sua base bem como de toda sua leitura, ousou sugerir que as bibliotecas Espíritas contivessem obras sobre filosofia, história, arte, ciência, teatro, romances e, inclusive, obras contrárias ao Espiritismo, estas em número de 18. Com isso demonstrava possuir uma segurança pouco comum, pois a se mirar nos exemplos que se presencia no chamado movimento espírita atual, o que mais vemos são tentativas de proibições e “queimas” de obras, simplesmente porque não aprendemos a conviver com os contrários, os que pensam diferente.

No catálogo aludido, em suas indicações de romances, o livro A Dupla Vista, do grande romancista francês Élie Berthet, assim está anotado: “Clarividência sonambúlica magnética e espontânea em ação, com detalhes que atestam perfeito conhecimento das condições inerentes a essa faculdade e os abusos que dela se pode fazer”.

A bem da verdade, muito pouco existe publicado que trate desse assunto. Entrementes, quando, em O Livro dos Espíritos, questão 450, ele indaga se a dupla vista é suscetível de desenvolver-se pelo exercício e os Espíritos respondem que “Sim, do trabalho sempre resulta o progresso e a dissipação do véu que encobre as coisas”, fica claro que algo pode e deve ser feito para que tal preciosidade se desenvolva ou que seu véu seja descortinado. Muito embora o livro não trate o tema em seu aspecto técnico, ao longo do romance encontramos a pujança do sonambulismo e de uma boa dosagem de clarividência, tudo amarrado num enredo interessante e que nos leva a conhecer como são poderosas as possibilidades oferecidas pela prática do sonambulismo, especialmente quando regida por bons magnetizadores, tal como asseveram Deleuze (Instruções Práticas Sobre o Magnetismo Animal) e Puységur (Memórias para Servir à História e ao Estabelecimento do Magnetismo Animal).

Este livro, A Dupla Vista, acaba de receber sua primeira edição em Português (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.). E se ler sobre esse assunto, em livro técnicos, possa ser mais difícil para alguns leitores, no enredo desse romance o tema se desenvolve com naturalidade, com o detalhe complementar de que eu tive a oportunidade de apor várias notas de rodapé que esclarecem ou chamam à atenção sobre alguns pontos relevantes.

Acreditando que uma das formas de se desenvolver uma prática é conhecendo como se referiram a ela os que a conheceram, meu convite hoje é para que façamos um mergulho nessa matéria sutil, através desse livro, dali extraindo substância de alto valor para nossos estudos, pesquisas e avanços.

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