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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2018

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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Existem coisas que, de tão óbvias e claras, não se imaginaria pudessem ser escondidas; menos ainda que o sentido profundo fosse modificado, especialmente quando todas as luzes apontam para o que jamais deveria deixar de ser destacado.

Quem lê, mesmo que de forma rápida, a obra de Allan Kardec, contabiliza uma enorme quantidade de vezes em que ele fala de magnetismo, magnetizador, magnetizar... E mesmo na literatura espírita dita complementar, também pululam as referências a esses termos e a sua prática. Portanto, tudo sempre indicou que essa vertente, essa verdade, jamais ficaria escondida, sob qual pretexto fosse. Contudo assim não se dá; esconde-se as verdades do Magnetismo, ainda mesmo quando este é o melhor viés para se ajudar, efetiva e eficientemente, àqueles que buscam apoio e ajuda nas Casas espíritas. Negar essa ajuda e esse apoio, em si mesmos, já é um prejuízo sem tamanho; agora imaginemos o quanto se perdeu e se perde em termos de saber, de ciência, de vida!

Há uma frase – creio que hispana – que diz: “esconder a ferida não significa que não doa”. Isto quer dizer que aquilo que existe, ainda mesmo que omitido, segue sua trilha; assim mesmo, não podemos deixar de sentir que esse esconder provoca perdas irreparáveis, sobre as quais o presente já denuncia e o futuro certamente cobrará altos juros. Uma outra característica da citação hispana é que se alguém pensa em esconder verdades, essa mesma criatura deverá dispender um esforço grande, pois devem ser escondidas tanto a ferida como a dor. Aí, então, dentro de nossa realidade, nos deparamos com as mudanças de nomes das verdades, as inversões dos valores, as meia-citações que desvirtuam as conclusões, um falso sentido de pureza que enodoa toda a bênção trazida por essa Ciência.

Sófocles, dramaturgo e poeta grego que viveu de 496 a 406 a.C., asseverava: “Não procures esconder nada; o tempo vê, escuta e revela tudo”. E este é um problema sério para os espíritas, que somos reencarnacionistas, pois se não for agora, será depois que iremos novamente lidar com as coisas que escondemos e que precisavam ter sido reveladas. Será então que conseguiremos esconder essas feridas? E pararão elas de doerem?

Quando Allan Kardec, em artigo de abertura do primeiro número de sua Revista Espírita, de janeiro de 1858, ponderou: “O que já não se fez e disse contra o magnetismo! Entretanto, todos os raios lançados contra ele, todas as armas com que foi ferido, mesmo o ridículo, esboroaram-se ante a realidade e apenas serviram para colocá-lo ainda mais em evidência. É que o magnetismo é uma força natural e, perante as forças da Natureza, o homem é um pigmeu, semelhante a cachorrinhos que ladram inutilmente contra tudo que os possa amedrontar”, certamente nos posicionava como verdadeiros portadores das luzes que produziriam os alívios e as claridades prometidas pelo Mestre; não daria para se imaginar que uma reflexão dessas pudesse se perder tão rapidamente e provocar omissões como as que se percebe no contexto desse movimento espírita em que transitamos...

Afinal: o que se tenta esconder? Que mal poderia fazer uma Ciência que serviu de base para o desenvolvimento do Espiritismo? A quem interessa que o Magnetismo siga escondido ou mesmo negado? Seria isso a força das criaturas malignas ou a falta de ação dos que precisariam trabalhar, de verdade, pelas buscas do “ama a teu próximo como a ti mesmo”?

Por mais que trilhemos na busca da compreensão em torno desses procedimentos, parece faltar um ponto lógico para se entender o que escondem ante a lógica científica e moral da Doutrina Espírita.

Parece não ser percebido o grande mal que daí se expande. A mediunidade fica limitada ao sobrenatural e ao maravilhoso, que o próprio Kardec abominou; os estudos do Espiritismo ficam convergindo a opiniões onde tudo é falta de merecimento, débitos reencarnatórios ou influências obsessivas; as compreensões do Evangelho limitam-se a repetições e frases de efeito; e o bem que se pode e se deve fazer ao próximo carece de vigor e ação, pois tudo entregamos ao “seja o que Deus quiser” e não à responsabilidade do que todos devemos exercer.

Inácio Dantas, conhecido poeta baiano de Euclides da Cunha, nos convida a ponderar sobre o que se esconde: “Uma verdade enfraquece quando tenta esconder uma única mentira, e uma mentira fica mais poderosa quanto mais verdades tenta esconder”. Nesse raciocínio, talvez esteja aí a razão do descrédito lançado ao Magnetismo ainda permanecer tão forte, levando pessoas de conhecimento, de boas leituras e de bom saber a duvidarem de seus alcances, seus benefícios e do quanto ele ainda reerguerá corpos e almas.

Como Lei Natural, enfim, poderá o Magnetismo ainda permanecer sendo achincalhado e escondido, mas não tardará o tempo em que ele preponderará, onde aqueles que tentaram retirá-lo da missão grandiosa a desempenhar junto à humanidade sentirão de forma mais dolorosa as feridas provocadas com as próprias mãos, buscando-lhe socorro e guarida em vindouras reparações.

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