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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2018

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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Para o entendimento daquilo que está envolvido na encarnação do espírito é necessário considerar um sem número de variáveis que possuem peso muito grande na formação e características do corpo físico que servirá de ferramenta de evolução. Desta forma, não temos, ainda, condições de uma visão completa sobre o tema. Contudo, há muita informação disponível, possibilitando análises elaboradas, mesmo que de forma limitada.

       Sabe-se que o acervo do espírito, isto é, as conquistas morais e intelectuais ao longo da sua caminhada evolutiva, são preponderantes no processo encarnatório [1]. Afinal, “ao nascerem, trazem os homens a intuição do que aprenderam antes: São mais ou menos adiantados, conforme o número de existências que contem, conforme já estejam mais ou menos afastados do ponto de partida”[2].

       Sabe-se, ainda, que há ação constante do espírito sobre o corpo físico, conforme Kardec esclarece ao afirmar que “é o próprio espírito que modela o seu envoltório e o apropria às suas novas necessidades; aperfeiçoa-o e lhe desenvolve e completa o organismo, à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades; numa palavra, talha-o de acordo com a sua inteligência”[3].

       Com relação à matéria, a Ciência que surgiu no Século XX, trouxe conceito singulares relacionados com os fenômenos físicos. Estes não são mais independentes, mas relacionados com aquele que os observa. Ainda existe muita discussão a respeito do dito “observador”, contudo, já foi comprovado a interdependência entre fenômeno e observador.

       Dentre os fenômenos descortinados, tal como a contração do espaço e do tempo, há o que é denominado de "colapso da onda de probabilidade”. Este conceito postula que, enquanto não ocorre a observação, todas as possibilidades são possíveis - um comportamento de onda que se espraia no espaço e no tempo. Porém, no evento da observação, o fenômeno ocorre de forma específica, isto é, ocorre o colapso da onda em determinado ponto e de determinada forma.

       Amit Goswami é um Físico que se dedica ao estudo e propagação da Ciência relacionada com a Espiritualidade, sendo autor de vários livros mundialmente reconhecidos. No livro O Médico Quântico, o autor se refere aos “chakras”, conhecidos no movimento espírito como “centros de força”, como sendo “os lugares do corpo físico onde a consciência produz simultaneamente o colapso do corpo vital e do corpo físico; nesse processo, a representação do corpo vital se transforma em corpo físico”.

       Esta abordagem é muito interessante e desmistifica em muito os centros de força, abolindo muitas das interpretações sem fundamentação teórica, seja sob a ótica científica ou da espiritualidade. Muito do que se acredita com relação a estes pontos são crendices propagadas ao logo do tempo e que não foram mais questionadas, mas que, infelizmente, ainda perdura na mente de fiéis e em práticas religiosas.

       Estes pontos, portanto, estabelecem a expressão material da mente do espírito, estruturando tanto o perispírito quanto o corpo físico. Pontos estes em que o fenômeno material de múltiplas possibilidades para o espírito, colapsa, por assim dizer, em um corpo único e específico para as suas necessidades.

       O processo, porém, é dinâmico, havendo uma constante reestruturação do corpo físico. Em outras palavras, podemos estabelecer que não há formação de um corpo na reencarnação, mas o estabelecimento de um sistema no qual o corpo de expressão é único em cada momento da vida do encarnado. No momento seguinte há um novo colapso em novo corpo, podendo até ser igual, mas trata-se de outro corpo.

       A transformação íntima do espírito acarreta uma alteração na estrutura corporal. Sob este prisma, o ensinamento de Jesus que diz que “Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo”[4], toma uma outra dimensão.

       As características de vida em um mundo de expiações e provas demonstram claramente que os espíritos que nele habitam necessitam se transformar moralmente para que o sofrimento, as injustiças, o orgulho e o egoísmo diminuam de intensidade até atingir uma condição mais amena e de melhor qualidade de vida para todos. Desta forma, na transformação moral há uma reestruturação do corpo, um novo corpo, por assim dizer, o que pode ser considerado como um “nascer de novo” mesmo durante o que se considera como apenas uma encarnação.

       É preciso se transformar para “ver o reino de Deus”.

       

Notas bibliográficas:

1. Claudio C. Conti. Limitações ao Acervo do Espírito, Jornal Correio Espírita, julho de 2018.

2. Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, questão 222.

3. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, Cap. XI, item 11.

4. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. IV.

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