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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2018

Sobre o autor

Djalma Santos

Djalma Santos

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Talvez uma das passagens bíblicas de maior significativo do Evangelho de Jesus, seja o encontro que Jesus teve com a mulher adúltera, porque marcou a presença do querido mestre junto as mulheres, que eram discriminadas naquela época, por uma sociedade machista e autoritária, impondo aos mais fracos todo tipo de restrições, aplicando penas por qualquer motivo, que muitas vezes representava a morte. O povo judeu vivia sob o jugo de vários mandatários: Primeiro o Rei Herodes, que era considerado quase um Deus, acima de tudo e de todos, punindo sem dó nem piedade todos que se voltavam contra ele, e em segundo vinha os sacerdotes do templo, com poderes totais sobre o povo, e por último tinha os doutores da Lei Mosaica, encarregados de aplicar as penas prevista por Moisés no Decálogo mediúnico.

A esperança daquele povo sofrido era Jesus, que já se encontrava pregando o seu Evangelho de amor, estimulando as pessoas a amar ao próximo e viver em paz, numa missão quase impossível devido a dureza dos corações dos seus primeiro adeptos, e Jesus estava junto aos seus apóstolos, quando uma multidão enfurecida se aproxima dele, tendo à frente uma mulher com os cabelos em desalinho, parecendo bastante machucada, pois vinha arrastada até a presença do Mestre, onde foi jogada ao chão pelos seus algozes, que carregavam pedras, indicando um apedrejamento muito comum em Jerusalém, para punir diversos crimes, incluindo o adultério.

Um dos representantes dos Juízes da Lei, que parecia ser o líder dos enfurecidos, disse para Jesus: “Essa mulher foi pega em adultério, e de acordo com a Lei de Moisés, deve ser apedrejada, e por isso a trouxemos a sua presença, para que decida o que fazer com ela.” Jesus então abaixou-se e começou a escrever na areia, sem dar importância a insinuação do celerado, e como ele insistisse em uma resposta do Mestre, Jesus respondeu:   “Aquele dentre vós, que estiver sem pecado que atire a primeira pedra”. Os perseguidores daquela pobre mulher, confabularam entre si, e depois de algum tempo afastaram-se, deixando Jesus sozinho com a mulher pecadora, a qual perguntou: Não te condenaram? Não disse ela. Então eu também não te condeno, vai e não voltes a pecar.

É interessante observar, que Jesus aplicou princípios de verdadeira caridade, mas também princípio de responsabilidade pelo ato cometido, advertindo-a a não pecar mais, a fim de que não acontecesse coisa pior. Os algozes saíram sem aplicar a pena, porque fizeram uma autoanálise, e descobriram que todos eles tinham pecados mais graves que o dela, inclusive muitos deles não saiam do lupanar onde ela se vendia aos homens daquela cidade. A advertência de Jesus para que ela não permanece no erro, é de suma importância para as nossas vidas, porque o livre arbítrio nos dá a liberdade de escolha, e só vive feliz quem aprende a escolher, e quando conseguimos o perdão pelas nossas faltas, é um sinal divino de que devemos estancar a sangria dos erros, começando uma nova vida dentro da ética e do respeito às Leis e aos nossos semelhantes. O Apóstolo Paulo, um dos maiores seguidores do Cristo em todos os tempos, afirma em uma de suas Cartas: “Aquele que matava não mate mais, quem roubava não roube mais. Quem brigava não brigue mais, quem falava mal dos outros não fale mais, mas antes proceda de tal forma dentro da ética, da bondade, da caridade, que até os seus inimigos, vão se envergonhar, quando estiverem diante de você”.

Ao nosso redor, nas ruas, nas casas espíritas e em todos os lugares, deparamos com sofredores de todos os tipos, trajando variadas roupagens; doentes da alma, viciados de toda ordem, desequilibrados no campo sexual, companheiros e companheiras depressivos e obsidiados, necessitando de amparo físico e espiritual; que se não forem atendidos com compaixão e caridade, podem descambar para uma desencarnação prematura. Cabe então as pessoas de boa vontade um perdão imediato, sem críticas ou repulsa pelo erro cometido, dando ao infrator, condições de ressocialização, afim de que possamos depurar nossa sociedade através da educação, e não da chibata, que fere, e aumenta o condicionamento negativo do recluso.

Lendo um livro do Irmão X, psicografado pelo Francisco Cândido Xavier, ele conta o que aconteceu com a mulher adúltera, depois do encontro que teve com Jesus, e da advertência para não pecar mais. O autor espiritual diz que, ao ser advertida pelo Mestre, ela sai correndo em disparada na direção do Lupanar, entra na casa onde vivia com outras mulheres da vida, abre seu armário, retira todas suas roupas caras e espalhafatosas; retira todos os sapatos caríssimos, perfumes, cremes, pulseiras, anéis e relógios, e dá de presente para suas amigas, ficando apenas com uma túnica branca, um par de sandálias simples; se despede das companheiras de infortúnio, e corre desesperada ao encontro de Jesus, passando a segui-lo por toda a parte ao lado dos Apóstolos.

Quando Jesus foi preso e açoitado por ordem de Pilatos, ela estava presente, não arredou o pé, sofreu junto com Jesus, levou chibatadas mas não se afastou do Mestre; e o acompanhou na subida do Gólgota até a Cruz, onde se postou aos pés do instrumento de martírio, acompanhando todo o sofrimento de Jesus, numa dedicação indescritível para mente humana, porque a maioria das pessoas se afastam quando há perigo, mas ela se expôs, e deve ter apanhado muito dos soldados que torturavam o Cristo: e depois lamentou abeira da sepultura de Jesus, até a sua ressurreição, quando foi morar com Maria mãe do querido mestre, e ali permaneceu até a morte de Maria.

Com a morte de Maria, a mulher adúltera perdoada pelo divino mestre, vai para o vale dos leprosos, local proibido pelas autoridades locais, afim de evitar contaminação com a lepra, incurável naquela época, e lá iniciou um trabalho de assistência aos deserdados da sorte, que eram abandonados pela própria família e pelas autoridades, fadados a morrer à míngua e totalmente abandonados por todos. Foram anos e anos de dedicação integral aqueles infelizes, que muitas vezes morriam em seus braços, e sua intimidade fraternal com os doentes foi tão intensa, que ela acabou por contrair a doença, de difícil cura e difícil diagnóstico. Ela começou a apodrecer aos poucos, e aquela mulher outrora lindíssima e cobiçada por todos os homens, era agora um monturo de carne em putrefação, destruída por essa enfermidade terrível, que desfigura os seres humanos.

Mesmo sofrendo todas as injunções que a moléstia lhe impunha, não parou de trabalhar, varando as noites socorrendo aqueles que estavam em situação pior que a dela. E foi numa noite escura e chuvosa, que sentiu que seu corpo físico endureceu, ficando rígida e sem movimento, e lembrou de Jesus em oração:” Senhor Jesus, aqui está sua serva aos seus pés, pedindo mais uma vez perdão pelos meus pecados, acho que estou pronta, que seja feita a vontade de Deus”. De imediato, a cela em que estava acamada se iluminou, e ela viu Jesus em todo o seu esplendor, que lhe dizia:” Vem Maria, para os meus braços, perdoados foram os seus pecados, porque muito foi o seu amor”!. Ela então, fecha os olhos materiais, e abre os olhos espirituais, e visualiza um mundo novo, o mundo dos espíritos, cheia de alegria, paz e felicidade, a felicidade dos justos, confirmando uma das frases mais bombásticas do Apóstolo Paulo: “Aquele que segue Jesus de perto, nova criatura é”.

 

Referência bibliográfica:

Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

Bíblia Sagrada.

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