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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2018

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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       Erraticidade é a condição em que o espírito se encontra durante duas encarnações, sendo válido para espíritos que, seja qual for o nível evolutivo em que se encontrem, ainda estejam em um processo reencarnatório. Nesta condição, o espírito é errante.

       A partir do momento que não haja mais a necessidade de períodos como encarnados, os espíritos se encontrarão na sua condição definitiva [1]. Desta forma, apesar de errante não caracterizar um estado de inferioridade moral, somente será válido para aqueles que não atingiram o grau máximo [2].

       Em termos de duração, não há um período de tempo definido, nem, tampouco, condições de se estabelecer uma estimativa, pois depende de inúmeros fatores desconhecidos para um mundo de expiações e provas e, por isso, não há como considerar qualquer tipo de cálculo. A informação constante na Codificação é que o período de um espírito na erraticidade pode variar desde “algumas horas até alguns milhares de séculos” [3]. Como pode-se perceber, é uma faixa muito ampla.

       Historicamente se considera que a alma dos mortos vão para regiões bem definidas, dependendo de seu comportamento durante a vida, tais como o céu, o inferno e o purgatório. Para os espíritas, as opções são, basicamente, colônia espiritual e umbral.

       Ainda há uma grande dificuldade de se reconhecer o estado de erraticidade como uma condição comum, ordinária, na vida do espírito. A ideia reinante é de que, após a desencarnação, alguns precisam de tratamento médico/hospitalar ou ir para locais específicos, tais como regiões  purgatoriais (os umbrais) ou colônias específicas. Todavia, uma grande parcela dos desencarnados necessitam, apenas, continuar com suas vidas na nova condição de existência. É interessante notar que, apesar de todo o conteúdo da Codificação Espírita, há uma grande dificuldade de se aceitar que a vida como espírito é a normal, a encarnação é uma estado anômalo.

       Em decorrência do que foi dito, podemos concluir que os espíritos em condições de existência diferentes desta que conhecemos, não estão obrigatoriamente confinados em colônias, umbrais ou qualquer outro local. Há necessidade de espaço, movimentação, atividade e tudo o mais que os encarnados necessitam. Podemos reconhecer este entendimento na seguinte questão [4]:

       “Ocupam os espíritos uma região determinada e circunscrita no espaço?

       Estão por toda parte. Povoam infinitamente os espaços infinitos. Tendes muitos deles de contínuo a vosso lado, observando-vos e sobre vós atuando, sem o perceberdes, … Nem todos, porém, vão a toda parte, por isso que há regiões interditas aos menos adiantados.”

       O conceito de erraticidade está intimamente correlacionado com o de mundo dos espíritos e encontramos no O Livro dos Espíritos a referência ao mundo dos espíritos como sendo distinto do mundo material [5]:

       “Os Espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?

       Sim, o mundo dos Espíritos, ou das inteligências incorpóreas.”

       Inicialmente, pode-se considerar que “mundo dos espíritos” se refere ao local onde os espíritos, os “mortos", habitam, diferente daqueles que “nós”, os “vivos", habitamos, no mundo material.

       Contudo, é preciso considerar que nós também somos espíritos, portanto, este mundo que conhecemos, correlacionado com o planeta Terra, também deveria ser denominado de “mundo dos espíritos”.

       Como, então, interpretar, na questão apresentada [5], o que se deseja dizer com o termo “mundo dos espíritos”?

       Ao contrapor mundo dos espíritos com mundo que vemos, Kardec interpreta “mundo” como uma condição e não uma região circunscrita no espaço. Esta abordagem é similar àquela em que se diz "mundo das artes” ou “mundo das ideias”.

       Assim, podemos compreender a distinção entre “mundo dos espíritos” e “mundo material” com cada qual estando relacionado com diferentes componentes. Uma condição em que existem espíritos e outra em que existe matéria, sendo que uma exerce algum tipo de ação sobre a outra, contudo, a primeira que age e a segunda “responde” com a consequência da ação.

       No caso dos espíritos em condições de expiações e provas, há uma inversão de valores em decorrência do apego e, assim, a reação do mundo material à ação espiritual é considerada como a principal e não se apercebe mais da essência espiritual. Nesta condição, estes dois mundos são, até certo ponto, incompatíveis.

       Esta incompatibilidade seria a causadora da atual característica de expiação do planeta Terra. Esta condição incompatível foi trabalhada por Léon Denis ao dizer [6]:

       "Abaixo da superfície do eu, superfície agitada pelos desejos, pelas esperanças e pelos temores, fica o santuário onde reina a Consciência Integral, calma, pacífica, serena, o princípio da Sabedoria e da Razão, das quais a maioria dos homens só toma conhecimento através de surdas impulsões ou vagos reflexos entrevistos.

       Todo o segredo da felicidade, da perfeição está na identificação, na fusão em nós desses dois planos ou focos psíquicos. A causa de todos os nossos males, de todas as nossas misérias morais está na sua oposição.”

       Desta forma, a componente material assume tal importância para o espírito a ponto da erraticidade, seu estado mais natural, ser de difícil entendimento, envolto em muitos mistérios e temores.

 

Notas bibliográficas:

1. Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, questões, 84, 87, 224a, 225, 226.

2. Léon Denis. O Problema do Ser e do Destino, Capítulo XXI.

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