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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2018

Sobre o autor

Djalma Santos

Djalma Santos

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A vida é uma concessão divina, uma oportunidade de crescer, superar e transcender para Deus, através de um novo corpo físico, que servirá como instrumento de experiências terrenas do espírito imortal, esse viajor incansável da eternidade, esse nômade do espaço, esse andarilho do infinito de Deus. Nessa viagem milenar no campo das formas, em reencarnações sucessivas, espírito ganha estrutura moral para avançar para planos mais altos, até atingir o máximo de perfeição, ou seja, a união indescritível da mente humana com a mente divina, que chamamos de eternidade.

A vida necessita estar sempre em atividade e movimento, e é por isso que mesmo durante sono o espírito não descansa, mas permite que o seu corpo físico se refaça dos esforços diários, enquanto ele permanece ao seu lado, ou percorre vários lugares de sua preferência, entrando em contato com espíritos felizes e amigos, ou entidades inferiores, dependendo é claro, de suas inclinações para o bem ou para o mal. Dentro da vida diária com os nossos semelhantes, precisamos estarmos atentos ao processo de escolhas, que cada pessoa faz em sua vida, e quando escolhemos bem, temos alegria, paz e felicidade, e quando escolhemos mal, temos dor, sofrimento e aflição. ”A vida é um eterno processo de escolhas; escolhemos todos os dias, e vive melhor, quem aprende a escolher”.

É interessante observar, que o relacionamento com os nossos semelhantes, é preponderante para nossa felicidade, demonstrando solidariedade, compartilhamento com o nosso próximo, que em síntese, é a matéria prima com a qual temos que trabalhar, para o nosso bem estar e vida longa, e ainda, porque tudo que desejamos não está conosco e sim com os outros, dificilmente seremos felizes, se não estivermos dispostos a fazer a felicidade do próximo.” Quando conseguires plantar, nos corações daqueles que te cercam, a alegria e a felicidade, a felicidade dos outros te buscará, onde quer que esteja, aqui ou no além, afim de implantar em definitivo, a tua suprema ventura”.

O espírito imortal necessita do sono para refazer seu organismo físico, restabelecendo-lhes as energias gastas no cotidiano, e provocando o equilíbrio das funções que ele exerce. Logo após o sono, afrouxam-se os liames que prendem o corpo físico ao espírito, e a entidade espiritual se livra do corpo parcialmente, ficando ligada apenas por um cordão fluídico prateado, que se rompido, ocorre a morte; indo de encontro de pessoas e lugares, com os quais tem ligação por interesses comuns. É através dessa movimentação durante o sono, que o espírito ao retomar o corpo físico, traz as impressões e lembranças de onde esteve, dando origem aos fenômenos que         vulgarmente chamamos de “sonhos”.

A correlação entre o estado evolutivo do espírito, e as experiências de que participa durante o sono e o desprendimento, é de uma realidade incrível, e por isso podemos afirmar com absoluta certeza que, em local onde se reúne vadios, desocupados e preguiçosos; os que ali se encontram, possuem os mesmos pendores, os mesmos gostos e tendências em geral. Em sentido contrário, no recinto em que reúnem pessoas envolvidas com a arte, cultura, fé e religiosidade, estarão também espíritos dedicados ao bem, associados conforme padrões e valores já conquistados.

Durante o sono e através do desprendimento, fazemos quase todos os dias verdadeiras viagens astrais, em que reencontramos, além da cortina carnal, os seres amados que conviveram conosco na esfera física, aprendendo lições e realizando estudos de alto valor moral, que ficam registrados em nosso inconsciente e supra consciente do corpo espiritual(períspirito). Nas informações que recebemos durante o sono, estão fatos que desconhecemos totalmente, como também, se encontram dados que ainda irão acontecer, numa mistura de precognição e retrocognição(futuro e passado),tão em moda nos círculos modernos dos pesquisadores das ciências paranormais. Defrontamos também durante o sono, com pessoas conhecidas nos mesmos lugares para onde vamos ou nos deixamos conduzir, estabelecendo uma rede de comunicações constantes, entre os vivos e aqueles que vulgarmente chamamos de “mortos”.

As viagens astrais que realizamos durante o sono, nem sempre nos levam a lugares de felicidade e progresso, onde se cultiva o bem e o belo; mas, facilmente em razão dos nossos hábitos perniciosos, pensamentos desequilibrados, ultrajantes e brutais, fazem com que espíritos desencarnados estacionados nas “trevas”, arrebatem os desprevenidos e inconsequentes, levando-os aos redutos do crime e da perversão, onde certamente se ampliam as percepções negativas. E é nessas regiões sombrias que se estimula o vandalismo,    promiscuidade psíquica, a crueldade e a infâmia,  trazendo-os depois, para o trabalho diário no campo das extravagâncias que buscam. Nesses encontros astrais, durante o sono e o desprendimento, são urdidas e planejadas as obsessões e planos de vingança em clima de crueldade, sob o comando de espíritos implacáveis, que ditam as formas de ação para o cumprimento das missões nefastas.

Muitas vezes o espírito que vai a esses locais obscuros, consegue manter a resistência aos apelos do mal, e nesses casos, desperta do sono padecendo de pesadelos horripilantes, resultado das impressões fluídicas pesadas do habitante das sombras. Mas, quando o espírito já se encontra comprometido com o mal, ele se chafurda nos mesmos planos de insensatez e loucura, despertando, no dia seguinte, aturdido, débil, desequilibrado, fixado nas ordens que recebeu das entidades do além, como se fosse um autômato, vítima de terrível hipnose, que, em síntese, não lhe foi imposta, mas buscada através da intemperança mental, e viciações de toda a ordem, fixadas no eu inconsciente e retratada na sua “aura humana”.

A lucidez durante o sono e o desprendimento, é variável e de acordo com a conquista de cada um, dependendo da densidade vibratória das emoções que alimente no seu cosmo orgânico e espiritual, durante suas experiências no cotidiano da vida diária. E é exatamente por isso, que é necessário um programa bem organizado antes de dormir, preparando o espírito para as aventuras oníricas que certamente vão acontecer. O hábito do “Culto no Lar”, da prece, além de uma leitura espiritual, silêncio e do recolhimento, coloca o espírito a disposição dos seus guias espirituais, que certamente vão velar pelo seu sono e desprendimento, corrigindo enganos e evitando aversões e antipatias, com os habitante do além, oferecendo recursos para a paz, alegria e felicidade, fazendo com que ao acordar no dia seguinte depois do sono e desprendimento, a pessoa esteja bem disposta, e com vontade hercúlea de continuar o trabalho no campo do bem.

 

Referências: Livro dos Espíritos e Céu e Inferno, de Alan Kardec.

                                       A  R  T  I  G  O: FATALISMO, COMPORTAMENTO E VIDA.

 

       Ao codificar a Doutrina do Consolador, o Espiritismo, ao lançar no dia 18 de abril de 1857, o Livro dos Espíritos, Alan Kardec, abriu a arca dos tesouros imortais, para que a humanidade inteira, pudesse tomar conhecimento das verdades eternas, que se encontravam escondidas sob um véu de mistérios e enigmas, só conhecidos pelos iniciados nas artes esotéricas, e pelos profetas, magos e feiticeiros da época, pois eram considerados assuntos proibidos para a massa comum, e só o que vazava eram os fenômenos das aparições ou assombrações, em castelos mal assombrados, cruz a beira da estrada, assustando as pessoas, sem nenhuma possibilidade de compreensão.

       É interessante observar, que Alan Kardec não inventou absolutamente nada, e tudo que consta da Doutrina Espírita já existia, e o que realmente fez, foi estudar atentamente os fenômenos espirituais, e dar uma explicação plausível, começando por estudar o magnetismo, muito em voga em Paris onde Kardec residia. Conheceu e se tornou amigo de Furrier, hipnotizador e magnetizador, com quem conviveu e aprendeu a força do poder magnético, e que está ligado a mediunidade. Frequentou junto com seu amigo, sessões de espiritismo que se realizavam em várias casas em Paris, conversando com espíritos desencarnados que se manifestavam, trazendo notícias do mundo espiritual.

       Kardec descobriu por si mesmo que existem dois mundos, o físico e o espiritual, mas que não são diferentes um do outro, e funcionam como se fossem dois grandes rios, que deságuam um no outro, através no nascimento, da vida e da morte. Descobriu ainda, que a morte não existe, pois só o corpo físico é atingido por ela, enquanto o espírito liberto do corpo somático, avança para novas dimensões do espaço infinito. Aprendeu também que, a vida física é necessária ao aprendizado do espírito, útil à sua evolução para Deus, e que isto é realizado através das reencarnações sucessivas, muitas delas com provas e expiações.

       Aprendeu ainda, que as Leis Divinas que regem a vida cósmica são eternas, e que não podem ser adulteradas ou modificadas, e que já se encontram na consciência do homem, agindo como se fosse um juiz de última instância, sem direito a apelação. O Livro dos Espíritos, foi editado com perguntas e respostas, para atender a demanda incrível de pessoas que gostariam de saber o que se passa depois da morte; porque as pessoas sofrem; porque uns morrem velhos e outros morrem jovens e até mesmo na infância; porque pessoas nascem com corpos deformados, sem os braços, sem as pernas, paraplégicos, surdos, mudos, sem a visão, sem a fala, e ainda os portadores de enfermidades de difícil cura e difícil diagnóstico.

       Muitos filósofos, pensadores, cientistas e escritores, afirmam que tudo é obra do fatalismo, ou seja, estamos fadados a passar por essas dificuldades, mas na realidade não existe fatalismo biológico, e nem mesmo o número de anos de vida, ou a hora da morte são definitivos; porque a longevidade, assim como a brevidade da existência corporal, podem ser alteradas para mais ou para menos, embora exista um programa estabelecido para cada espírito, tendo como base o comportamento e a contribuição que cada um oferece a roupagem carnal, para sua preservação ou desgaste prematuro.

       Todos os espíritos necessitam de um período em cada existência física, para realizar exercício de aprendizagem em que está inscrito, e não só tem meios, como pode abreviar ou ampliar os recursos de que dispõe e que são facultados a todos. Todo aquele que desperdiça grande quota de energias, impondo ao corpo físico sobrecargas deletérias e desnecessárias, fere o organismo biológico, ao contrário do indivíduo prudente, que tem respeito pela sua roupagem carnal, mantendo-a intacta e com saúde, sem adulterá-la através de macerações ou marcas exóticas, que além de prejudicar seu corpo somático, levam para o outro lado da vida essas retratações que durante muito tempo acompanharam o espírito na vida terrestre.

       Do mesmo modo, podemos afirmar que a forma de “morrer”, sem fugir da destinação própria de cada um, é o resultado de nosso modo de viver, muitas vezes impetuoso, imprevidente, precipitado, e em desacordo com as Leis Divinas que regem a vida cósmica, tornando-se alvo fácil de acontecimentos funestos, na maioria de casos violentos e cruéis. Homicídios, intoxicações, acidentes e desastres de várias modalidades que ceifam vidas, são resultados da imprevidência e da falta de responsabilidade, diante da vida e diante de Deus.

       A norma real da vida inteligente e responsável, é a aplicação da bondade e serenidade como hábito geral, mas a maior parte das pessoas se envolve com discussões acesas, desrespeito ao dever, negligência e autoritarismo, criando aversões e antipatias gratuitas, tornando-se afinal, vítimas de si mesmas, ou até mesmo suicidas indiretas. Muitos espíritos se demoram em comportamento pessimista, atitudes agressivas, nas quais se comprazem, intuídos ou não por entidades inferiores que se aproximam delas, porque encontram “brechas” na sua “aura humana”, que retrata com fidelidade e em cores, o que realmente somos.

       As causas que geralmente influem em nossa existência atual, estão nas experiências desta reencarnação na qual nos movimentamos, ou nas pretéritas, e que já estabeleceram os impositivos das reparações, que obrigatoriamente teremos que realizar, não para satisfazer desejos dos outros, mas para satisfazer desejos da nossa própria consciência imortal. Os vícios de qualquer espécie, são corrosivos para nossa vida: o alcoolismo gera distúrbios orgânicos e psíquicos irreparáveis, e é também desencadeador da loucura, da depressão e da agressividade, pelos problemas gástricos e renais, além da cirrose hepática. O hábito do fumo é a gênese dos cânceres de várias procedências, na língua e na boca, na laringe, infecções e enfermidades respiratórias, com destaque para o terrível enfisema de origem pulmonar. As drogas, descontrola as engrenagens sutis da mente e desagrega o metabolismo orgânico lesando órgãos e provocando ilusões mórbidas, que os viciados dizem vivenciar mesmo sendo de curta duração; além disso, seus efeitos passam de uma vida para a outra, gerando dependências que levam a sofrimentos inenarráveis.

       O uso abusivo do sexo, é o responsável pelas distonias emocionais, levando os indivíduos ao reduto de sensações primitivas, ao gozo insaciável, a exaustão; a terríveis frustações na velhice, quando a alcança, e a depressões que desorganizam o corpo somático e perturbam a mente humana, além da criação de campos de dificuldade afetivas com parceiros utilizados na licenciosidade, estabelecendo compromissos desditosos para o futuro. O excesso de alimentação, deforma a organização do corpo físico, e é o agente que sobrecarrega o aparelho digestivo, impedindo que ele exerça suas funções com normalidade, viciando-o na prática gula, gerando dispepsias, acidez e ulcerações de toda a ordem, contribuindo para a dificuldade de locomoção, e atrofiando os movimentos tão necessários para estabilidade do organismo físico.

       Os infortúnios que o homem enfrenta aqui na Terra são muitos, todos eles aceitos através da intemperança mental, e muitas pessoas tem consciência desse perigo, que, no mais das vezes, tira até a vida em tempo prematuro; mas somente o conhecimento de si mesmo, poderá levar o homem a compreender que o seu organismo físico é uma doação divina, um instrumento de evolução para Deus, e deve ser preservado até o momento fatal, em que teremos de atravessar as águas enigmáticas do rio da morte.

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