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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2018
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Em 17 de abril de 1944, após mais de um ano presa como comunista perigosa e vários anos vivendo na clandestinidade, adentra os portões do então Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro a psiquiatra, mulher, que se tornaria a personalidade mais importante do século XX na área da saúde mental. Nise da Silveira (1905-1999), a alagoana que revolucionou o tratamento de esquizofrênicos introduzindo a arteterapia como modo de expressão das emoções e dos conteúdos inconscientes.

O grande Sigmund Freud, criador da Psicanálise, entendia o inconsciente como uma instância psíquica. Portanto não representa um local físico ou região cerebral. Não é geograficamente localizável, mas tem muita relação com a memória. Nele se guardam conteúdos e vivências indesejáveis, além de potenciais tanto negativos quanto positivos que aguardam oportunidade propícia para emergir à consciência. Para o Espiritismo qual o correlato para o inconsciente?

No Espiritismo, o que mais se aproxima do conceito de inconsciente é o perispírito com todos os arquivos de memórias de vidas passadas, de vidas intermediárias como espírito errante e da vida atual também. Onde tudo permanece registrado mesmo aquilo que não desejamos ou não podemos lembrar. Ao mesmo tempo, sendo o perispírito intermediário entre o Espírito e o corpo físico, permite transicionar toda espécie de conteúdos vindos do Espírito em direção à matéria física ou que são assimilados por esta e enviados na direção do Espírito para aí serem convertidos em experiências e aprendizados.

Há conteúdos que fazem parte do Espírito que não queremos (por serem dolorosos ou contrários à nossa moral) ou não conseguimos que alcancem a consciência (ou o campo físico). Criamos resistências que impedem esse livre trânsito. Quando mal elaborado, isto muitas vezes gera o que convencionamos chamar de doenças. O que está inconsciente, porém, sempre encontra uma forma de se revelar. Através dos sonhos, da imaginação, da fala, da arte em geral, sendo este um meio muito eficaz para deixar o inconsciente, ou seja, o que está guardado na nossa memória perispiritual, se expressar.

A Dra. Nise descobriu isso e teve a confirmação quando passou a conhecer a Psicologia Analítica do suíço Carl Gustav Jung, outra grande personalidade do século XX. Nise passou a incentivar a arte, principalmente a pintura, entre os internos psiquiátricos com os quais convivia, não somente humanizando a psiquiatria, como obtendo excelentes resultados na saúde dos doentes.

Nos estados de transe provocados pelo magnetismo animal pudemos observar, nas nossas experiências, que em nível relativamente superficial do transe emergem por vezes imagens vívidas e cheias de dinamismo que correspondem a estes conteúdos que teimam em encontrar uma brecha por onde alcançar a consciência, pois que reclamam providências quanto à solução das problemáticas que conduzem e que são ignoradas no mais das vezes.

Causam sofrimentos interiores, machucam, por isso são ignoradas por nós, mas representam questões mal resolvidas que não devem ser simplesmente esquecidas, mas trazidas à tona a fim de serem transformadas, ressignificadas passando a gerar alegria e paz interior.

Assim é que, em diversas oportunidades, ao induzir magneticamente um sujet ao sonambulismo, ao passar por estes estados intermediários de transe, nos deparamos com situações deste tipo requerendo de nós sensibilidade e senso crítico a fim de ajudar o sensitivo a libertar-se da dor causada por aqueles conteúdos que precisavam ser interpretados, acolhidos e ressignificados, auxiliando-o na cura da sua alma ainda presa a demandas do seu passado desta ou de outras encarnações. Assim, os conteúdos inconscientes revelados pelo simbolismo da arte podem ser expressos de modo mais direto através das faculdades anímicas.

Freud, no início das suas experiências com o inconsciente e antes de existir propriamente a Psicanálise, utilizava a hipnose (conhecimento herdado do seu mestre Charcot) para o acesso ao inconsciente, tendo mais tarde desenvolvido outras técnicas que o fizeram deixar de lado o hipnotismo.

No trato com o sonambulismo podemos nos deparar com situações delicadas que exigem do magnetizador perspicácia, conhecimento e sensibilidade a fim de contorná-las ou resolvê-las sem deixar sequelas no psiquismo do sonâmbulo.

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