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O codificador do Espiritismo, na qualidade de pesquisador dos fenômenos mediúnicos, na sua obra O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo, publicada em 1º de agosto de 1865, contraria frontalmente aqueles que admitem que pelo suicídio seus sofrimentos terminarão. Porém, as comunicações de espíritos de suicidas através dos médiuns, nas reuniões espíritas, demonstram que as dores que experimentam após a morte do corpo são inenarráveis, e o maior desapontamento é o de verificarem que a morte não os livra de seus tormentos e pior: são em muito aumentados pelo gesto de revolta praticado.

1ª PESQUISA
Informações prestadas na mensagem de suicida confirmada pelo noticiário do jornal

Na obra anteriormente citada, Allan Kardec registra a comunicação de François Simão Louvet, dada espontaneamente em uma reunião por ele dirigida, no Havre, em 12 de fevereiro de 1863, na qual o espírito diz melancolicamente:

"Tereis piedade de um pobre miserável que passa de há muito, por cruéis torturas? Oh! O vácuo... o espaço... despenho-me... caio... morro... Acudam-me! Deus, eu tive uma existência tão miserável... Pobre diabo, sofri fome muitas vezes na velhice; e foi por isso que me habituei a beber e ter vergonha e desgosto de tudo."

Após a comunicação do pobre suicida, um espírito instrutor esclareceu que François tinha tido na Terra a prova da miséria, e vencido pelo desgosto faltou-lhe a coragem. Em vez de olhar para o céu como devia, entregou-se à embriaguez. Informou ainda que ele, descendo aos extremos do desespero, atirou-se da Torre Francisco I, no dia 22 de julho de 1857. Ao final de seus informes, o benfeitor espiritual roga piedade aos presentes àquela reunião para a "alma" do infortunado suicida, que não era adiantada, mas que desejava reparar o seu erro em uma nova encarnação.

Buscando informações a respeito, Allan Kardec encontrou no jornal do Havre, de 22 de julho de 1857, a notícia que dava conta do lamentável acontecimento, onde em certo trecho dizia: "um homem atirou-se da torre, vindo a despedaçar-se sobre as pedras". Era um velho puxador de sirga, cujo pendor a embriaguez o arrastara ao suicídio. Chamava-se François Victor Simão Louvet. Tinha 67 anos de idade.

2ª PESQUISA
Comunicação de Pascal Lavic sobre sua morte também é confirmada pela imprensa

O Codificador do Espiritismo faz um relato no livro O Céu e o Inferno, de uma comunicação recebida pela mediunidade psicográfica, do espírito Pascoal Lavic, na cidade de Havre, na França, no dia 9 de agosto de 1863. Este Espírito, segundo Allan Kardec, sem que o médium o conhecesse em vida, mesmo de nome, comunicou-se espontaneamente, dizendo:

"Creio na bondade de Deus, que, na sua misericórdia, se compadecerá do meu Espírito. Tenho sofrido muito, muito; pereci no mar. Meu Espírito, ligado ao corpo, vagou por muito tempo sobre as ondas. Deus..."
A comunicação foi interrompida, e no dia seguinte o Espírito prosseguiu:

"... houve por bem permitir que as preces dos que ficaram na Terra me tirassem do estado de perturbação e incerteza em que me achava imerso. Esperaram-me por muito tempo e puderam enfim achar meu corpo. Este repousa atualmente, ao passo que o Espírito, libertado com dificuldade, vê as faltas cometidas. Consumada a provação, Deus julga com justiça, a sua bondade estende-se aos arrependidos. Por muito tempo, juntos erraram o corpo e o Espírito, sendo essa a minha expiação. Segui o caminho reto, se quiserdes que Deus facilite o desprendimento de vosso Espírito. Vivei no seu amor, orai, e a morte, para tantos temerosa, vos será suavizada pelo conhecimento da vida que vos espera. Sucumbi no mar, e por muito tempo me esperaram. Não poder me desligar do corpo era para mim uma terrível provação, eis porque necessito das preces de quem, como vós, possui a crença salvadora e pode pedir por mim ao Deus de justiça. Arrependo-me e espero ser perdoado. A 6 de agosto foi meu corpo encontrado. Eu era um pobre marinheiro e há muito tempo que morri. Orai por mim. Pascal Lavic."

Allan Kardec, perguntando onde foi achado o corpo dele, recebeu a seguinte resposta: "Não muito longe de vós."

Pesquisando o Journal du Havre, de 11 de agosto de 1863, Kardec encontrou o seguinte tópico, do qual o médium não podia ter ciência:

"Noticiamos que a 6 do corrente se encontrara um resto de cadáver encalhado entre Bléville e La Héve. A cabeça, os braços e o busto tinham desaparecido, mas apesar disso, pôde verificar-se a sua identidade pelos sapatos ainda presos aos pés. Foi reconhecido o corpo do pescador Lavic, que fora arrebatado a 11 de dezembro de bordo do navio L'Alerte, por uma rajada de mar. Lavic tinha 49 anos de idade e era natural da cidade de Calais. Foi a viúva quem lhe reconheceu a identidade".

A 12 de agosto, como se tratasse desse acontecimento no Centro em que o Espírito se manifestara pela primeira vez, deu este de novo e espontaneamente, a seguinte comunicação:

"Sou efetivamente Pascal Lavic, que tem necessidade das vossas preces. Podeis beneficiar-me, pois terrível foi a provação por mim experimentada. A separação do meu espírito do corpo só se deu depois que reconheci as minhas faltas; e depois disso, ainda não totalmente destacado, acompanhava-o no oceano que o tragara. Orai, pois, para que Deus me perdoe e me conceda repouso. Orai, eu vo-lo suplico. Oxalá este desastrado fim de uma infeliz vida terrena vos sirva de grande ensinamento! Devem ter sempre em vista a vida futura, não deixando jamais de implorar a Deus a sua divina misericórdia. Orai por mim; tenho necessidade que Deus de mim se compadeça."

Publicado no Jornal Correio Espírita
edição 63 Setembro 2010

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