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Se tudo o que dizem a respeito de Carmine Mirabelli for verdade, ele foi sem dúvida o mais espetacular médium de efeitos físicos da História. Se alguma coisa do que dizem dele for verdade, ele não deve ser omitido de qualquer resenha do cenário psíquico do Brasil, como o foi em várias ocasiões. E, depois de ouvir algumas das coisas que dizem dele, vinte anos depois de sua morte, acho difícil pensar o seu nome sem lhe apor dois pontos de admiração (Guy Playfair. A Força Desconhecida, pág. 62).

Carmine Mirabelli, que trocou seu nome para Carlos para evitar confusão com Carmem, um nome feminino, nasceu em 1889, na cidade paulista de Botucatu. Era filho de um pastor protestante que viera da Itália para o Brasil a fim de tentar a sorte, no que foi muito bem sucedido. Sua formação primária se fez na cidade de Itu, onde demonstrou uma inteligência precoce, entretanto, jamais aprendeu muito bem nem a língua de sua família e nem a do país em que nascera.

Mais tarde, mostrou um considerável talento para ganhar dinheiro em uma transação, vendendo uma partida de camisas para serem usadas em lampiões de gás alemão. Anos depois, ganhou considerável quantia trabalhando com compra e venda de terrenos. Parece não padecer dúvidas o fato de ter cobrado pior seus serviços em algumas oportunidades. Um de seus folhetos deixava claro que cobrava, e não pouco, por consultas pessoais. Vamos, em seguida, tratar da mediunidade de Mirabelli.

Mirabelli foi certamente um médium muito poderoso.  Ele conseguiu produzir textos por escrita automática em mais de trinta línguas vivas e mortas; mediunizado, falava em numerosos idiomas (xenoglossia); era capaz de materializar diversos tipos de objetos e até mesmo pessoas; transportava qualquer coisa de um lugar para outro, fosse o que fosse de ramalhetes de flores a móveis pesados e grandes; levitava mesmo quando, em virtude das condições de controle experimental estava amarrado em uma cadeira; costumava produzir impressões de espíritos em bandeja de farinha de trigo ou em baldes de cera; por fim, era capaz de materializar objetos dentro de uma gaveta fechada e, o mais fantástico: conseguia desmaterializar o próprio corpo.

Além de todas essas coisas fantásticas, Mirabelli, segundo o testemunho de muitas pessoas, conseguia entrar em contato com espíritos desencarnados e pintar-lhes os retratos, estes que eram confirmados pelos parentes do morto. Em estado de transe profundo, tocava piano ou violino com a habilidade de um grande mestre, posto que não tivesse talento musical e nem formação especifica.  Escrevia longa e substancial mensagem de várias páginas em poucos minutos, ao mesmo tempo em que conversava em uma língua diferente daquela que era usada na escrita que estava fazendo.

Uma das críticas que se costuma fazer aos médiuns de efeitos físicos é que eles trabalham na escuridão ou semiobscuridade, o que facilitaria os seus truques. Mirabelli não pode ser acusado disto, uma vez que fazia seus fenômenos em plena luz do dia ou em recintos muito bem iluminados e, em muitos casos, perante a mais de 500 testemunhas. Jamais deixou de se submeter aos mais variados tipos de controle: não tinha objeções a que lhe revistassem a roupa ou a casa, que o algemassem ou o amarrassem como bem o entendessem.

Uma das pessoas que conviveu com Mirabelli e testemunhou alguns de seus espetaculares fenômenos foi Eurico de Góes, um homem de notável cultura, que foi o organizador da primeira biblioteca do Estado de São Paulo.

O vínculo de Mirabelli e Eurico de Góes foi criado do seguinte modo. Eurico havia sido casado com uma bela mulher que desencarnara bastante jovem, deixando-o desalentado. Eurico, então, procurou Mirabelli para tentar um contato com a esposa falecida. O médium conseguiu a materialização parcial do espírito. Embora não fosse total a materialização, Eurico não tinha duvidas de que era a sua esposa que estava ali à sua frente.

Em razão disto, Mirabelli e Eurico se tornaram amigos. Entre muitas coisas escritas sobre este médium, o texto mais completo e melhor documentado, neste caso, foi o de Eurico, que se intitula Prodígios da Biopsíquica com o Médium Mirabelli, com cerca de 470 páginas. Este livro foi publicado em São Paulo, em 1937. Há também, sobre Mirabelli, um livro de Lamartine Palhano, publicado pelo CELD (Editora E Léon Denis).

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