pteneofrdeites
Compartilhar -

A morte nada acrescenta e nem retira de quem morre. Ao desencarnar, apenas deixamos nossos corpos no estado intelectual e moral que nos encontramos no momento final. Em função do corpo fluídico (perispírito), o desencarnado sente as mesmas sensações (e às vezes bem mais forte do que quando estava encarnado) que sentia quando vivia em seu corpo de carne. Assim, o alcoólatra que desencarna sofre do outro lado, a pressão do desejo de beber, criado pelo condicionamento adquirido em vida; o sexófilo delira e arde de desejo no corpo astral; os dependentes das chamadas drogas pesadas caminha desesperado à procura do objeto de que dependem; o jogador sem seu corpo de carne, vai para os cassinos e fica ao lado dos que jogam, tentando influenciar sobre eles ou jogando com eles por tabela, e assim por diante.

Todas essas formas desencarnadas, sofridas e angustiadas, desejam prosseguir com o seu vício, porém, sem um corpo matérial, nada podem fazer. A solução neste caso, seria a metanoia (ou mudança de espírito); deste modo, através deste processo renovador, o espírito sofredor pode buscar ajuda dos espíritos bondosos que, em caravanas socorristas, visitam regiões sombrias para auxiliar estes espíritos sofridos.

Aqueles, porém, que não escolhem a metanoia, mais cedo ou mais tarde, encontram outros espíritos em condições idênticas às suas, entretanto, com maior experiência no astral inferior. Estes desenvolveram técnicas por meio das quais conseguem, em parte, continuar com o seu vício, valendo-se da estrutura espiritual dos encarnados.

Casos há em que, bêbados, alcoólatras encarnados são verdadeiros “canecos vivos” de entidades vampirizantes desencarnadas que bebem por meio deles. Certa vez eu li ou ouvi, não mais me lembro onde nem quando, a seguinte frase: Deus protege os bêbados e as crianças. Esta frase não é apenas um dito poético de efeito, mas pode ter um pé na realidade. O espírito vampirizador pode proteger o seu caneco vivo, uma vez que não interessa a ele perder este recurso. Dai cuidar dele para que ele possa continuar à sua disposição.

Em verdade, porém, não se pode perder de vista a relação entre o vampirismo e a obsessão. O vampiro neste caso é o obsessor e o vampirizador, o obsedado. Há aqui também um aspecto que não se poderia deixar de lado em se tratando de vampirismo. Refiro-me à simbiose. No campo da Biologia, entendese por simbiose uma relação entre duas criaturas na qual ambos possuem alguma forma de vantagem.

Assim, em muitos processos obsessivos, o encarnado aceita e, de certo modo, até mesmo incentiva a ação do desencarnado. Nesse caso, o segundo “sopra” ao primeiro ideias sórdidas de literatura barata ou de filmes pornográficos; sugere-lhe desejos perversos; enche-lhe de vaidade o ego desviado e o encarnado recebe essas sugestões e as aceita gostosa-mente. Assim seguem os dois sem que se saiba quem obsedia quem.

Presos na mesma rede de interesses mesquinhos, o encarnado e o desencarnado participam como cúmplices das ações praticadas e a cura, nesses casos, é muito difícil, pois há que se tratar dos dois (encarnado e desencarnado), porque ambos se encontram doentes.

Certa vez um espírito teria feito uma pergunta em linguagem metafórica: O que seria melhor para o portador de uma ferida exposta e dolorida: espantar as moscas que nela pousam ou curar a chaga? Por certo não seria espantar as moscas, porque eles voltariam sempre elas voltariam sempre atraídas pela ferida. O certo seria curar a ferida, fazendo com que as moscas perdessem o motivo de ali pousar. Nessa alegoria, as moscas seriam os obsessores e a ferida a alma do obsidiado.

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado