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Como espírita: qual a sua opinião sobre a música no Centro Espírita?

 

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Eu considero a sua utilidade marcante. Só teríamos cuidado de deixar claro que nas nossas reuniões espíritas ela é qual uma prece. Isso se dá selecionando-a previamente em estado de oração, pedindo a cooperação dos mentores da casa e de entidades capacitadas voltadas para a arte no Mundo Maior.

 

Existe na Humanidade uma confusão entre músicas instrumentais, puramente, e músicas com letra. A atuação na nossa psique da música instrumental adequada é muito mais a nível inconsciente e profundo. Por isso é necessário uma pré-seleção verdadeiramente inspirada. E que toque abrangentemente a totalidade das pessoas com sua melodia, harmonia e ritmo (os 3 componentes da música).

E a música com letra, cantada, é, por outro lado, emissora de duas mensagens que podem ser unidas ou não. Por isso há a necessidade de que, no momento em que o compositor faz a música ter uma letra compatível. Existe muita música de letra espírita belíssima, de grande utilidade para nossas almas, com a sua melodia também direcionando-nos a vibrar em nossas almas a caridade, o perdão, a renúncia, o amor etc. Entretanto, outras não possuem essa parceria unidirecional entre letra e música. Isso é importante, porém, intuitivo de quem atua na escolha musical do centro.

 Na música com letra, a Humanidade se fixa mentalmente nas palavras, se esquecendo da mensagem subliminar da música. Além disso, é preciso saber a hora de utilizar certos tipos de música, como, por exemplo, antes de uma palestra. Nesse momento é mais adequada a música cantada, ou por um grupo, ou pela assistência, ou mesmo gravada. Na hora do passe, é mais adequada música instrumental muito suave, volume baixo. Numa reunião mediúnica, também teria que se utilizar a instrumental, entretanto, não todo o tempo suave, inclusive podendo oscilar em estilos, para não induzir ao sono.

A instrumentalização deve ser de preferência, clássica ou utilizar arranjos instrumentais de canções espíritas. No final de uma reunião, pode se utilizar as duas formas, instrumental ou cantada, desde que essa última seja, de preferência, concordante com temas da palestra.

 

Qual a influência espiritual em suas composições?

 

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É uma atuação espontânea, bastante limítrofe entre o que é meu e o que passa por mim. Desde 9 anos de idade, componho, porém, a partir de 12, é que tive, com certeza, ajuda de amigos espirituais, seja no violino, no acordeom e no piano. (Este último, comecei a estudar aos 14 anos).

 Sempre fiz composições instrumentais para solo ou para grupos. Já fiz também algumas músicas com letras escritas por mim e algumas outras de poetas espíritas, encarnados ou não. Mas foram em pouca quantidade, em comparação àquelas para instrumentos, principalmente para o piano.

A ajuda espiritual se faz em mim por 3 formas: ou em sonhos, ou escrevendo, ou tocando diretamente. Em sonhos, quando consigo recordar, anoto num papel de música ou gravo diretamente no piano eletrônico, tocando. Escrevendo, vou passando o que me vem à mente, às vezes muito rápido. E, finalmente, tocando diretamente ao piano, sem saber o que vai chegar, o que tem sido mais frequente nos meus CDs. Portanto, nesses casos, a música sai pronta pelos dedos, gravando no piano eletrônico, ou memorizando-a, só tendo o trabalho de escrevê-la mais tarde. Aliado às inspirações que vêm do alto e às minhas, existe toda uma técnica pianística que eu imprimo em cada momento de composição.

 

Como podemos avançar na sedimentação artística nos meios espíritas?

 

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Oferecendo cursos gratuitos de várias artes, bem básicos para iniciantes ou mais avançados para quem já tem noção artística. De uma forma bastante prazerosa e não cansativa. Incluindo sempre referências nas palestras quanto à necessidade da Arte na vida de todos, como uma forma de representação de Deus, unindo o Belo ao Bem e ao Bom.

 Já freqüentei centros que tinham horas artísticas após a mocidade, todos os sábados e às vezes, após as palestras, com piano, violino, violão, coral e poesias. Na literatura espírita, encontramos referências fartas a nos falar da função da arte no mundo material e espiritual.

 Em Allan Kardec, Chico Xavier, Yvonne Pereira e León Denis temos exemplos disso. Também um livro muito esclarecedor, para espíritas músicos ou não, da médium inglesa Rosemary Brown, pela editora Boa Nova, "Contatos Musicais - Grandes Mestres Compõem do Além". Além de artigos na Revista Espírita, fundada por Allan Kardec e muitas outras fontes, das quais não temos conhecimento, mas é perfeitamente possível pesquisar, inclusive pela Internet.

 

 

 

 

Abril 2016.

Entrevista com o músico espírita Itajara Dias (Parte III)

 

De que maneira a música pode ajudar na educação espiritual das pessoas?

 

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Em minha opinião, defino a música como sendo uma "entidade" que eleva os nossos sentimentos, fazendo com que nos proporcione alento, como se levasse ao seu colo a nossa alma, tirando-nos do contato direto com o mundo, fazendo-nos avaliar sob outros prismas a própria vida. Isso, com certeza é uma ajuda; porém, sem uma orientação moral, de cunho espiritual evangélico, acho uma ajuda incompleta. É exatamente por isso que eu levo as minhas composições aos centros espíritas. O lugar ideal, para mim, onde se faz essa comunhão: música e educação espiritual.

 

Fale sobre o seu novo CD e a experiência de poder tocar junto com seu filho.

 

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O meu mais novo CD é o "MELODIAS INFANTIS AO PIANO" no qual eu faço uma reminiscência de 36 melodias da minha infância, tocadas e improvisadas ao piano por mim, trazendo não só para mim mas para todas as pessoas de todas as idades um pouco do que ficou quase apagado da memória cultural do povo.

 São cantigas de roda folclóricas, em sua maioria, que inicialmente, eram destinadas a aulas de ballet infantil e às crianças e jovens em geral mas logo foram identificadas como agradáveis a todas as pessoas, porque também relembram à terceira idade épocas que não voltaram mais.

 O meu CD anterior, o "LUZES", traz uma participação do meu filho Vinnicius Dias na última faixa, com a Ave Maria, de Bach e Gounod, tocando a 4 mãos. Neste CD, a única música que não é composição minha é a Ave Maria. É muito gratificante tocar com ele a quatro mãos e a 2 pianos, porque ele é de muita sensibilidade artística, além de também ser formado em piano como bacharel e licenciado.

 Nos recitais que faço, ele participa tocando em solo e a 4 mãos, assim como nos recitais dele eu participo da mesma forma. Além de ter sido convidado por mim a tocar ensaios em temporadas no Teatro Municipal do RJ, onde sou pianista há 30 anos. Acrescentaria, ainda, que nós temos o Projeto " Um Piano nas Escolas", em que ele é o idealizador e principal pianista.

 Fazemos, também, o meu Projeto "Um Piano na Rua", que leva a música clássica à população em geral, em lugares não muito comuns, para o piano clássico, como jardins, praças, clubes, instituições de caridade etc. Eu e o Vinnicius Dias estaremos em 2016 dando continuidade ao Projeto "UM PIANO NA RUA", fazendo também diversas apresentações em centros espíritas de todo o Brasil. Nesses programas sempre incluo minhas composições, incluindo as que estão nos CDs, como também canções do CD "MELODIAS INFANTIS AO PIANO", além de clássicos conhecidos do público, principalmente do público espírita. Se você ou alguém mais estiver interessado poderá fazer convite à nossa empresária, minha esposa Penha Ribeiro, através do e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Fazemos também apresentações em várias salas de concerto do Brasil e exterior, no qual tocamos músicas de piano clássico dos grandes compositores do repertório internacional de concerto, além dos compositores brasileiros, incluindo minhas composições.

O Vinnicius participa seja em solos de piano, ou a 4 mãos comigo ou a 2 pianos. Por todo esse trabalho de pianista e compositor brasileiro, recebi homenagens do Consulado da Rússia no Brasil por diversas vezes. Graças a Deus, minha atuação como pianista e compositor tem sido bem reconhecida tanto aqui como lá fora, sendo que em todos os lugares as minhas composições são tidas como carregadas de "algo cativante".

Agradeço o carinho de suas respostas, desejando mais sucesso em sua trajetória musical e mediúnica.

A sua presença em nosso movimento espírita é muito importante, devido à qualidade acadêmica, vivência humana e sensibilidade artística, que, certamente, faz com que a gente pense melhor sobre esses valores humanos e artísticos do ser imortal.

           

“A arte pura é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse “mais além” que polariza as esperanças das almas”. Emmanuel – O Consolador

“O Espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites. A comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível, as informações fornecidas sobre as condições da vida no Além, a revelação que ele nos traz das leis superiores da harmonia e de beleza que regem o Universo, vem oferecer aos nossos pensadores e artistas inesgotáveis temas de inspiração.” Léon Denis – O Espiritismo na Arte

“As Artes não sairão do torpor em que jazem, senão por meio de uma reação no sentido das idéias espiritualistas.”[...] “[...] É matematicamente certo dizer que, sem crença as artes carecem de vitalidade e que toda transformação filosófica acarreta necessariamente uma transformação artística paralela.” Allan Kardec – Obras Póstumas

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