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Como Nasceu o Diabo (II)

Por José Carlos leal

diabo1Até o momento do encontro da cultura judaica com a religião persa, o diabo judaico se chamava, em hebraico, Satã e, em aramaico, Sitina. Em qualquer dos casos (Satã ou Sitina) o sentido é de acusador, adversário. O demônio hebraico não é um inimigo de Deus mas um de seus colaboradores. No Livro de Jó, vemos Satã conversando com Deus amigavelmente e até propondo ao Criador um teste sobre a fidelidade do Varão de Hus.

            A ideia de oposição entre o Bem e o Mal não eram estranhas ao Judaismo. Os antigos judeus acreditavam na existência de dois princípios opostos: O Yetzer - Tob e O Yetzer Ha - Rah, o primeiro, representando o bem e o segundo, o Mal. Considerando este aspecto, o demônio judaico poderia ser considerado como uma representação do Yetzer Ha - Rah. Assim, o modelo binário do Mazdeismo encontrava eco em concepções judaicas, o que, por certo, facilitaria influências recíprocas.

            Muito provavelmente - diz Arthur Lyons (The Seconde Coming. The Cult of Devil Worships) - o demônio do Mazdeismo exerceu alguma influência nas gestalt do demônio judaico. Assim, o velho Satã judaico se torna o causador dos males do mundo, a serpente que tentou Eva no Paraíso. Por este mesmo motivo, o Sheol se converte em inferno. O diabo judaico passará para o Cristianismo associado a novos elementos e torna-se o Rei deste mundo, O Pai da Mentira, O Dragão e assim por diante.

            A leitura dos Evangelhos acrescentam um novo dado ao problema: o diabo vive no mundo dos homens e se esforça constantemente no sentido de se apossar da alma humana ou pela sedução (tentação) ou mesmo pela violência. O texto evangélico está repleto de relatos sobre as lutas de Jesus contra demônios que haviam se apossado de corpos e mentes humanas, causando-lhes grandes perturbações e prejuízos. Com o texto evangélico recupera-se, em parte, a tradição mesopotâmica sobre a ubiqüidade dos demônios e a necessidade de exorcizá-los do corpo dos possessos.

            Nos Evangelhos o demônio não é apenas um espírito maligno ocupado em causar doenças físicas e mentais ao ser humano. Ele é também o grande tentador cuja ousadia é tão grande que o leva a tentar o próprio Cristo. Resgata-se, assim, o papel cósmico do diabo. Na tentação do Cristo, o demônio exerce o papel metafísico de opositor da divindade. Ao se aproximar de Jesus no deserto, o demônio põe em risco o plano de Salvação da própria humanidade. Jesus o enfrenta e sai vencedor e Satã repelido, mas não destruído, volta ao mundo dos homens para esperar uma nova oportunidade.

            Depois de cessarem as perseguições e o Cristianismo se tornar a religião oficial do Império Romano, a Igreja inicia a conversão dos bárbaros. Por esta época entra em contato com a mitologia dos povos germânicos e celtas cujos deuses como Thor, Odin, Loki em virtude de seu caráter ambíguo e violento assimilam-se facilmente a figura do demônio. A partir deste momento, já temos a figura tradicional do diabo como opositor de Deus ou o principio do mal no mundo conforme nos ensinam os teólogos católicos e evangélicos.
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