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A Lição de Francisco de Assis sobre a não violência

Por José Carlos Leal

sao franciscoUm dos mais belos poemas religiosos da Idade Média é, sem sombra de dúvida, a prece de
Francisco de Assis: sintética, objetiva, clara e rica de ensinamentos. Façamos sobre ela algumas
considerações sobre os seus primeiros versos.

1. Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz.

Esta frase de abertura nos remete ao Sermão do Monte onde Jesus nos diz: Bem aventurados
os pacificadores porque eles serão chamados Filhos de Deus (Mat. VI. 9). A palavra
pacificador significa fazedor da paz, promotor da não violência. A história da civilização
ocidental é a história da violência. São inúmeras as guerras feitas pelos mais diversos motivos
e até mesmo pela religião. O Ocidente desenvolveu uma cultura guerreira onde a não violência
é confundida com a covardia e o guerreiro é tido como padrão de homem ideal. Isso não se dá
apenas nas guerras, mas nos mais diversos setores de nossa vida. Nos esportes, por exemplo,
temos desde os gladiadores romanos aos modernos lutadores de UFC. Jesus já sabia disso e por
isso nos advertiu de que se quisermos ser chamados filhos de Deus, temos que romper com a
violência e nos tornamos cultores da Paz. Francisco também percebeu isso e nos deixou o belo
conselho na forma de um pedido, no inicio de sua prece.

2. Onde houver ódio, que eu leve o amor

Este é o dever do pacificador: não estimular o ódio, mas combatê-lo com o fogo do amor.
Tenho visto pessoas que gostam de estimular a violência em brigas de rua, não desapartando
os brigões e nem permitindo que os desapartem. Pobres seres humanos que gostam de ver
explosões de ódio e violência por não conhecerem o amor de Deus.

3. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão

Continua a ideia da pacificação porque o perdão é a água cristalina que detém o fogo das
paixões violentas. Quando perdoo estou estabelecendo a paz entre mim e o meu ofensor e
evitando que o ódio tome forma desproporcional em meu coração tornando impossível, nesta
encarnação, que me reconcilie com o meu adversário e isso me trará sem dúvidas dores futuras
em outras vidas.

4. Onde houver discórdia, que eu leve a união

A palavra discórdia é o oposto da palavra concórdia. Ambos derivam do termo latino
cor, que significa coração. Assim, discórdia significa estar com o coração afastado de,
e concórdia é estar com o coração junto de. Assim, é dever do cristão unir os corações,
aproximar as almas com o cimento do amor. Este é o trabalho de pacificação. Trabalho que
não é utópico, pois em nosso tempo um homem chamado Mahatma Gandhi colocou em
prática a teoria da não violência com pleno sucesso. Queira Deus que possamos nós dar
início a esse trabalho de desarmamento das almas para que, um dia, possamos ser dignos de
ser chamados filhos de Deus.
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