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Pedro Valiati

Pedro Valiati

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Graphic1O tema é polêmico nos arraiás espíritas, eu sei. Porém, como passamos da época eleitoral, o nosso estudo do mês não irá influenciar resultados.
O termo "política" é derivado do grego antigo politeía, que indicava todos os procedimentos relativos à pólis (ou cidade-estado). Por extensão, poderia significar, igualmente, cidade-estado quanto sociedade, comunidade, coletividade etc. Ou seja, trata-se da ciência de administrar em favor de todos. De fato, em minhas pesquisas, não pude encontrar na Codificação Kardequiana nenhuma referência direta à política, o que é absolutamente desnecessário, pois a lei de amor e justiça, referindo-me diretamente a lei de causa e efeito, reza de forma muito clara as consequências dos nossos atos, bons e maus.
De acordo com o próprio termo, o político é antes de tudo um representante, um líder nomeado pelo e para o povo. Seu mandato e ações ecoam não apenas no plano carnal, porém, assimilam o caráter redentor ou infeliz, obedecendo aos impositivos das próprias escolhas, exatamente como em todos os setores da sociedade.
Infelizmente, é de conhecimento de todos que a política no nosso País não é respeitada, em sua plenitude, por toda classe de políticos. Aliás, não apenas no Brasil, escândalos do setor público surgem em todas as partes do mundo, incluindo os países dados como desenvolvidos. Absolutamente natural, pois o homem é falho em todo o globo.
Entretanto, tal assunto fermenta nas casas espíritas, especialmente nas eleições para prefeito, onde grande número de pessoas se candidata ao cargo de vereador, todos com suas “chapas”, planos e propostas. Justo, pois se política é tratar do coletivo, é natural que este coletivo esteja fracionado, como de fato está. No congresso temos a bancada dos ruralistas, representando e recebendo os incentivos dos produtores rurais; temos os defensores dos animais, suportados pelos amigos da causa e ONG’s; existem os que defendem os esportes etc. Contudo, temo pelo movimento que se tem criado pela “Representação Espírita nas Câmaras de Vereadores Municipais”. Retóricas do tipo “O Espírita precisa estar em todos os meios da sociedade”, concordo, a questão é: Como representar a sociedade de forma salutar e ao mesmo tempo não desviar da proposta do Movimento Espírita?
Creio não podermos abrir comparação com outras religiões, todas possuem as suas particularidades. Padres, bispos e cardeais católicos, por exemplo, participam amplamente do debate político sem, no entanto, candidatarem-se a cargos públicos. Estes são obrigados a pedir “dispensa” das funções sacerdotais para assumir cargos públicos, continuam sendo padres, porém, não podem acumular as funções. Pastores evangélicos recebem um salário de sua igreja, caso diferente dos espíritas, visto o compromisso com o voluntariado. Mesmo assim alguns espíritas perguntam, “Por que o espírita não pode candidatar-se?”. É claro que pode, entretanto, na minha opinião, não deve usar a bandeira espírita como plataforma de eleição.Analisemos as motivações:

1 – O movimento espírita é feito de trabalhadores voluntários, jamais poderemos adquirir benefício próprio ou para outrem tendo como meio o movimento espírita. Todos nós sabemos que os cargos públicos são remunerados.

2 – Infelizmente, as tentações da política são muitas. Apesar de sermos falhos, seria desnecessário para o movimento espírita, bem como para o próprio líder político, ser apanhado em atos fraudulentos empunhando a bandeira espírita. Definitivamente, o movimento espírita não precisa passar por isto, e nós, igualmente, não necessitamos de tal comprometimento moral grave.

Não precisamos dizer-nos espíritas para sermos espíritas. Todo bom candidato necessita de uma proposta, ideias para melhorar o coletivo. E, se eleito, deve cumpri-la com dignidade e afinco. Uma pessoa que se declara candidato e pleiteia para tal cargo público pelo simples fato de ser espírita, na minha opinião, por si só não merece o meu voto de cidadão. Para termos ideia da cegueira que a política traz para alguns, neste ano fui noticiado de candidato distribuindo “santinho” dentro da casa espírita. Seria esta uma analogia moderna a passagem dos vendilhões do templo? Mateus 21:12-13.
A melhor representação social para a fé que abraçamos é baseada na caridade e na direção moral consciente da sociedade, para isso não precisamos bradar aos quatro cantos sermos espíritas, nem, necessariamente, ocupar cargos públicos, apenas agir com lisura, ética e amor. Para trilharmos os caminhos da moral cristã não é necessário declararmos a respectiva fé, apenas pensarmos e agirmos como tal.
Finalmente, o nosso Chico tem um pensamento muito interessante, ele diz: Devemos orar pelos políticos, a tentação do poder é muito grande. Tenho encontrado, no plano espiritual, políticos que exerceram indignamente seus mandatos em situações deploráveis. As consequências de seus atos são equiparados a crime coletivo.
Espíritas, candidatai-vos trazendo a bandeira espírita em seus corações e ações perante a sociedade, elegendo-se ou não.
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