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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2013

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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mandamentos8Jesus, ao proferir o Sermão da Montanha, perante a multidão que ali se acotovelava, nas colinas de (Karun Hatin), ansiosa por um ensinamento que lhe trouxesse paz e felicidade, declarou: "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei vós também a eles, porque esta é a lei e os profetas" (Mateus 7,12). As religiões e os religiosos de todos os tempos sempre se preocuparam em cumprir a lei de Deus, procurando agradá-Lo, estabelecendo regras, códigos, estatutos, normas éticas, liturgias e rituais diversificados.
    A Torá, o código de lei dos judeus, possui 613 leis: 365 leis proibitivas – uma para cada dia do ano – e 248 leis afirmativas – uma para cada osso do corpo –, determinando o que pode ou o que não pode fazer para agradar a Deus.
    Jesus, no entanto, ensinou que as leis de Deus não são regras, dogmas, liturgias, mas leis naturais.
    Allan Kardec, quando compôs O Livro dos Espíritos, perguntou aos Espíritos Superiores encarregados de nos trazer a terceira revelação da Lei de Deus – a Lei da Caridade: "Que se deve entender por lei natural?" Ao que eles lhe responderam: "A lei natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade da criatura humana. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta". A seguir, completaram: "Todas as leis da natureza são leis divinas, pois que Deus é o autor de tudo" (O Livro dos Espíritos, questões 614e 617).
    As leis naturais são as leis de Deus, que regem todas as nossas ações. Os Espíritos disseram a Allan Kardec que "quando um homem comete um excesso qualquer, Deus não profere contra ele um julgamento dizendo-lhe, por exemplo: foste guloso, vou punir-te. Ele traçou um limite: as enfermidades e muitas vezes a morte são a consequência dos excessos. Eis aí a punição; é o resultado da infração da lei. Assim em tudo" (O Livro dos Espíritos, questão964).
    Todos nós sofremos a pena de Talião a cada instante. "A pena de Talião é a justiça de Deus. É Deus quem a aplica. Todos vós sofreis essa pena a cada instante, pois que sois punidos naquilo em que haveis pecado, nesta existência ou em outra. Aquele que foi causa de sofrimento para seus semelhantes virá a achar-se numa condição em que sofrerá o que tenha feito sofrer" (Questão 764 de O Livro dos Espíritos).
    De nada adianta tentar agradar a Deus, criando rituais, dogmas e regulamentos, se o "reino de Deus está dentro de nós" (Lucas 17,21) e Sua lei está "escrita na consciência" (O Livro dos Espíritos, questão 621).
    André Luiz, o instrutor espiritual, na lição de número 82, do livro O Espírito da Verdade, diz textualmente: "Deus é Equidade Soberana, não castiga nem perdoa, mas o ser consciente profere para si as sentenças de absolvição ou culpa ante as Leis Divinas. Nossa conduta é o processo, nossa consciência, o tribunal".
    Jesus afirmou: "A cada um será dado segundo as suas obras" (Mateus 16,27) e o apóstolo Paulo de Tarso, doutor da lei dos judeus, esclarece em sua carta aos Gálatas, no versículo VII, do capítulo VI: "Não te iludas, Deus não se deixa zombar, pois tudo o que o homem plantar, isto mesmo terá de colher".
    Naquelas palavras "tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei vós também a eles, porque esta é a lei e os profetas", Jesus resumiu toda a lei conhecida pelos seus contemporâneos, assim como toda a lei divulgada pelos profetas, nessa máxima, taxada como lei áurea, a lei de ouro, responsável na condução dos nossos passos em direção à felicidade.
    Seremos o que fizermos de nossas vidas, felizes ou infelizes, de acordo com o nosso querer, a nossa vontade, a nossa decisão. Somos o tempo de esforço pessoal na construção do nosso destino.
    No capítulo VII – As penas futuras – do livro O Céu e o Inferno, Allan Kardec reproduziu as palavras das Entidades Sublimadas: "O Espírito é, deste modo, o artista do próprio corpo, por ele talhado, por assim dizer, à feição das suas necessidades e à manifestação das suas tendências". "A carne só é fraca porque o Espírito é fraco, o que inverte a questão deixando àquele a responsabilidade de todos os seus atos. A carne, destituída de pensamento e vontade, não pode prevalecer jamais sobre o Espírito, que é o ser pensante e de vontade própria".
    Há uma passagem no capítulo V, do Evangelho de João, sobre um paralítico, que aguardava, havia 38 anos, a oportunidade de entrar na piscina de Bethesda, tida como fonte miraculosa, porquanto um anjo descia em certo tempo agitando a água, e o primeiro que entrasse no tanque, uma vez agitada a água, ficava curado de qualquer doença que tivesse.
    Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim, havia muito tempo, perguntou-lhe: – você quer ser curado? Ao que o enfermo lhe respondeu: – Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque quando a água é agitada. Assim é que, enquanto eu vou, desce outro antes de mim.
    Então lhe disse Jesus: – "Levante-se, tome o seu leito e ande!".
    Imediatamente o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar... Mais tarde Jesus o encontrou no templo e lhe disse: – Olhe que você já está curado. Não peque mais para que não lhe suceda coisa pior.
    Por que, naquela multidão de cegos, coxos e paralíticos, Jesus se deteve justamente naquele homem e ainda perguntou-lhe: – Você quer ser curado?
    Foi para mostrar que o querer é fundamental em nossas vidas, e também porque aquele paralítico já se havia quitado perante a lei de Deus. Havia chegado o tempo natural de sua libertação e o seu carma havia sido extinto. Jesus, então, com seu poder incomparável, manipulou os fluidos necessários para curá-lo.
    Expiara o erro cometido. Faltava agora repará-lo. "Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação" (O Céu e o Inferno – capítulo VII).
    "Levante-se, tome o seu leito e ande!". Essa é a ordenação divina para todos nós, paralíticos da alma.
    Na página Problema conosco, do livro Justiça Divina, escreve o Espírito Emmanuel, atribuindo ao Espiritismo à frase esculpida no dólmen de Allan Kardec: "E o Espiritismo acentua: 'Nascer, viver, morrer, renascer de novo e progredir continuamente, tal é a lei"'.
    Muita paz!
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