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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2013
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     Nas línguas neolatinas são chamadas de fadas: em francês Faaé Feé; Provençal, Fada; Espanhol Hada; Italiano Fata e Português Fada. Essas palavras, com toda a certeza, derivam do latim Fatum que significa destino. No século IV de nossa era já encontramos esta palavra no feminino, usada como equivalente de Parcas ou Moiras, divindades da mitologia grega que representam o destino. Na Idade-Média (476 a.C - 1453) aparece o verbo latino fatare no sentido de encantar.

     Qual é a origem das fadas? Esta questão não é de modo algum fácil. Penso que seria interessante, para se dar uma solução ainda que hipotética a este problema, partirmos da etimologia desta palavra. Como já vimos, a palavra fada deriva do termo latino fatum que significa destino. Neste sentido existe uma perfeita equivalência entre a palavra latina fatum e a grega moira. Não raro, as moiras são personificadas pelas três irmãs fiandeiras Láquesis, Átropo e Clotos, que, nas crenças populares dos antigos gregos, presidiam os acontecimento básicos na vida humana: o nascimento, o casamento e a morte.

     Um levantamento, mesmo pouco exaustivo dos contos infantis, mostra as fadas participando de um desses três acontecimentos, principalmente dos nascimentos, quando atribuem à criança recém-nascida determinado destino.

     Um exemplo muito claro desta colocação é o conto popular (Conto de Fada) A Bela Adormecida.

     Nesse relato nasce a filha de um rei e ele convida todas as fadas que conhecia, exceto, naturalmente, a fada má para dar à menina um belo destino. Aconteceu, porém, que a fada má sentiu-se ofendida por não ter sido convidada e foi ao palácio real mesmo sem convite, Quando as fadas boas terminaram de fadar os mais belos destinos para a criança, a fada má entrou na sala e disse:

     - "Essa menina, quanto tiver quinze anos, espetará o dedo em uma agulha e morrerá." Todos ficaram muito consternados, mas nesse momento, chegou a rainha das fadas boas e disse:"

     -"Nada posso fazer contra o fado que a fada má deu a menina, mas posso atenuá-lo: Ela picará o dedo, mas não morrerá, apenas dormirá com todo este reino por cem anos".As boas fadas tem a aparência de uma mulher alta, branca, muito bonita que usa vestidos longos e trazem na cabeça um chapéu cônico usado também por alguns magos e feiticeiras. Trazem consigo uma vara que deve ter as sua origem na vara de Hermes (o Caduceu) ou na vara de Moisés que era capaz de obrar maravilhas como transformar-se em serpente ou abrir a as águas do Mar vermelho.

     Essa vara é chamada de varinha de condão porque ela pode operar maravilhas. É com ela que a fada madrinha da Cinderela transformou a abóbora em carruagem; os ratinhos em lacaios; os miseráveis trajes de cinderela em belo vestido, para que a sua afilhada pudesse ir ao baile no palácio real.

     Nos contos do ciclo bretão do qual fazem parte os mitos sobre O Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, a fada perde um tanto esse caráter de divindade representativa do destino. A fada Morgana, do Ciclo Arthuriano, por exemplo, é uma mulher muito bonita e capaz de manipular determinados elementos para produzir o efeito maravilhoso.

     Neste contexto, a ideia de fada se aproxima do conceito grego de feiticeira do tipo da Circe que aparece na Odisséia ou de Medeia da peça de Eurípides que tem o mesmo nome. Foi muito provavelmente na Idade- Média, que a fada ganhou o estereótipo por que ficou conhecida na literatura infantil.

     Em muitas das mitologias europeias de origem não latina germânica, o conceito de fada é extremamente diferente de tudo o que vimos até aqui. Nesta mitologia, as fadas são seres diminutos e não possuem longos vestidos, chapéus cônicos e varinha de condão. São seres alados semelhantes às ninfas do mito grego, não protegem pessoas mas certos lugares da Natureza. São elas que, usando minúsculos baldes de tinta pintam as flores na primavera. As fadas vivem e em um reino à parte onde existe uma rainha à qual elas devem obedecer.

     Desse ponto de vista as fadas estão no mesmo grupo dos gnomos, duendes, elfos, anões que compõem o chamado povo pequeno e que fazem parte do grupo denominado espíritos da Natureza

     Em o livro dos Espíritos, (Parte II cap.IX) Allan Kardec, na pergunta 536, faz uma referência interessante sobre os espíritos da Natureza. É com esta citação que fechamos este artigo:

     " A mitologia dos antigos se fundava, inteiramente em ideias espíritas com a única diferença de que consideravam os espíritos como divindades. Representavam esses deuses ou espíritos como entidades com atribuições especiais.Assim, uns eram encarregados dos ventos,outros do raio,outros de presidir o fenômeno da vegetação etc. Semelhante crença é totalmente destituída de fundamento."

 
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