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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2013

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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     Na primeira questão d'O Livro dos Espíritos, Kardec questiona os espíritos sobre o quê, e não quem seria Deus, deixando claro que seu interesse seria a estrutura da divindade em si e não o que ele representa.

     No sentido de esclarecer um pouco mais sobre como foi estruturada a pergunta e o que significa, podemos utilizar o exemplo de uma empresa. Se perguntarmos quem é o presidente, obteremos como resposta um nome que representa alguém, caracterizando um conhecimento prévio de se tratar de uma pessoa.

     Porém, se perguntarmos o que é o presidente, obteremos como resposta se tratar de uma pessoa, podendo haver mais esclarecimentos, tais como sexo, idade, jovialidade, capacidade para o cargo, até mesmo, eventualmente, o nome. Portanto, estaremos interessados na estrutura e características, demonstrando o desconhecimento daquilo que ocupa o cargo em questão.

     Assim, podemos deduzir que, quando propôs a pergunta, Kardec estava interessado no que consiste a divindade e/ou suas características principais, no intuito de aprimorar o entendimento daquilo que representa o que denominamos de "Deus".

     A resposta, todavia, não poderia ser mais contundente, concisa e precisa, apesar de não explicitarem a estrutura em si. Ao dizerem que "Deus é a inteligência suprema" esclarecem a Kardec e, consequentemente, a todos nós que estamos tratando de entender um "ser" ou "algo" cuja característica principal é ser inteligente em grau máximo. Desta forma, fica claro também a dificuldade que encontraremos na busca da compreensão deste ponto em particular, pois se há um abismo entre duas pessoas quando uma está em um nível, sobre um tema qualquer, muito superior que a outra devido à falta de recursos desta, tal como é impossível explicar o cálculo matemático de derivadas ou integrais para aquele que não sabe, sequer, a tabuada, quanto mais quando relacionado com a divindade.

     Na continuação da resposta temos que, além de "inteligência suprema", também é a "causa primária de todas as coisas", deixando claro que tudo o que existe, conhecido ou não, neste e noutros universos, é decorrente desta inteligência que, sendo "suprema", fará ou criará tudo com perfeição compartilhando, assim, de seus atributos. Este conceito é apresentado novamente por Kardec no livro A Gênese, mais precisamente no Capítulo II.

     Contudo, devemos considerar que nem tudo é criação direta de Deus, pois seus filhos, os espíritos, podem atuar no fluido cósmico pelo pensamento, tal como apresentado também no livro A Gênese, desta vez no Capítulo XIV, pelo processo de criação fluídica cujo resultado também compartilha dos atributos do espírito responsável pela "criação".

     A perfeição na permissão dada por Deus para a criação fluídica por parte dos espíritos estaria exatamente no compartilhamento dos atributos deste, pois deverá, obviamente, repercutir nele as características boas ou más daquilo que criou, fazendo, portanto, que cada um aprenda com seus próprios pensamentos e atos, num aprimoramento contínuo e sem solução de continuidade por ser um processo intrínseco ao espírito.

     Na questão vinte e três d’O Livro dos Espíritos, Kardec questiona, similarmente à pergunta de número um, sobre o que seria o espírito, obtendo como resposta se tratar do "princípio inteligente do Universo"; não sendo suprema, é passível de se aprimorar.

     Desta forma, podemos concluir que por "espírito" entende-se se tratar de um processo, semelhante ao que ocorre na condição de encarnado, iniciando sua jornada na infância e se aprimorando com o passar do tempo, porém em escala muito maior; enquanto que Deus não se trataria de um processo, Ele simplesmente "é”. Assim, um ser cuja característica principal é estar ou ser um "processo" poderá compreender os que lhe são semelhantes, todavia, carece de recursos intelectuais para compreender o que lhe é totalmente diferente.

     Bibliografia:

     [1] Kardec A.; O Livro dos Espíritos; 76ª edição, FEB, 1995.

     [2] Kardec A.; A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo; 36ª edição, FEB, 1995.

     Amigos leitores,

     Apresentamos o mais novo colaborador do Jornal Correio Espírita, nosso confrade Claudio Conti é doutor em Engenharia Nuclear, COPPE/UFRJ, 1999. Professor das cadeiras "Instrumentação Nuclear" e "Técnicas de Monte Carlo" no programa de Pós-Graduação em nível de Mestrado e Doutorado do Instituto de Radioproteção e Dosimetria.

     Integrou o quadro de profissionais da Agência Internacional de Energia Atômica, agência especializada da ONU localizada em Viena - Áustria.

     Integra o quadro de profissionais da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

     No movimento espírita participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo; como conferencista em palestras e seminários. Médium psicógrafo e psicofônico (principalmente).

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