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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2014
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“Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito.” ― Allan Kardec.

A Doutrina Espírita ensina que a gravidez gemelar proporciona a chance de espíritos simpáticos reencarnarem juntos por analogia de sentimentos, como também ressalta servir essa oportunidade para a reconciliação de seres adversos (Questão n° 211 e 213 de O Livro dos Espíritos).

A animosidade, embora verificada em maior número entre os gêmeos acolados ou “xifópagos”, é ressaltada, em imagem poética, nas histórias de crianças que lutam no ventre materno. No Antigo Testamento é muito conhecida a passagem da gravidez gemelar de Rebeca, com os filhos, Esaú e Jacó, brigando, no cadinho uterino, a qual serviu de inspiração para que o grande escritor Machado de Assis escrevesse memorável obra, onde é abordada uma das mais importantes épocas da política brasileira (Monarquia X República), através de uma trama onde predomina a inimizade dos gêmeos Pedro e Paulo, sem causa compreensível, explícita, daí a denominação de romance "Ab Ovo" (desde o ovo).

Segundo a Bíblia, no Livro de Gênesis (capítulo 2, versículo 22), havia rivalidade entre os gêmeos Esaú e Jacó, quando ambos ainda se encontravam no ventre de Rebeca: “e os filhos lutavam dentro dela”. O texto, em sentido literal, revela que os espíritos que se preparavam para reencarnar nutriam ódio recíproco, o qual claramente teve sua origem em vivências transatas. A finalidade dessa gestação gemelar conturbada é tentar uma possível reconciliação entre seres espirituais inimigos, conforme ensinou o Mestre Jesus: “Entra em acordo com o teu adversário enquanto estás com ele a caminho” (Mateus 5:25).

Certamente o Cristo aborda as oportunidades que o Pai Amado proporciona a todas as criaturas através do abençoado “nascer de novo”, no qual pela chance do retorno à carne, os rivais se reencontram a caminho de uma vivência física, onde tudo será tentado para se conseguir a paz, o que é verificada em uma sincera reconciliação.

Em verdade, como “Deus é Amor” (João 7:8) e “ninguém sairá da cadeia enquanto não pagar o último centavo” (Mateus 5:26), há necessidade do renascimento junto do adversário ou do "atormentador” (Mateus 18:34), mesmo que seja, por exemplo, em um mesmo lar. Daí a explicação espiritual para a discórdia reinante entre membros de uma mesma família. Quantos filhos têm ódio de seus pais e vice-versa, muitas vezes cometendo assassinatos? As páginas dos jornais diuturnamente noticiam crimes ocorridos dentro de um mesmo lar, porquanto não foi obtido o tão desejado sucesso diante do desafio da expiação, falindo o espírito, virando as costas para a suprema misericórdia do Amado Pai. 

Para se conseguir a união de desafetos, a Providência Divina concede inúmeras oportunidades reencarnatórias e com as benesses do renascimento no berço físico, muitas oportunidades de reajuste com os antagonistas serão fornecidas. Afinal, não existe a infeliz diretriz dogmática da “eternidade das penas”, conforme é contestada na obra Lamentações de Jeremias, capítulo 3, versículos 22 e 23, no Antigo Testamento: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã”.

Quando se sente dor ou quando se vivencia intensa aflição, a impressão que se experimenta é a de que o infortúnio nunca terá fim. O mesmo acontece na dimensão extrafísica, acrescido da falta de limitação do tempo próprio do mundo físico, quando o sofrimento do remorso, consumindo todo o ser, tem a aparência de eterno, de tempo indeterminado, de algo que não terá jamais fim. A passagem em O Novo Testamento, na qual Jesus, já desencarnado, “visita e prega aos espíritos em prisão”, revela que o estado vibratório inferior é transitório e a misericórdia do Pai não tem limites.

Sem o conhecimento da presença divina em toda a criação, a ciência acredita que a ocorrência da gravidez gemelar é fruto do acaso, preocupada a maior parte dos segmentos científicos em observar os efeitos e indiferente diante da causa transcendental. Quando o embrião de 5 dias de vida, o blastocisto, constituído de quase 200 células, se implanta na parede do útero, origina as centenas de tecidos que compõem o corpo humano. A partir dessa fase, as células somáticas, que ainda são todas iguais (pluripotentes), começam a diferenciar-se nos vários tecidos que vão compor o organismo. O fenômeno é considerado misterioso para a ciência, a qual verifica igualmente extasiada o trabalho gigantesco de uma única célula, dentre 100 milhões, sintetizando incalculável número de substâncias e participando de complexas reações químicas. Cada célula do nosso corpo tem um desempenho peculiar, mas todas estão interligadas, trabalhando de maneira integrada com as demais células do corpo. São verdadeiras usinas químicas de uma máquina em pleno funcionamento e tudo isso acontecendo sob a orientação de um campo organizador energético que preexiste à fecundação do óvulo e permanece além-túmulo: O espírito imortal. Em verdade, o homem, constituído de mais de cem trilhões de células, não pode ser fruto da casualidade.

Segundo o conhecimento científico, o organismo físico procede de uma única célula (ovo ou zigoto), resultante do encontro do espermatozóide com o óvulo, formando aparelhos e órgãos, como os olhos, ouvidos etc. O ovário tem 300 mil a 400 mil ovócitos, sendo um deles atraído pelo espírito reencarnante, no qual, igualmente, exerce ação. A escolha é realizada não de modo casual e a finalidade maior é a busca do aparato gênico, a ferramenta do Espírito, que a utiliza para determinada tarefa no mundo material, de acordo com sua programação reencarnatória. Ao mesmo tempo, há atração pelo óvulo de um determinado gameta masculino, o que já foi percebido por pesquisadores americanos e israelenses, respectivamente na Universidade do Texas e no Instituto Weizmann, revelando que os óvulos se comunicam com os espermatozóides, enviando-lhes sinais para guiá-los até as trompas de Falópio, tornando possível a fecundação. Acreditam os cientistas que o sinal emitido pelo óvulo é um componente do meio que o circunda, talvez uma reação química. Assim como o som propaga-se no ar, a luz no vácuo ou nos meios materiais, o líquido que circunda o óvulo deve ser a substância por onde se transmite o sinal vibratório do ser espiritual em vias de reencarnação. Portanto, fatores casuais não podem explicar efeitos deveras fabulosos e enigmáticos.

A gemelaridade pode se apresentar de três formas:

1- idêntica ou univitelina, quando é formada através de um único óvulo, fecundado por um só espermatozóide, sofrendo, posteriormente, uma divisão, acarretando bebês com a mesma identidade genética e com a mesma polaridade sexual. Importante frisar que mesmo se apresentando com idêntico código genético, sendo um irmão a cópia fiel do outro, são dessemelhantes no aspecto da personalidade, como também possuem impressões digitais diferentes, os quais são explicados pela presença de individualidades espirituais distintas. Exatamente por isso reagem diante dos estímulos recebidos e desenvolvem personalidades próprias;

2- não idêntica ou bivitelina, quando é formada pela fecundação de dois óvulos por dois espermatozóides, como duas gestações diferentes se desenvolvendo ao mesmo tempo e no mesmo local. São geneticamente diferentes e podem ser de polaridade sexual diferente;

3- acolada ou imperfeita, rara anomalia, acometendo 1:52.000 nascimentos. A causa do processo ainda permanece obscura, acreditando-se que alguns fatores, atuando entre o 13º e o 15º dia da gestação, acarretariam uma divisão anormal do disco embrionário, resultando em gêmeos unidos por diversas formas de fusão anatômica, a par com frequência a coexistência de malformações de órgãos. São denominados de irmãos siameses.

Allan Kardec, em meados do século XIX, perguntou à Espiritualidade Superior: - “Há dois Espíritos, ou, por outra, duas almas, nas crianças cujos corpos nascem ligados, tendo comuns alguns órgãos?” A resposta de imediata se fez presente: - “Sim, mas a semelhança entre elas é tal que faz vos pareçam, em muitos casos, uma só.” (Q. 212 de “OLE”). Na Q. 213: - “Pois que nos gêmeos os Espíritos encarnam por simpatia, donde provém a aversão que às vezes se nota entre eles”? - “Não é de regra que sejam simpáticos os Espíritos dos gêmeos. Acontece também que Espíritos maus entendam de lutar juntos no palco da vida”.

Geralmente os gêmeos são espíritos unidos em diversas reencarnações. São muito amigos e a afinidade é patente, revelando relacionamento extremamente fraternal; contudo, muitas vezes a interdependência exagerada dificulta sobremaneira o processo importante da individuação. Em alguns casos os irmãos revelam intensa fixação mental, observada mais nos casos onde predomina o ódio recíproco entre os envolvidos. Indispensável que o lar seja realmente um ninho de amparo, de respeito, de concórdia, alicerçado no amor fraternal por excelência, estimulando a independência, a individualidade, respeitando as diferenças, para que, o desamor, caso exista, seja extinto e não haja necessidade de expiações mais duras como são verificadas nas gestações gemelares imperfeitas, onde surgem monstruosidades patentes. Em verdade, reencarnam unidos na vivência física, desde que já estavam ligados vibratoriamente por laços tenazes de inimizade.

Na literatura científica há casos de gemelaridade idêntica ou univitelina, nos quais um dos gêmeos, embora possuindo o mesmo código genético do irmão, é portador de doenças de cunho genético, como a Síndrome de Down ou Mongolismo. Houve um erro na divisão celular aparecendo três cromossomas (trissomia 21), quando naturalmente existem dois cromossomas (par 21). Em alguns casos, pode ocorrer a translocação cromossômica, quando o braço longo excedente do cromossomo 21 liga-se a outro cromossomo qualquer. A ciência constata a trissomia 21 e seu efeito nefasto; contudo, não sabe explicar por que ocorre o erro, atribuindo-o a um possível acidente casual. A Doutrina Espírita revela que o acaso não existe e tudo tem uma finalidade. A reencarnação junto de um desafeto visa a união, a reconciliação de todos os envolvidos.

Há casos raríssimos, na literatura médica, de natimortos em que foram encontrados de 5 a 8 embriões anômalos, todos incompletos, situados em massa de aspecto tumoral na cavidade craniana. Não há esclarecimento científico, para esse caso, o qual, sob a ótica espírita, com o conhecimento pleno das obsessões espirituais, pode ser facilmente explicado: O espírito do natimorto, portador de câncer cerebral, carreava consigo, imantados vibratoriamente em sua mente, os seres extrafísicos inimigos, os quais, em completo desajuste de suas vestimentas fluídicas, reencarnaram juntos com ele, confirmando o sublime ensinamento do Mestre Jesus: “A cada um segundo as suas obras” (Mateus 16:27) e do “Apósto dos Gentios, Paulo: “Tudo o que o homem semear, isso tambem ceifará” (Gálatas 6-7).

Todos os seres espirituais, na faixa vibratória do sofrimento da culpa, do remorso, são agraciados com ilimitado número de oportunidades, através dos renascimentos físicos, para se libertarem da prisão construída dentro deles mesmos, vivenciando com coragem e resignação, a dor que surge no caminho, como igualmente “pagar o último ceitil”, através do amor, exercendo a caridade legítima e desinteressada de ganho próprio, buscando lograr a paz. Realmente, “o amor cobre multidão de erros” (1- Pedro 4:8).

O famoso poeta Gonçalves Dias, autor de Canção do Exílio — um dos poemas mais conhecidos da literatura brasileira — deixou-nos o seguinte pensamento: “O sonho e a vida são dois galhos gêmeos; são dois irmãos que um laço amigo aperta. A noite é o laço...”.

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