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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2014
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O Evangelho Segundo o Espiritismo, no seu capítulo V, fala-nos, entre outros assuntos, do verdadeiro sacrifício aos olhos de Deus. Capítulo interessante e atual, dado que a vida nos exige sacrifícios e por vezes buscamos estes, sem saber bem o por quê.

Em um primeiro momento, apresenta-se a questão de se é possível reduzir o rigor das provas, dado que estas são instrumentos de nossa evolução. A conclusão é simples, dado que a Lei é de amor e sim, podemos e devemos abreviar a dor de nosso próximo, abreviar as suas provas voluntariamente, pois esse amor nos impulsiona a ser melhores e a evolução se faz em conjunto, nesse nosso planetinha azul.

Ao contrário da visão do Carma adotada em algumas religiões, não devemos deixar nossos irmãos sofrerem para “pagar”, pois a divindade quer que nós aprendamos a amar e não que soframos indistintamente, como um Deus sádico, a exemplo do Olimpo greco-romano.

A dor deve nos empurrar para o amor, e o amor pode sim colaborar para reduzir a dor, na busca da luz, em um contexto de interdependência, de espíritos encarnados em um planeta de provas expiações, na luta da evolução.

De forma simétrica, apresenta-se a questão: é possível então aumentar as suas provas voluntariamente? Ou seja, posso aumentar a minha dor e assim evoluir mais rápido?

O evangelho é claro nesse ponto... E o bom senso também! Produzir dor por produzir pouco contribui com a instauração do reino dos céus em nossos corações. Em muitas facetas se apresenta esse sacrifício voluntário, em roupagens modernas que escondem sentimentos adversos.

As práticas de se prometer coisas para a divindade em troca de bênçãos, como nos sacrifícios muito famosos em festas religiosas, nas famosas promessas, ilustram bem esse sentimento de imolação, como passagem para a felicidade. São os terroristas que esperam o reino de cachoeiras de mel... Uma forma de sacrifício egoísta e de barganha!

Têm-se ainda, de forma reprovável, práticas nesse sentido, adotadas por vezes por celebridades, no campo da automutilação. Com cortes e marcas, as dores corporais buscam substituir sofrimentos emocionais, em uma punição de si mesmo, prima da comiseração, em uma mescla de carência, culpa e remorso. Uma forma de sacrifício focado em si, na troca de suas dores sentimentais por dores corporais.

Esses exemplos atuais nos mostram que o nosso sacrifício ainda está atrelado a uma ideia de egoísmo. O disposto no Evangelho Segundo o Espiritismo indica que o aumento da dor sem reverter para o benefício coletivo é sim egoísmo e que as provações voluntárias somente tem valor quando agregar bem ao próximo.

O sacrifício, o acréscimo de sofrimento por escolha, só tem valor aos olhos de Deus quando significa doação para o bem geral. E para isso, na maioria das vezes, necessitamos de dores muito menores do que imaginamos!

Devemos ficar atentos às motivações que se escondem por detrás dos grandes espetáculos de dor e sofrimento, enxergando o valor do pequeno esforço cotidiano que produz o bem, sem pompa e cerimônia, sem heróis de papel.

Deus nos criou para aprendermos a amar, para rompermos as nossas imperfeições, por vezes somos impulsionados pelo aguilhão da dor, para a senda da evolução. Mas, o grande sacrifício se impõe na conduta reta no cotidiano, por vezes longe de holofotes e luzes...

O fim da evolução é o amor, força divina por excelência, que nos faz mais próximos do homem que queremos ser, nos faz melhores nas batalhas de cada dia e para isso, precisamos entender a função da dor no contexto da justiça divina e do aperfeiçoamento do espírito.

Sacrifícios só trazem benefícios se forem direcionados ao nosso próximo... A doutrina dos espíritos é clara em nos explicar esse mecanismo, do primado do amor! Não busquemos evolução onde pode morar a estagnação!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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