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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2015
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Liberdade, acho que todos concordamos, é uma das maiores aspirações da Humanidade através de todos os tempos. Em seu nome, e tendo-a como objetivo, foram deflagradas muitas guerras, foi criado inclusive muito constrangimento, desespero e miséria... Considerávamos, e parece que ainda consideramos, que para alcançar, garantir e manter uma aparente liberdade em qualquer condição, de qualquer tipo, todos os meios são válidos... O que também ainda parece é que não sabemos exatamente o que seja liberdade.

A lei humana nos garante – ou assim o pretende – liberdade de ir e vir, liberdade religiosa, liberdade de expressão, entre outras, naturalmente sob certas condições que bem compreendemos. Com base na liberdade de ir e vir, não podemos ir entrando pela casa alheia sem sermos convidados, na hora que bem quisermos... Com base na liberdade religiosa, não podemos sair afrontando religiões, crenças, seitas outras diferentes daquela que elegemos... Com base na liberdade de expressão, não podemos sair declarando qualquer coisa, acusando a, b ou c disto ou daquilo, ofendendo criaturas e princípios com atitudes, palavras grosseiras e/ou sem fundamento, ditas ou escritas.

Na terceira parte d’O Livro dos Espíritos, quando Allan Kardec desenvolve, juntamente com a Espiritualidade Maior, um estudo sobre Leis Morais, como tão lúcida e coerentemente ele designou as leis naturais, divinas, didaticamente classificadas em função das necessidades educativas da Humanidade, encontra-se a Lei de Liberdade claramente explicitada por essa brilhante equipe.

No Cap. X, Lei de Liberdade, item I – Liberdade Natural e itens III e IV – Liberdade de Pensamento e de Consciência, logo de início fica patente, assim como em nossa própria legislação humana, que a liberdade absoluta é impossível; que logo que existam convivência e inter-relação entre os homens, sejam muitos ou apenas dois, há direitos a serem respeitados e deveres a serem observados. Liberdade absoluta só é possível no pensamento, pois não é possível impedir o homem de pensar; consequentemente, nossa consciência, que se trata de um pensamento profundo, é igualmente inteiramente livre, sujeita apenas ao nosso próprio livre arbítrio. E, o que ensinam esses Espíritos quanto a essa questão, é que “a liberdade de consciência é uma das características da verdadeira civilização e do progresso”.

E ensinam-nos ainda mais: que “somos repreensíveis por escandalizar a crença daquele que não pensa como nós”, que “isso é faltar com a caridade e atentar contra a liberdade de pensamento”.

E no Cap. XI, Lei de Justiça, Amor e Caridade, item I – Justiça e Direito Natural, fica assegurado que “a justiça consiste no respeito aos direitos de cada um”.

Assim, face ao triste fato ocorrido em Paris em janeiro último contra os jornalistas daquele jornal, cabe-nos um pouco de reflexão e cautela ao analisarmos a situação. Com base nos conhecimentos que já possuímos com relação à lei humana (mesmo sendo ela ainda tão falha) e, sobretudo, com relação à lei divina, onde encontramos por acréscimo a lei de causa e efeito, precisamos ter muito cuidado para não nos deixarmos envolver com os excessos midiáticos, lamentavelmente em geral tendenciosos.

Em nenhum caso justifica-se o revide, a retaliação, a revanche violenta e impensada de qualquer tipo – assumida, como já temos visto, por algumas nações pretensamente poderosas, por alguns segmentos fundamentalistas, por alguns gananciosos de poder a qualquer custo. O resultado dessas atitudes e ações tem-se demonstrado desastroso e lastimável para todas as partes envolvidas. Assim como em nenhum caso se justifica o desrespeito, a humilhação, o deboche dirigido a nenhuma criatura, a nenhuma crença ou a nenhum de seus líderes. É sabido por praticamente todas as pessoas que têm acesso à informação, a constante prática de discriminações e de preconceitos os mais absurdos contra os divergentes e os diferentes.

Espíritas que somos, sabemos igualmente que tudo tem uma causa; mas também sabemos, pois a doutrina assim nos esclarece, que existem os abusos de livre-arbítrio contra os semelhantes e principalmente contra os dessemelhantes. Ponderação deve ser a nossa preocupação. E vigilância e oração a nossa postura, sempre. N’O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XI, item 14, há uma linda mensagem de Elizabeth de França quanto à caridade para com os criminosos – vamos procurar lê-la com mais frequência e refletir profundamente sobre ela...

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