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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2015
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DEUS SERIA CULPADO DAS GRANDES TRAGÉDIAS QUE OCORREM NO MUNDO? – COM A REENCARNAÇÃO A DOUTRINA ESPÍRITA ESCLARECE COMO FUNCIONA A LEI DE AÇÃO E REAÇÃO NAS MORTES COLETIVAS – ACIDENTES AÉREOS – OUTRAS CAUSAS DAS MORTES COLETIVAS

 

 

Gerson Simões Monteiro

Vice-Presidente da FUNTARSO

Operadora da Rádio Rio de Janeiro

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Recentemente, no Programa Debate na Rio, apresentado pela Rádio Rio de Janeiro, um ouvinte indagou como nós, espíritas, podemos pregar a Bondade de Deus, após a mídia informar o acidente com o Airbus A320-200, voo QZ8501, no qual morreram 162 pessoas, entre passageiros e tripulantes, ao cair no mar de Java 40 minutos após a sua partida?

Você, ao tomar conhecimento da notícia, certamente deve pensar o seguinte: como conciliar o ensinamento de Jesus, “a cada um será dado segundo as suas obras”, se desencarnam no acidente não uma, mas dezenas ou centenas de pessoas ao mesmo tempo?

Pois bem, para entender essa questão, precisamos considerar que, por força da Lei de Ação e Reação, cada um de nós sofre individualmente as consequências dos erros praticados nesta vida ou em encarnações passadas. É a chamada lei de retorno, o carma dos indianos. Acontece que a Lei de Ação e Reação incide simultaneamente tanto sobre o indivíduo, que recebe de volta o mesmo mal praticado, quanto sobre uma “individualidade coletiva”. Esta individualidade pode ser, por exemplo, uma quadrilha de marginais ou uma tripulação de um navio pirata que praticou os mesmos crimes. Porém, os membros destes grupos criminosos, reencontrando-se em nova reencarnação, juntos resgatam coletivamente o mal que fizeram.

 

ESCLARECIMENTOS DE ANDRÉ LUIZ

 

Sobre esse assunto, encontrei explicações no capítulo 18 do livro Ação e Reação, psicografado por Chico Xavier, no qual o espírito André Luiz relata o socorro prestado por uma equipe de benfeitores espirituais a quatorze espíritos de passageiros e tripulantes  desencarnados na queda de um avião, ao bater numa montanha. Nesse capítulo, André Luiz esclarece que piratas, agora encarnados em outros corpos, morrem coletivamente nos acidentes aéreos por terem eliminado criminosamente muitas vidas preciosas em pleno mar, afundando embarcações indefesas a fim de roubar suas cargas valiosas

Entre os que desencarnam em tais desastres, também estão incluídos os que, em vidas anteriores, atiraram pessoas indefesas do alto de torres para que se espatifassem no chão. Além deles, os suicidas que se jogaram de altos edifícios ou montanhas, em supremo atestado de rebeldia contra as Leis Soberanas de Deus. Como o inferno não existe, concluímos que todos os que erram neste mundo poderão, pelas expiações reparadoras em diversas reencarnações, alcançar a condição de espíritos puros e perfeitos, a mesma obtida por Jesus.

 

ONDE ESTAVA DEUS?

 

Lembro que o jornal O Globo, na sua edição de 11 de janeiro de 2005, republicou texto assinado pelo colunista William Safire, do New York Times, questionando o Criador a respeito do tsunami ocorrido em dezembro de 2004 no Sudeste da Ásia, dizendo textualmente:

“Depois do cataclismo, com fotos de pais chorando sobre crianças mortas atingindo a consciência humana em todo o mundo, surgem questões que abalam a fé: onde estava Deus? Por que uma divindade boa e toda-poderosa permite que tanto mal e pesar caiam sobre milhares de inocentes? O que essas pessoas fizeram para merecer tamanho sofrimento?”.

O Papa Bento XVI, em discurso proferido na sua viagem apostólica à Polônia, durante a visita ao campo de concentração de AUSCHWITZ-BIRKENAU, no dia 28 de Maio de 2006, também questionou ao dizer:

“Quantas perguntas surgem neste lugar! Sobressai sempre de novo a pergunta: Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou? (...) Num lugar como este faltam as palavras, no fundo pode permanecer apenas um silêncio aterrorizado, um silêncio que é um grito interior a Deus: Senhor, por que silenciaste? Por que toleraste tudo isto?...”.

 

ONDE ELE SEMPRE ESTEVE

 

Diante das questões levantadas pelo colunista norte-americano, embora não tenha procuração de Deus para dizer onde Ele sempre esteve, do Papa Bento XVI e do ouvinte da Rádio Rio de Janeiro, a solução para esse aparente enigma está na palingenesia, na lei da reencarnação, a única que pode explicar com lógica as diferenças individuais e coletivas na Humanidade.

Para melhor entendermos a questão das expiações coletivas, esclarece o Espírito Clélia Duplantier, em Obras Póstumas, que é preciso ver o homem sob três aspectos: o indivíduo, o membro da família e, finalmente, o cidadão. Sob cada um desses aspectos ele pode ser criminoso ou virtuoso. Em razão disso, existem as faltas do indivíduo, as da família e as da nação. Cada uma dessas faltas, qualquer que seja o aspecto, pode ser reparada pela aplicação da mesma lei.

A reparação dos erros praticados por uma família ou por certo número de pessoas é também solidária, isto é, os mesmos espíritos que erraram juntos reúnem-se para reparar suas faltas. A lei de ação e reação, nesse caso, que age sobre o indivíduo, é a mesma que age sobre a família, a nação, as raças, enfim, o conjunto de habitantes dos mundos, os quais formam individualidades coletivas.

Tal reparação se dá porque a alma, quando retorna ao Mundo Espiritual, conscientizada da responsabilidade própria, faz o levantamento dos seus débitos passados e, por isso mesmo, roga os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente.

 

 

AS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO

 

Sem a reencarnação fica difícil de fato, entender, pois as filosofias tradicionais e as crenças religiosas, baseadas na hipótese de que o Homem foi criado para uma única existência na Terra, não conseguem explicar as diferenças individuais entre os homens e os sofrimentos coletivos, como os causados pelo maremoto que atingiu centenas de milhares de pessoas, ou pelos exterminados em AUSCHWITZ-BIRKENAU. Eis porque concluem de pronto que Deus é injusto e cruel para Seus filhos.

Certo dia, quando Chico Xavier, no Rio de Janeiro visitava o confrade Jorge Gaio, em sua residência, ouvi alguém perguntar-lhe qual seria a causa do Holocausto, no qual desencarnaram milhares de irmãos Judeus. Chico Xavier esclareceu que quando Pilatos apresentou à multidão Jesus e Barrabás para a libertação de um deles, recebeu como resposta da multidão que libertasse o criminoso Barrabás e crucificasse Jesus.  Nesse momento, Pilatos volta a perguntar aos judeus reunidos, sabendo da inocência de Jesus: “E o que eu faço com o sangue desse justo?” E a multidão respondeu: “Que o sangue desse justo caia sobre nós”. Após esses esclarecimentos, acrescentou Chico Xavier: “e esse sangue continua caindo até hoje...”.

 

OUTRAS CAUSAS DAS MORTES COLETIVAS

 

Na mensagem “Desencarnações Coletivas”, no livro Chico Xavier Pede Licença, o benfeitor espiritual Emmanuel esclarece outros motivos para as mortes que se verificam coletivamente. Diz ele:

“Invasores ilaqueados pela própria ambição, que esmagávamos coletividades na volúpia do saque, tornamos à Terra com encargos diferentes, mas em regime de encontro marcado para a desencarnação conjunta em acidentes públicos.

Exploradores da comunidade, quando lhe exauríamos as forças em proveito pessoal, pedimos a volta ao corpo denso para facearmos unidos o ápice de epidemias arrasadoras.

Promotores de guerras manejadas para assalto e crueldade pela megalomania do ouro e do poder, em nos fortalecendo para a regeneração, pleiteamos o Plano Físico a fim de sofrermos a morte de partilha, aparentemente imerecida, em acontecimentos de sangue e lágrimas.

Corsários que ateávamos fogo a embarcações e cidades na conquista de presas fáceis, em nos observando no Além com os problemas da culpa, solicitamos o retorno à Terra para a desencarnação coletiva em dolorosos incêndios, inexplicáveis sem a reencarnação”.

 

CONCLUSÃO

 

Diz Allan Kardec, em nota ao final da questão 738 - b de O Livro dos Espíritos, que “venha por um flagelo a morte, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida. A única diferença, em caso de flagelo, é que maior número parte ao mesmo tempo”.

E finalmente, segundo esclareceram os Espíritos Superiores a Allan Kardec, na resposta à questão 740 de O Livro dos Espíritos, “os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo”.

Eis que tudo tem a sua razão de ser, embora no primeiro momento não consigamos abranger o quadro espiritual que está por trás de todos os acontecimentos trágicos. As chamadas “coincidências”, somadas ao pensamento lógico Espírita, através da Lei da Reencarnação, mostram que o passado culposo pode, sim, ter tido sua reparação agora, pois a prática do mal nunca fica impune. 

 

 

 

 

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