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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2015
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“Este mundo é impermanente. É como o reflexo da lua na água. Todas as nossas realizações serão devastadas pelos ventos da mudança”. Buda

Vivemos hoje ainda aferrados a conceitos que há muito já deveríamos ter abandonado; que há muito já estão ultrapassados, seguidos por outros, mais amplos, mais abrangentes, mais conscientes da nossa verdadeira realidade, que reside no movimento permanente. Todo o Universo, toda a Criação se movimenta, se agita; nem um só átomo, nem uma só microscópica subpartícula que seja é estática. Não percebemos, mas mesmo em nosso corpo, em nosso organismo, tudo é movimento, nada é permanente, as mudanças, mínimas, imperceptíveis, se processam todo o tempo, o tempo todo.

No Livro dos Espíritos, logo no início, no Capítulo III – Criação, na questão 41, Allan Kardec pergunta: Um mundo completamente formado pode desaparecer, e a matéria que o compõe espalhar-se de novo no espaço? E os Espíritos respondem: “Sim. Deus renova os mundos, como renova os seres vivos”. Já se vê aí, explicitamente definida a contínua renovação de tudo e de todos.

Como humanidade ainda em estágio evolutivo precariamente mediano, entendemos geralmente eternidade e imortalidade como conceitos imutáveis, estáticos. Em si mesmas o são; no entanto, se refletirmos com mais vagar, mais profundamente e se então fecharmos os olhos do corpo e olharmos com os olhos da alma multimilenar que somos, veremos quantas transformações e transmutações se processaram e processam através da eternidade e na condição espiritual de imortalidade.

Somos ainda relutantes em aceitar essas mutações, essas mudanças, que colocam em risco aquilo que hoje chamamos de “zona de conforto”, estado que pode até não ser muito confortável, muito agradável, mas onde nos situamos e que já conhecemos. Fechamos os olhos e tapamos os ouvidos para não tomar conhecimento do fato de que a realidade se modifica a todo momento; que a condição que nos parece estável e permanente é apenas ilusão; que tudo é impermanente e transitório; que não somos quem “estamos”; e que o que somos em realidade é essência em constante elaboração, Espírito em constante mutação, aprendizado, crescimento, já que criados simples e ignorantes somos destinados à perfectibilidade relativa e indefinida, portanto, como se diz, em permanente devir, vir a ser.

Apegados ainda ao que denominamos mundo material, mesmo que hoje o conceito de matéria esteja completamente modificado – mais uma comprovação de que tudo muda – não conseguimos admitir a transitoriedade dos nossos padrões e valores culturais e pessoais; não aceitamos refletir sobre o fato de que as nossas realizações, embora contribuintes para a evolução e o progresso de tudo e de todos, não apenas nosso, serão “devastadas pelos ventos da mudança” – note-se que o filósofo religioso não disse “destruídas”, pois que, em dado momento, se firmaram, desenvolveram e, a seguir, necessário é que deem lugar a novas e mais progressistas realizações. Observemos as nossas próprias vidas atuais, sem ser preciso regredir a vidas anteriores; procuremos nos lembrar do primeiro momento que conseguimos fixar na memória; e de outros mais adiante e mais ainda – somos os mesmos? Pensamos e sentimos da mesma maneira?

Só isso já bastaria certamente para nos fazer refletir sobre a transitoriedade de conceitos e de realidade, quando esta e aqueles se prendem a criações humanas, a tradições circunstancias e temporais, a situações e instituições sociais, legais e religiosas, em todos os campos ao seu alcance.

Entretanto, com extrema sabedoria e lucidez, a Doutrina Espírita nos ensina um princípio básico fundamental, princípio esse válido no tempo e no espaço – a lei do amor, amor real, incondicional, acima de todas as ideações humanas, de todos os conceitos convencionais, amor vivido pelo Cristo entre nós. Por isso nos diz nosso querido Deolindo Amorim, em seu livro Ponderações Doutrinárias: “A Doutrina Espírita não discute conceitos, ela ensina princípios (...) não se preocupa com os conceitos porque lhe interessa principalmente infundir princípios que reformem o ser humano por sua influência”.

E assim, sob a égide do amor real e da pura moral, a da consciência tranquila e a do amor ao próximo como a si mesmo, edificaremos, espíritos ainda em árdua e difícil caminhada, a verdadeira realidade, a realidade da paz, da harmonia e da justiça, onde quer que estejamos caminhando. Ensinamentos, recomendações, exemplos não nos têm faltado; há milênios nos prodigaliza o Pai seus mensageiros e missionários espalhados por todas as latitudes do nosso planeta. Saibamos nós, tão abundantemente providos e abastecidos, envidar os esforços necessários para atingirmos, tão cedo quanto possível, a condição desses enviados.

 

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