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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2015
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O Mestre Jesus, durante sua passagem gloriosa pela Terra, deixou para toda a Humanidade a mensagem reconfortante de que estaria conosco por todo o sempre, não nos deixando órfãos. Enviaria o Consolador, que teria o escopo de ensinar todas as coisas e lembrar tudo o que ele pregou e exemplificou (João 16:26).

As falanges espirituais, instrutoras da codificação espírita, cumpriram as promessas do Cristo, levantando os véus dos chamados mistérios. Disse o amoroso Mestre dos Mestres: “O Consolador me glorificará porque há de receber do que é meu e vo-lo-á de anunciar” (João 16:14). Portanto, o Espiritismo revive a Doutrina de Jesus, em toda a sua pureza original, explicando-nos que as causa do sofrimento estão dentro de nós mesmos, refletindo a grande Justiça Divina de um Pai que é Amor (1-João 4:8).

A Doutrina Espírita ratifica o ensinamento contido no Salmo 28 de Davi: “Paga-lhe segundo as suas obras, segundo a malícia dos seus atos; dá-lhes conforme a obra de suas mãos, retribui-lhes o que merecem”. Como, igualmente, corrobora o Mestre, em Apocalipse 22:12: “...A cada um segundo as suas obras”.

Do mesmo modo, o Espiritismo clama que “a sementeira é livre, porém a colheita é obrigatória”. Os procedimentos certos ou errôneos, nos embates da vida, repercutem na vestimenta espiritual, vincando-a com as vibrações que o indivíduo logra criar. Os atos bons propiciam crescimento evolutivo espiritual, enquanto os equívocos necessitam de reparação, proporcionada pela chance do retorno à arena física.

Sem a presença marcante da reencarnação, acreditando-se em apenas uma vivência física, não há possibilidade de saldar a dívida contraída, desacreditando o Cristo quando ensina que não há prisão definitiva que não possa ser paga até o último centavo (Mateus 5:26). O próprio Jesus, após a crucificação, visitou e pregou aos espíritos em prisão (1 Pedro 3:19), revelando que não existe pena perpétua e, no renascimento na carne, muitas oportunidades de reajuste serão oferecidas

Nos arraiais da erraticidade, no período entre as reencarnações, estacionado na faixa evolutiva em que se encontra, impedido de alçar grandes voos, o espírito está envolvido por sua consciência. Aí padece o “inferno do remorso”, o qual constantemente o cientifica dos atos praticados em vivências reencarnatórias transatas e a necessidade da reparação dos equívocos.

Diante das leis divinas todos os homens são iguais. A diversidade dos instintos, das aptidões intelectuais e morais inatas observadas, resultam das vivências, das experiências e habilidades conquistadas ao longo do tempo através de inumeráveis reencarnações.

Quando usamos mal o livre-arbítrio, suprimindo a liberdade dos nossos semelhantes, impondo com violência as nossas ideias, prejudicando sobremaneira o nosso próximo, nos situamos contrários às leis naturais. Somos catalogados pelo Código Penal Divino, inserido em nossas consciências, como réus confessos, trazendo inscritas as sentenças em nossa intimidade espiritual, vivenciando intenso sofrimento interior.

Em verdade, o suplício não é para sempre, perdurará enquanto o remorso estiver sendo vivido e, reencarnando, o ser terá a oportunidade ilimitada de sair da prisão construída dentro de si mesmo, vivenciando, com coragem a resignação, a dor que surge no caminho, como, igualmente, poder se purificar, através da prática do amor, exercendo a caridade legítima e desinteressada de ganho material. Vivenciava, na verdadeira pátria que é a dimensão extrafísica, a condição de verdugo. Agora, livre da expiação retificatória, do “escândalo necessário” (Mateus 18:7), retorna pelo portal da morte como servo, sem mais a presença desagradável da culpa a lhe consumir. Disse Pedro: “O amor cobre multidão de erros” (1 Pedro 4:8).

Expiações coletivas

A ação do resgate pode acontecer, correlacionando-a com o tipo de infração. Se o mal foi praticado coletivamente, isto é, em conluio lastimável junto a um grupo de executores (“Ai daqueles por quem vem o escândalo” - Mateus 18:7), a liquidação dos débitos acontecerá com a presença de todos os protagonistas envolvidos, sendo o processo conhecido, na Doutrina Espírita, como expiação coletiva.

As desgraças sociais, envolvendo muitas vítimas, são relacionadas a fatores casuais pelos materialistas e espiritualistas menos avisados, o que caracteriza uma hipótese por demais simplória, não merecendo consideração, desde que a própria harmonia e ordem do Universo, como igualmente a grandeza matemática e estrutural das galáxias, apontam para uma causa inteligente. Aliás, a frase lapidar de Teófilo Gautier é sempre lembrada: “O acaso é talvez o pseudônimo de Deus quando Ele não quer assinar o seu próprio nome”.

Em “Obras Póstumas”, no cap. intitulado “Questões e Problemas”, há uma abordagem especial de Kardec e dos espíritos a respeito das expiações coletivas, comprovando a entidade Clelie Duplantier que faltas coletivas devem ser expiadas coletivamente pelos que, juntos, a praticaram. Disse que todas as faltas, quer do indivíduo, quer de famílias e nações, seja qual for o caráter, são expiadas em cumprimento da mesma lei. Assim como existe a expiação individual, o mesmo sucede quando se trata de crimes cometidos solidariamente por mais de uma pessoa. A propósito, o Codificador, em “A Gênese”, no capítulo 18, item 9, chama-nos a atenção de que a Humanidade é um ser coletivo no qual acontecem as mesmas revoluções morais que acontecem em cada ser individual.

Referências de Expiações Coletivas

 

Na literatura subsidiária espírita, temos algumas fontes de consulta a respeito do assunto em tela:

1- Em 17 de dezembro de 1961, em Niterói (RJ), aconteceu a enorme tragédia no Gran Circus Norte-Americano, relacionado, segundo o Espírito Humberto de Campos, como expiação coletiva, envolvendo romanos que assassinaram dezenas de cristãos, em uma arena na cidade de Lião, no ano de 177 ("Cartas e Crônicas, cap. 6, FEB);

2- O incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo, com muitas vítimas, foi explicado como dívidas reportadas ao tempo das guerras das Cruzadas (“Diálogo dos Vivos", cap. 26);

3- Emmanuel, através da psicografia de Chico Xavier, na questão 250 do livro “O Consolador”, esclarece-nos: “na provação coletiva verifica-se a convocação dos espíritos encarnados, participantes do mesmo débito, com referência ao passado delituoso e obscuro. O mecanismo da justiça, na lei das compensações, funciona então espontaneamente, através dos prepostos do Cristo, que convocam os comparsas na dívida do pretérito para os resgates em comum, razão por que, muitas vezes, intitulais – doloroso acaso – às circunstâncias que reúnem as criaturas mais díspares no mesmo acidente, que lhes ocasiona a morte do corpo físico ou as mais variadas mutilações, no quadro dos seus compromissos individuais”; e

4- André Luiz, no capítulo 18, do livro “Ação e Reação”, psicografado por Chico Xavier, descreve as palavras do benfeitor espiritual Druso, a respeito de um acidente ocorrido com uma aeronave, na qual pereceram 14 pessoas. Ressaltamos a informação de que “milhares de delinquentes que praticaram crimes hediondos em rebeldia contra a Lei Divina encontram-se, ainda, sem terem os débitos acertados”.

Diante de tais acontecimentos, os que desconhecem o nascer de novo, a reencarnação, podem, com certeza, bradarem: “Onde estava Deus quando tudo isso aconteceu?

Sem a explicação sensata das existências sucessivas, o mundo tem sua origem alicerçada no acaso, sendo o ateísmo o caminho a seguir por todos os que não aceitam a fragilidade dos argumentos dogmáticos, propagando uma só vivência física, com a criação do espírito junto com a formação do corpo de carne. Sem a crença reencarnacionista, não há como preencher o vazio da alma humana à procura de um esclarecimento a respeito de si mesmo e do porquê dos dramas que lhe afligem.

Dramática Colonização Europeia

No momento atual, a humanidade está perplexa com o fato de milhares de miseráveis subsarianos, sírios ou de Bangladesh morrerem na costa leste do Mar Mediterrâneo, em busca de exílio, principalmente em solo italiano. Durante a travessia por barcos, muitos desencarnam, famintos e doentes, outros por naufrágio.

Como explicar, sob o ponto de vista espiritual, semelhante tragédia de proporções realmente grandes, atingindo principalmente a Itália?

Podemos conjecturar que essa intensa tribulação (“é mister que venham escândalos”- Mateus 18:7) tem sua origem, em transatas vivências, nas quais esses mesmos espíritos, agora sofredores, participaram como algozes de ações deletérias, acarretando sofrimentos atrozes aos seus semelhantes (“Ai daquele por quem o escândalo vier”- Mateus 18:7), participando como protagonistas da violenta colonização europeia.

Por ser a Itália o país mais envolvido nesse dramático episódio, merece ser apontado o colonialismo italiano, o qual começou a mostrar suas garras a partir do final do século XIX, precisamente em 1885, com sua primeira colônia, Eritreia, sendo gasto muito dinheiro para apoderar-se de territórios intensamente pobres e distantes.

Alguns anos após, foram conquistadas a Somália, a Líbia e a Abissínia (hoje Etiópia). Milhares de pessoas morreram devido a essa empreitada colonialista. Somente na última batalha verificada na Abissínia pereceram cerca de 7.000 homens. Durante o domínio colonial italiano, na África, foram usadas armas proibidas, tais como gás venenoso e gás mostarda. Ao lado dos invasores italianos, apareceram com maior expansividade o colonialismo inglês e francês.

Agora, os invasores do pretérito aparecem reencarnados, no mesmo solo que pintaram de sangue, e com a roupagem física de africanos que tentam voltar às pátrias de origem, necessitando drasticamente de amparo, proteção e ajuda. Retornam como vítimas, deixaram de ser algozes.

Que tenhamos a certeza de que o Amor de Deus é incomensurável e existe uma razão espiritual para as tragédias que deixam aterrorizadas as criaturas terrenas. Tudo tem uma finalidade, a casualidade não existe. O Pai proporciona a redenção espiritual de todos nós, seus filhos, herdeiros e viajores do Cosmo, através de Sua eterna misericórdia e do Seu incomensurável Amor.

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