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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2016
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Mês de maio, festejado mês de maio, outono tépido, de cores ainda quentes, mas já com a suavidade outonal. Mês das noivas... Mês das mães... De todas as mães de todos nós, tantas de tantos, de tantos tempos... De todos os tipos, situações, condições, quadrantes, raças e crenças; e, contudo, simplesmente mães...

No entanto, desta vez, neste mês, quero trazer à nossa reflexão uma mãe em especial: aquela que entrega seu filho/a ainda pequenino/a, recém-nascido/a, para adoção... Ou que entrega aquele serzinho, recém chegado, à sua sorte na rua ou na porta de alguma casa escolhida ao acaso, ou numa roda de acolhimento a abandonados etc. E foge, se escondendo, cheia de medo, de que medo medo de voltar atrás, medo de não aguentar a dor, medo de ser vista, ser detida, ser recriminada, condenada?

Foi lendo uma Cartilha para Profissionais de Saúde, elaborada pela Associação dos Magistrados Brasileiros e uma equipe de psicanalistas que me detive a pensar com mais vagar e cuidado nessas mães. Diz esse estudo que o gesto da mãe que entrega seu filho é uma experiência que gera mal-estar, tema complexo, permeado de tabus e preconceitos. Acentua que alguns mitos mais comuns nesses casos são: “ela é má”; “ela abandonou seu filho”; “ela padece de algum déficit do instinto maternal” e “ela tem algum distúrbio afetivo”. E colocam uma reflexão muito importante para nós: “em relação à mãe que, em plena fase pós-parto, entrega seu bebê para adoção, costuma-se ouvir que ela deu sua criança, mas nunca que perdeu seu filho”.

Esse estudo mostra ainda que a maioria dessas mulheres é muito jovem, muito pobre, em geral de situação familiar problemática, muitas vezes em condições de trabalho que não lhe permitem a gravidez e mais, em grande número abandonadas pelos parceiros que as engravidaram essa  última informação, esses mesmos estudiosos assinalaram, não é muito observada pela sociedade em geral: não se cogita que o homem que abandona a mulher que engravidou, não apenas está entregando à “sorte” a mãe mas também a criança que ajudou a gerar...

Não faz muito tempo, assisti a uma reportagem que relatava e mostrava (filmado por uma câmera das proximidades) o caso de uma mãe deixando um bebê recém-nascido dentro de uma caçamba de lixo, de forma sorrateira, depois de olhar em torno para ver se não havia ninguém observando. Contudo, ela não foi para longe: escondeu-se atrás de uma árvore e ficou na expectativa, para ver o que acontecia com seu bebezinho; como ele chorasse, não tardou muito e um rapaz, se não me engano o próprio lixeiro, ouvindo o choro, aproximou-se e recolheu o pequenino. Só então ela se afastou... Obviamente, devido à câmera, foi descoberta e levada à polícia e acusada de abandono de incapaz desprotegido...

No entanto, sabe-se que existem também casos de incapacidade em função de precário nível evolutivo, onde os valores ético-morais substantivos ainda não despertaram e assim tais atos não têm a relevância necessária.

Diante das reflexões que nos foram propostas, nós, espíritas, devemos nos lembrar dos fundamentais princípios doutrinários que proclamam que “fora da caridade não há salvação”, com base nos ensinamentos do Cristo.

Cabe-nos ainda apreciar esses casos com moderação e respeito, em conformidade com os preceitos de que “seremos medidos com a mesma medida que usarmos” e que devemos “fazer ao outro o que desejamos ele nos faça”. Avaliar sim, porém jamais julgar e muito menos sentenciar, rotular seria abandono, entrega, perda ou renúncia, a mais dolorosa das renúncias? Desconhecemos os motivos e as razões íntimas e ocultas que regem tais decisões, questões que podem ser as mais variadas: materiais, físicas, psicológicas, mentais e espirituais, e só Deus sabe quais outras.

Cabe-nos ainda mais usar de compaixão em todas as situações, de empatia, a fim de que possamos ajudar, na medida de nossas possibilidades, mesmo que somente não apontando, mas sim enviando vibrações de serenidade e luz para nossas irmãs de jornada evolutiva envolvidas nesses casos, lembrando e colocando-as, pelo menos no celebrado Dia das Mães, em nossas preces.

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