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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2016

Sobre o autor

Pedro Valiati

Pedro Valiati

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Muitas foram as vezes em que, por conveniência didáti ca, a reforma íntima fora abordada de forma simplista, definindo-a como: A troca de um prazer imediato e de efeitos maléficos, em nome de um bem futuro maior.

       Partindo para a prática, em exemplos didáticos, um irmão fumante, decidido a deixar o vício, pode sucumbir à tentação do prazer imediato, ao visualizar companheiros fazendo uso do antigo hábito de fumar, ou preferir distanciar-se, compreendendo que o cigarro lhe privará de futuros males, optando pela saúde como um bem maior futuro; Ao ser vítima de uma manobra mal educada no trânsito, uma pessoa pode preferir a ofensa que desarmoniza, mas se transveste de “elixir do desabafo” em forma do revide mal educado, ou pode preferir direcionar bons pensamentos ao irmão apressado e desatento, conservando a mente equilibrada e sadia, como um bem maior; Quando vítimas da intolerância, implicância, inveja, ofensa ou calúnia, temos a opção de, desequilibradamente, “responder no mesmo tom”, trazendo e remoendo a revolta no coração, de maneira a proporcionar as ansiedades e doenças cardiovasculares, ou podemos simplesmente lembrar do perdão, tão falado pelo Cristo, visando as paragens da felicidade para o próprio espírito. Definitivamente, a reforma íntima é uma escolha, bastante difícil, é bem verdade, mas ainda baseada nas decisões cotidianas.

       Contudo, a reforma íntima não deve ser tratada de forma simplória, devemos lembrar que somos a síntese de muitas reencarnações, na casa dos milhares, a resposta, portanto, dada aos acontecimentos diários é a “voz” desses “habitantes”, anteriores a reencarnação presente. Reformar-se é, então, “remar o barco da própria existência contra as correntezas das tendências anteriores”, definitivamente, não é fácil. Trazer a reforma íntima de forma contundente é chegar, no palco terreno, aos estertores das próprias forças, a trilhando os caminhos estreitos (Mateus 7:13).

       Contudo, Deus, em sua infinita bondade, nos marcou o espírito com a ferramenta chave para a providência da mudança. Explica-nos O Livro dos Espíritos:

621. Onde está escrita a lei de Deus?

 “Na consciência”.

       Como presente divino, temos os códigos da felicidade impressos na consciência, a noção do certo e errado, conforme a respectiva condição evolutiva, é bem verdade, contudo, suficiente para direcionar os próximos passos do caminho moral.

       Talvez alguns argumentem sobre ser o vício mais forte, invencível e intransponível, sendo impossível, no momento, a reforma íntima. De fato, reconhecemos que existem questões de solução muito difíceis, quem tem pessoas próximas na condição extrema do vício entende perfeitamente esta questão, contudo, O Livro do Espíritos nos esclarece na questão 911:

911. Não haverá paixões tão vivas e irresistíveis, que a vontade seja impotente para dominá-las?

 “Há muitas pessoas que dizem: Quero, mas a vontade só lhes está nos lábios. Querem, porém muito satisfeitas ficam que não seja como “querem”. Quando o homem crê que não pode vencer as suas paixões, é que seu Espírito se compraz nelas, em consequência da sua inferioridade. Compreende a sua natureza espiritual aquele que as procura reprimir. Vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito sobre a matéria”.

       Portanto, não há limites para a vontade do irmão a se reformar. Aprendemos no Evangelho lições e exemplos gloriosos de renovação: Maria Madalena, antes vaidosa e materialista, vive anos da experiência carnal cuidando dos leprosos no “Vale dos Imundos”, após tombar a mensagem do Cristo para o coração; Paulo de Tarso descobre o novo mundo dos sentimentos ao ser abordado pelo Mestre Galileu a quem perseguia; Simão Pedro, o homem rústico e embrutecido, se descobre doce e manso após comprometer-se fielmente a mensagem do divino Amigo; Publiu Lentulus, senador romano, sem piedade e orgulhoso, ajoelha-se e chora, qual criança desamparada, ao tomar-se a frente do magnetismo e olhar de Jesus.

       Todos os exemplos acima revelam o momento glorioso o qual todas as almas irão experimentar no deitar dos tempos. Podemos entender este instante único, chamado nos evangelhos de “Renascimento do Espírito”, como o marco sincero da alma nas trilhas do amor, com vistas a desembarcar na estação da felicidade.

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