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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2016
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Analisando a atual situação de violência ostensiva em tantos domínios, mesmo naqueles onde o que esperamos é proteção, amparo e carinho, concluímos que realmente o que estamos atravessando, e enfrentando, é a fase de “excesso do mal” (1) que antecede a necessidade efetiva, a vontade real de transformação, nossa e do mundo que nos cerca. Justamente por isso a nossa indignação cresce aquela indignação que faz com que busquemos mudanças sérias e concretas devido à necessidade urgente do bem que desperta em nosso íntimo e que nos incita a realizar as reformas óbvias, em nós primeiramente, e nas nossas leis, instituições e, particularmente, procedimentos, “por meios diretos e materiais” como cabe a espíritos encarnados (2).

Essas mudanças têm forçosamente que passar pela melhoria da desigualdade social que assola o mundo em função da ganância de um reduzidíssimo grupo de beneficiados materialmente, pois sabemos que espiritualmente lamentavelmente a miséria dessas criaturas é desastrosa. Há algum tempo ouviu-se um estadista declarar em reunião da ONU que “a especulação de poucos levou as massas ao desespero” e infelizmente não podemos deixar de concordar com essa declaração...

Allan Kardec traduz para nós as predições para essa época de transformações, de acordo com a razão e o bom-senso que, de um modo geral, já conquistamos: “quando chegar o momento, os homens serão advertidos pelos índices precursores. Tais sinais não estarão nem no sol nem nas estrelas, mas no estado social e nos fenômenos mais morais que físicos” (3) e é o que vimos constatando face a todos os acontecimentos que presenciamos.

Constata-se igualmente que o progresso intelectual da humanidade adiantou-se imensamente nesses dois últimos séculos quanto às ciências, às técnicas e às tecnologias de todo tipo no entanto, não se pode dizer o mesmo quanto às relações humanas sociais, no que diz respeito à ética, à moral e à fraternidade; “enquanto o homem for dominado pelo orgulho e pelo egoísmo, utilizará sua inteligência e seus conhecimentos para vantagem de suas paixões e seus interesses pessoais; é por isso que ele os aplica ao aperfeiçoamento dos meios de prejudicar os seus semelhantes e os destruir” (4) tais os esclarecimentos de Kardec quanto aos aspectos inerentes ao grau evolutivo das criaturas.

Ao se reconhecer a imensa desigualdade das possibilidades para a conquista de uma melhor condição de vida entre os diferentes segmentos sociais, somos praticamente obrigados a repensar nossa postura perante a família, a comunidade, a nação e até mesmo o mundo que ora habitamos, porque já sabemos que tudo e todos interagimos independentemente de querermos ou não, de estarmos ou não conscientes disso.

Não basta reconhecer; não basta indignar-se; não basta reclamar; não basta nem mesmo tão somente orar e “entregar nas mãos de Deus”, ou muito menos acomodar-se porque “as coisas são assim porque Deus assim o quis” ou, pior ainda, admitir que essas pessoas estão simplesmente inseridas na lei de causa e efeito e nada se pode fazer por elas...

Necessário, imprescindível mesmo, é que nossa indignação se transforme em força produtiva, em conscientização e atitude positiva e todos estamos capacitados para isso; podemos começar analisando imparcialmente as nossas necessidades: se os nossos armários não estão cheios de roupas que já não usamos; se a nossa despensa não está cheia de produtos que não conseguiremos consumir antes que a data de validade expire; se a nossa casa não está cheia de móveis, utensílios e objetos em demasia, atravancando espaços e acumulando poeira...

Enfim, se o nosso tempo, preciosa ferramenta que Deus criou para nós, não está cheio de momentos, horas, dias desperdiçados, em que estamos perdendo a oportunidade de exercer nossa solidariedade a benefício do coletivo esse benefício, ainda que ínfimo e atinja apenas um, obviamente se reflete no coletivo, visto que estamos trabalhando na construção de elos humanos que por sua vez se reproduzirão de uns para os outros a conhecida “corrente do bem”.

“Sou apenas uma gota no oceano, mas sem essa gota o oceano seria menor”. (5)

A nossa solidariedade pode manifestar-se das formas mais variadas e uma delas é compreender o que verdadeiramente é necessário, aprendendo assim a dizer não ao supérfluo, ao excesso, o que permitirá, sem dúvida, que falte um pouco menos do indispensável na vida de milhões de criaturas. Talvez assim esses irmãos, um pouco menos desesperados, e cujas escolhas geram para eles mesmos e para a sociedade nefastas consequências, tenham a oportunidade de avaliar seu comportamento, reavaliar seu procedimento e perceber a premente necessidade de mudança de rumo.

 

Notas bibliográficas:

  1. K. Allan, O Livros dos Espíritos 784
  2. K. Allan, O Livro dos Espíritos 573
  3. K. Allan, A Gênese Sinais Precursores 
  4. K. Allan, Obras Póstumas, Credo Espírita
  5. Madre Teresa de Calcutá
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