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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2017

Sobre o autor

Pedro Valiati

Pedro Valiati

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Avaliemos os conceitos da morte, conforme os postulados espíritas, a qual nos traz, em sua literatura, como a falência do corpo físico, onde a partir deste evento, vários outros se encadeiam. Portanto, e por isso, a morte é vista como a grande financiadora da transição do campo físico para o espiritual.

A falência do corpo físico vai ocorrer, é da lei, a qual nunca é burlada. É apenas uma das vicissitudes as quais estamos programados a percorrer nos tempos da carne. Contudo, seria simplista afirmar que se trata de fenômeno de curta duração, sem consequências anteriores ou posteriores à falência do corpo em si. Avaliemos os apegos humanos, observados em experiências nas práticas mediúnicas:

       Familiar: Temos exemplos múltiplos, os quais familiares não abandonam, mesmo na esfera do espírito, o lar e/ou a companhia dos seus. Aproveitam-se das conexões psiquicas pré estabelecidas pelo convívio e sentimentos, nem sempre harmônicos, para influenciar-lhes a existência, comprometendo-se em nome do apego e expectativas sentimentais geradas em si. O livro Nosso Lar, de André Luiz, psicografia de Chico Xavier, nos mostra a consequência de tais apegos na personagem a qual justificava o desequilíbrio e revolta com a vontade divina no amor ao noivo, quando, na verdade, sentia-lhe como propriedade. Tais casos são especialmente comuns entre relacionamentos esponcialícios ou maternais, carreando o espírito ao desequilíbrio e sofrimento. Olvidam os irmãos, que os laços do verdadeiro amor são indestrutíveis, seja pela distância, seja pelo tempo.

       Profissional e material: Casos multiplicam-se, onde irmãos não abandonam o ambiente de trabalho, mesmo após o desencarne. Muitos, ainda elocupletando-se nas posições executivas, os quais ordenavam sem cessar e eram obedecidos sem espera, são a nova versão doentia dos antigos monarcas e nababos. Lastimosos os casos em que irmãos bebem o cálice da soberba e despotismo, em nome de um pseudo e transitório poder, e encontram posições bastante diferentes quando o beijo da morte lhes atinge no tempo azado. Isto sem falar nos que acreditam ainda possuir os bens aquinhoados na última vida, ideia tão absurda quanto degradante e infeliz.

       Vícios: Talvez o campeão de incidências, muitos irmãos acreditam piamente nas filosofias materialistas equivocadas, no Carpe Diem, como se não houvessem consequências para os atos. Imaginemos se todas as pessoas do mundo adotassem tal prática, de entregarem-se ao prazer ultriz, como seria o mundo? O viciado é, na grande maioria dos casos, um ser sem limites, tudo é desculpa para aceder ao vício, seja tristeza, alegria, euforia, melancolia etc. Tudo remete à prática da fuga delirante, de prazo de validade curto, a qual consome o corpo e aprofunda as angústias. No pós morte não será diferente. Buscará incessantemente aqueles que possam lhe satisfazer as viciações, através das obsessões severas. Somente após muito esforço tais espíritos são convencidos e recambiados aos tratamentos na esfera do espírito.

       Vingança: A experiência de um espírito revoltado no plano espiritual muito se assemelha ao caso do ser viciado, narrado acima, só que neste caso a “droga” é a vingança. Vive-se em função de prejudicar aquele que lhe foi causa da desdita, como se houvesse forma de recuperar o que lhe houve retirado, ou ainda, volver aos tempos pretéritos. Há ainda a componente da revolta contra Deus, o qual em seu pensamento infeliz, acredita ser o Criador financiador do ato, permitindo-o, portanto, injusto. Com esta casta de espíritos, somente com jejum e oração (Mateus 17:21). Jejum de maus pensamentos e ações; Oração para o sempre estabelecimento do contato com os bons espíritos. Dava-nos o Cristo a receita para evitar os processos obsessivos.

A morte, portanto, é muito mais que uma simples passagem, ela é a resultante construção espiritual da jornada terrena. O indivíduo o qual não se deu por apegos, de quaisquer espécies, está livre para bailar as paragens espirituais feliz, sem amarras, revoltas ou paixões. O ser que estabelece o bom proceder como regra da existência, através da dedicação à família e ao trabalho, cria natural conexão com a espiritualidade maior e, portanto, cria ao entorno de seu perispírito atmosfera psíquica, psicosfera salutar a qual facilitará o contato com os bons amigos após o desencarne, encaminhando-o as destinações felizes de continuação do caminho evolutivo.

       Os apegos desembocam na dor, o desprendimento à liberdade.

Excelente reflexão sobre os respectivos apegos. O que nos vem à mente quando falamos da morte? Eis a fonte de valiosa autoanálise, a nos facilitar a preparação para o momento inexorável da morte. Todos temos nossas paixões, é natural do momento evolutivo o qual nos achamos, contudo, é importante desde já nos acostumarmos com a ideia de que a verdadeira propriedade são as aquisições da virtude e do conhecimento.

Em Mateus 19:24, o Cristo nos fala da dificuldade de um rico adentrar nos reinos dos céus, talvez tal riqueza esteja muito mais conectada aos apegos de toda sorte, as correntes que nos amarram à terra e nos impossibilitam ao alcance da harmonia plena e da entrada nas sendas da felicidade. 

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